Turcomenistão entra para o seleto grupo de campeões continentais
Os turcomenos sempre foram preteridos nas grandes competições. Quando o país ainda fazia parte da União Soviética, os clubes sequer conseguiram figurar na elite nacional, feito que até times de Tadjiquistão e Estônia alcançaram. Ao lado do Quirguistão, o Turcomenistão só teve equipes nas divisões inferiores, entre 1937 e 1991.
Com o colapso soviético, o país fundou sua liga nacional, dominada inicialmente pelo Köpetdag Asgabat, cinco vezes campeão em seis edições. Foi o primeiro a disputar jogos internacionais, em 1994/95. O Campeonato de Clubes da Ásia, antecessora da Liga dos Campeões, terminou na primeira fase para o time de Asgabat, que ficou na segunda posição da chave, atrás do Neftchy Farg’ona (Uzbequistão), com três vitórias e uma derrota.
A equipe até que conseguia bons resultados diante dos vizinhos, mas não tinha força para enfrentar adversários árabes e iranianos. Mesmo assim, o Köpetdag Asgabat fez boa campanha na Copa Asiática dos Vencedores de Copa 1998, ao atingir as semifinais. Após eliminar o tradicional Al Shorta (Iraque) por 5 a 1, a equipe caiu diante do Al Nasr (Arábia Saudita), por apenas 2 a 1, perdendo também a disputa do terceiro lugar, 4 a 1 para o Beijing Guoan (China).
Perda de status
A hegemonia nacional era do Köpetdag, mas o time começou a perder espaço para os adversários locais por problemas financeiros e acabou extinto em 2008. As disputas internacionais, então, ficaram a cargo do Nisa Asgabat, que não conseguiu campanhas importantes como as do rival. Em 2004, com a criação da Copa da AFC, a Confederação Asiática de Futebol rebaixou os clubes do Turcomenistão para a espécie de segundona da Ásia.
Esperava-se que as equipes do país pudessem mostrar resultados melhores, já que enfrentariam adversários do segundo escalão do continente, como Jordânia, Líbano, Omã e Iêmen. Mas as vitórias não vieram e nenhum time turcomeno conseguiu passar da fase de grupos nos quatro anos em que o país frequentou a competição.
Sem conseguir cumprir os critérios da confederação para se manter na Copa da AFC, o Turcomenistão teve de se contentar com a Copa dos Presidentes da AFC, torneio que reúne os países mais periféricos do continente. Diante de equipes dos naipes de Butão, Mianmar, Sri Lanka, os clubes do país começaram a vencer. O FC Asgabat foi o primeiro deles, em 2008, ao ficar na liderança do Grupo C, com goleada sobre o Transport United (Butão) por 7 a 1. Acabou eliminado nas semifinais, ao perder disputa de pênaltis para o Regar TadAZ (Tadjiquistão).
Pensamento grande
A estreia do FC Balkan nos torneios internacionais se deu em 2000/01, mas o clube só começou a dominar o futebol torcumeno a partir de 2010. Tricampeão nacional, o desafio seria levantar a primeira taça do Turcomenistão no exterior. Em 2011, a equipe alcançou a fase final da Copa dos Presidentes, mas perdeu a vaga na disputa do título para o Taiwan Power Company (Taiwan).
No ano seguinte, o desastre: pela primeira vez um time do Turcomenistão era eliminado na primeira fase. O Balkan conseguiu perder para Markaz Shabab Al Arabi (Palestina) e Istiqlol (Tadjiquistão), ficando na lanterna da chave. Mas tudo mudou em 2013.
No Grupo C, o Balkan somou nove pontos em três jogos, marcando dez gols e sofrendo apenas dois, do Hilal Al Quds (Palestina). A liderança da chave deu moral aos turcomenos, que enfrentaram Three Star Club (Nepal) e a surpresa Erchim (Mongólia) na fase final. Com mais duas fáceis vitórias – 6 a 0 nos nepaleses e 4 a 0 em cima dos mongóis –, o Balkan representou o Turcomenistão numa final inédita.
Em Malacca, na Malásia, 578 torcedores acompanharam a disputa do troféu entre Balkan e KRL (Paquistão), que terminou em 1 a 0 para os turcomenos, com gol aos 42 minutos do segundo tempo. Logicamente, a taça representa muito para o país da ex-União Soviética, mas foi apenas o primeiro passo rumo à evolução.
Em 2014, o Balkan, que está perto de ser tetracampeão nacional, deve disputar a Copa dos Presidentes, já que o Turcomenistão ainda está longe de atingir os critérios para jogar a Copa da AFC, que vão desde estádios com capacidade mínima até número de clubes na primeira divisão. Mas porque não sonhar com uma melhora futura, assim como conseguiram Mianmar e Ilhas Maldivas?
Veja o jogo completo da final da AFC Presidents Cup 2013
Curtas
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A seleção do Turcomenistão, 125ª colocada no Ranking da Fifa, é igualmente inexpressiva, mas já teve seu momento num torneio importante. A equipe venceu sua chave nas Eliminatórias para a Copa da Ásia 2004, superando Emirados Árabes e Síria, e disputou a fase final. Ficou na última posição do grupo, com um ponto, graças ao empate com a Arábia Saudita (2 a 2) e derrotas para Iraque (3 a 2) e Uzbequistão (1 a 0).
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Na época, alguns atletas jogavam na Ucrânia e na Rússia, realidade diferente da atual. Sem entrar em campo desde 26 de março, quando garantiu vaga na AFC Challenge Cup 2014, que dá ao campeão um lugar na Copa da Ásia 2015, a principal promessa é o jovem atacante Vahyt Orazsakhedov, 21 anos, do Rubin Kazan, emprestado a um time da segundona russa. O meia Ruslan Mingazow, de mesma idade, atua no Skonto Riga. No total, são seis atletas no exterior, sendo mais um na segunda divisão russa, um na terceira divisão da Turquia, além de dois nas elites de Azerbaijão e Cazaquistão.
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A base da seleção é o HTTU Asgabat, três vezes campeão nacional. A equipe é da universidade turco-turcomena, uma parceria entre Turquia e Turcomenistão, que inclui o time de futebol e outras modalidades.