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O torcedor cego que não abandona a arquibancada e o fiel amigo que o acompanha para narrar os lances

Há mensagens que são universais. Pouco importa o idioma para entender o que se passa e, mais do que isso, se sentir tocado pela cena. Nesta semana, a iraniana 90tv produziu uma reportagem que rapidamente ganhou espaço nas redes sociais, ainda que boa parte dos compartilhamentos tenha sido feita sem qualquer noção de persa. As imagens bastam por si. Mostram um torcedor que não encontra limites para a sua paixão, nem mesmo a falta de visão, e a fidelidade de seu grande amigo.

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Muhammad é figura conhecida nas arquibancadas em Qaem Shahr, cidade ao norte do Irã. Mesmo cego desde os 12 anos, ele costuma frequentar os jogos do Nassaji Mazandaran. O clube não disputa a primeira divisão do Campeonato Iraniano desde 1995, enquanto se acostumou a ocupar posições intermediárias na segundona ao longo da última década. Ainda assim, possui média de seis mil fiéis nas arquibancadas por jogo. Muhammad entre eles.

Por conta de suas limitações, o fanático é acompanhado por Adel. Ele conduz Muhammad ao estádio e cuida do amigo, mas vai muito além disso. Também serve de narrador ao rapaz que não pode ver a partida, comentando os lances e passando os detalhes que acontecem ao seu redor. Um verdadeiro anjo da guarda.

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Na ocasião da reportagem, Muhammad pôde conhecer os jogadores e a comissão técnica do Nassaji. Além disso, o seu exemplo tocou outros dirigentes esportivos. O presidente do Khooneh Be Khooneh, clube da região de Mazandaran que também disputa a segunda divisão, ofereceu ao jovem e a Adel uma viagem a Karbala, cidade iraquiana para qual os xiitas realizam uma peregrinação anual.

Abaixo, a excelente reportagem da 90tv sobre Muhammad e Adel. Talvez você já tenha conferido imagens de torcedores cegos nas arquibancadas, mas poucas vezes com tantos detalhes – e digo isso também sem entender uma palavra de persa. Vale assistir especialmente a partir dos dois minutos:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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