Ásia/Oceania

Uma final esperada

Austrália e Japão decidem, no sábado, a Copa da Ásia. Conforme destaquei aqui na última coluna, o resultado demonstra que os dois finalistas e a Coreia do Sul – eliminada na semifinal pelo Japão – estão em um nível muito acima dos demais concorrentes continentais.

As duas seleções chegam à final em condições muito distintas. A Austrália teve uma primeira fase tranquila, com vitórias sobre Índia e Bahrein e um empate na “decisão” do grupo contra a Coreia do Sul, o que garantiu o primeiro lugar no saldo de gols. Nas quartas, o time suou para passar pelo Iraque, atual campeão, por 1 a 0, na prorrogação. Na semifinal, nova goleada: 6 a 0 sobre a frágil equipe do Uzbequistão.

Do outro lado, o Japão teve problemas para confirmar sua condição de favorito. Depois de arrancar um empate no último lance diante da modesta seleção da Jordânia, o time teve muitas dificuldades para passar pela Síria (2 a 1), com um gol de pênalti convertido por Keisuke Honda a oito minutos do fim do jogo. Goleada mesmo, só diante da frágil equipe da Arábia Saudita, uma das decepções do torneio.

Nas quartas de final, o momento mais agudo para a equipe de Alberto Zaccheroni. Enfrentando os anfitriões, o time perdia por 2 a 1 com um jogador a menos (Maya Yoshida foi expulso aos 18 minutos do segundo tempo), mas conseguiu a virada com mais um gol no fim do jogo, marcado por Masahiko Inoha. Na semifinal, 1 a 1 no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação diante dos arquirrivais sul-coreanos. Nos pênaltis, o goleiro Eiji Kawashima pegou duas cobranças e garantiu os japoneses na decisão.

Japão e Austrália repetem, aliás, um confronto da edição anterior da Copa da Ásia, disputada na região sudeste do continente – com sedes na Malásia, na Indonésia, no Vietnã e na Tailândia. Em sua primeira participação como integrante da AFC, a Austrália foi eliminada nas quartas de final pelos japoneses nos pênaltis por 4 a 3, depois de empate em 1 a 1 no tempo normal. Daquela partida, 11 dos 23 australianos permanecem na seleção que está no Catar. A renovação japonesa foi bem maior: apenas o meia Endo continua como titular. O goleiro Kawashima e os meio-campistas Konno e Inoha eram reservas no jogo da Copa da Ásia de 2007.

Teoricamente, a Austrália vive um melhor momento no torneio e é o meu favorito para o jogo de sábado. Mas o time japonês já provou que a renovada seleção vem se dedicando nos jogos, literalmente, até o último instante. Se fosse pra eu apostar na loteria, cravaria Austrália. Porém, parafraseando o filósofo Ronaldinho, “futebol é futebol”.

As decepções

Se de um lado, Austrália, Japão e Coreia do Sul confirmaram seu favoritismo, de outro lado, algumas seleções decepcionaram na Copa da Ásia. Finalista em 2007, a seleção da Arábia Saudita só deu vexame no Catar. Trocou de técnico na primeira partida, fez apenas um gol em três partidas e só não teve campanha pior que a Índia, saco de pancadas do grupo C.

A Coreia do Norte confirmou a fragilidade demonstrada na Copa do Mundo, seis meses atrás. Ao menos, conseguiu um pontinho, no empate contra a seleção dos Emirados Árabes. Já o Catar conseguiu ao menos passar de fase, mas decepcionou sua torcida ao perder uma chance de ouro de chegar às semifinais no jogo contra o Japão, quando, com um homem a mais em campo durante meia hora, levou dois gols e a virada.

A presença do público também decepcionou os organizadores. A semifinal entre japoneses e sul-coreanos colocou 16 mil torcedores no Al-Gharrafa Stadium, com capacidade para 25 mil pessoas. Austrália x Uzbequistão teve 24 mil pessoas, pouco menos da metade da capacidade do Khalifa International Stadium (50 mil lugares).

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Equipe Trivela

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