Ásia/Oceania

Vida longa para o Rei Kazu

No último sábado, o veterano atacante Kazuyoshi Miura adicionou mais uma expressiva marca à sua carreira. Aos 43 anos, cinco meses e 12 dias, Kazu fez o segundo gol da vitória do Yokohama FC sobre o Fagiano Okayama e bateu seu próprio recorde dentro da história da J-League, o de jogador mais velho a marcar um gol em uma partida da Liga.

Aliás, a trajetória de Kazu – ou, de como é chamado no Japão, “Rei Kazu” – se confunde um pouco com a escalada do futebol profissional japonês. E talvez por isso seja fácil entender porque, em um fim de semana onde um clássico mudou a liderança da J-League 1 ao término do primeiro turno, um gol marcado em uma partida de clubes na posição intermediária da segunda divisão tenha tido tanto espaço na mídia do país.

Kazu foi o primeiro grande ídolo japonês da J-League, desde sua criação, em 1993, quando a competição era povoada por craques estrangeiros em final de carreira. Ajudou o Verdy Kawasaki a conquistar os dois primeiros títulos da “nova era” do futebol japonês, em 93 e 94. Mas antes disso, Kazu já tinha se tornado uma lenda no país, pelo simples fato de ter realizado um sonho de criança.

Em 1982, então com 15 anos, Kazuyoshi Miura entrara na Shizuoka Gakuen High School para concluir o ensino médio. Encantado com as exibições da seleção brasileira na Copa da Espanha, Miura tomou uma decisão aparentemente sem sentido: sozinho, embarcou para o Brasil para se tornar um jogador profissional no “país do futebol”.

Aqui, Kazuyoshi Miura virou Kazu. Jogou nas categorias de base do Juventus, da Mooca. Em 1986, assinou seu primeiro contrato profissional, com o Santos. Jogou ainda por Palmeiras, Matsubara, CRB, e teve boas passagens pelo XV de Jaú – onde a velocidade, as comemorações exóticas depois dos gols e o português enrolado chamaram a atenção – e pelo Coritiba (onde foi campeão paranaense em 89), antes de voltar ao Santos, seu último clube no país, em 1990, ano em que retornou ao Japão.

Na volta para casa, Kazu jogou no Yomiuri, e foi bicampeão da Japan National League, antes da criação da J-League. Sua fama só crescia, e aumentou ainda mais quando foi para o Genoa, na temporada 94/95, se tornando o primeiro japonês a atuar no futebol italiano.

A experiência na Europa não foi bem sucedida e no ano seguinte, Kazu voltou para o Verdy Kawasaki, onde jogou mais três anos, sendo artilheiro da J-League, em 1996.

Em 99, mais uma tentativa na Europa: Kazu foi jogar no Dinamo Zagreb, mas logo retornou para a J-League, onde atuou por Kyoto Purple Sanga, Vissel Kobe e Yokohama FC, onde está desde 2005 (com uma breve saída por dois meses para o Sydney FC, por onde disputou quatro jogos da A-League e o Mundial de Clubes da Fifa em 2005).

Em busca de novos recordes

Kazu jogou dez anos na seleção japonesa, entre 1990 e 2000 e é o segundo maior artilheiro da história da equipe nacional, com 55 gols em 89 jogos, atrás apenas de Kunishige Kamamoto, que marcou 75 vezes em 76 jogos nos anos 60 e 70. Além de ser o jogador mais velho a marcar um gol na J-League, Kazu quer ainda outras marcas: ele participou de todas as 19 temporadas de existência da liga profissional japonesa (sendo quatro delas na J-League 2, a segunda divisão), marcando pelo menos um gol em cada uma das temporadas.

Com 431 jogos disputados, Kazu já fez 152 gols na J-League, e está a apenas cinco de alcançar outra lenda do futebol japonês: Masashi Nakayama, que aos 42 anos, está inscrito pelo Consadole Sapporo, também da J-League 2. ‘Gon’ Nakayama jogou 17 temporadas pelo Jubilo Iwata, marcando 157 gols.

Kazu diz que ainda se sente bem jogando futebol e tem como meta alcançar a marca do atacante inglês Stanley Matthews, de atuar profissionalmente até perto dos 50 anos de idade. E quem pode duvidar do Rei Kazu?

Shimizu S-Pulse é o novo líder da J-League

Na J-League 1, o Shimizu S-Pulse voltou à liderança depois de bater o Kashima Antlers por 2 a 1, na principal partida da última rodada do turno. O jogo aconteceu em Shizuoka, para 20 mil torcedores. Cobrando pênalti, Fugimoto abriu o placar para o Shimizu. Koroki empatou, já no segundo tempo, e Edamura, que acabara de entrar no lugar de Shinji Ono, marcou o gol da vitória aos 29 minutos do segundo tempo.

Com a vitória, o Shimizu pulou para 36 pontos, ampliando sua invencibilidade para seis jogos. O Kashima foi ultrapassado pelo Nagoya Grampus, que venceu o Tokyo FC por 1 a 0, fora de casa, gol do zagueiro Tulio Tanaka. O Nagoya está com 35 pontos, contra 34 do Kashima.

Na ponta de baixo da tabela, o Kyoto Sanga segue muito ameaçado pelo rebaixamento. O time dos brasileiros Thiego, Júnior Dutra e Diego Silva perdeu em casa para o Albirex Niigata por 2 a 0. Foi a quinta derrota consecutiva do time, a décima-primeira em 17 rodadas. Com 10 pontos, o time é o lanterna, atrás de Shonan Bellmare (12 pontos) e Vegalta Sendai (14), que completam a zona do rebaixamento.

Na J-League 2, além do gol de Kazu, a 21ª rodada foi marcada pela quebra da invencibilidade do Kashiwa Reysol. Líder do torneio com 45 pontos, o time comandado por Nelsinho Batista já vinha tendo uma queda de rendimento nos últimos jogos, e, depois de três empates consecutivos, o Reysol perdeu em casa para o Tokyo Verdy por 1 a 0.

Melhor para o Ventforet Kofu, que nas últimas quatro rodadas, diminuiu de oito para apenas dois pontos a distância que o separava do líder. O time dos brasileiros Daniel Tijolo, Maranhão e Paulinho venceu o Tokushima Vortis por 1 a 0, e agora está com 43 pontos ganhos. O JEF United, com 36 pontos, é o terceiro colocado, completando a zona de promoção para a J-League 1.

Amistosos internacionais marcam estreias de treinadores

Coreia do Sul e Austrália aproveitam a data FIFA desta quarta-feira para estrearem novos treinadores. Com Cho Kwang-Rae no banco dirigindo a equipe pela primeira vez, a Coreia do Sul recebe a Nigéria em Suwon. Já a Austrália vai a Ljubliana enfrentar a Eslovênia, ainda sem um técnico escolhido para substituir Pim Verbeek – o anúncio acontece nesta quarta-feira.

De olho no título da Copa Asiática de Nações, em janeiro, Arábia Saudita e Irã intensificam sua preparação e também utilizam a data FIFA para amistosos. Dirigida pelo português José Peseiro – que disse que sua equipe tem toda a condição de se tornar campeã continental – a Arábia Saudita recebe Togo em Riad. O Irã joga contra a Armênia em Yerevan.

Outros amistosos envolvendo seleções da Ásia e Oceania: Albânia x Uzbequistão em Tirana; China x Bahrein em Nanning (China); Tailândia x Cingapura em Bangkok; Mauritânia x Palestina em Nouakchott; Azerbaijão x Kuwait em Baku;

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Equipe Trivela

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