Ásia/Oceania

Times estrangeiros em torneios nacionais? Só em Cingapura

Cingapura é um país minúsculo no sudeste da Ásia, uma cidade-estado no sul da Malásia, de apenas 5,3 milhões de habitantes. Pessoas que dividem espaço de míseros 710 km² (a cidade de São Paulo é 2.145 vezes maior), o 190º país do mundo em área, atrás de micro nações, como Kiribati (811 km², na Oceania) e Dominica (751 km², no Caribe). Cingapura não é o menor país do continente, título que pertence às Ilhas Maldivas, arquipélago cuja área total é de 300 km² – Macau, de 30 km², que tem seleção nacional, é considerado território chinês.

Apesar de a primeira edição da liga profissional (S League) ser de 1996, o futebol é disputado no país há mais de 100 anos. A primeira competição em Cingapura foi organizada em 1904, quando os cingapurianos eram colônia do Reino Unido, o que só findou em 1963, com a independência. Os nomes dos times eram bem britânicos, como o primeiro campeão (1st Battalion Manchester Regiment), ou o vencedor de 1940 (Royal Air Force).

A partir de 1952, a federação cingapuriana se filiou à Fifa e passou a organizar o campeonato local. Entre 1988-95, disputou-se a FAS Premier League, que contou com times australianos (Perth Kangaroos e Darwin Cubs) e até a seleção nacional, facilmente campeã em 1995. A intenção de trazer times estrangeiros visava aumentar o interesse do público pelo futebol local, o que não deu muito certo, pois estas equipes sempre dominavam as ações. Em 1996, a entidade que rege o futebol cingapuriano criou a S League, primeiro torneio profissional do país. O maior campeão da história é o Singapore Armed Force (desde janeiro/2013 é chamado de Warriors FC), com oito troféus, mas quem domina o futebol local nos dias de hoje é o Tampines Rovers, dono de quatro taças e atual bicampeão.

Invasão estrangeira

Na primeira edição da S League (1996), apenas oito clubes participaram, todos de Cingapura, com taça do Geylang United, que era o papa-títulos na época. Em 1999, 11 equipes jogaram a liga nacional, sem nenhum forasteiro. A primeira vez que um estrangeiro participou do novo torneio foi em 2003, quando o Sinchi FC (China) ficou em sétimo lugar na temporada – jogou mais dois anos, até informar que não faria mais parte do Campeonato Cingapuriano.

Até hoje, apenas uma equipe de fora conseguiu levantar a taça, em 2010. Na ocasião, o Etoile FC, oitavo time do exterior a jogar o torneio profissional, superou os adversários locais. A equipe, que era formada por atletas de origem francesa – contava com jogadores de Marrocos, Ilhas Maurício e República Centro-Africana –, somou 70 pontos (21v, 7e, 5d), um a mais que o Tampines Rovers. Em 2012, entretanto, o time decidiu se retirar e passou a ter apenas equipes de divisões de base.

Na Copa de Cingapura, que é disputada desde 1999, outro forasteiro tratou de vencer os times locais. Em 2010, o Bangkok Glass FC (Tailândia) superou o Warriors FC nas oitavas de final, deixando para trás South Melbourne/Austrália (time convidado, algo comum em Cingapura) e Etoile FC, já nas semifinais. Na disputa do título, vitória sobre o Tampines Rovers.

Porém, certamente a competição de maior domínio dos estrangeiros é a Copa da Liga de Cingapura. Desde 2007 (seis edições), quatro forasteiros comemoraram título, sendo dois troféus do DPMM FC (Brunei) e um de Etoile FC e Albirex Niigata Singapore, filial nipônica, que conta apenas com atletas japoneses.

Os candidatos

Na temporada 2013, que se aproxima do fim, os estrangeiros ainda podem faturar o caneco nas três competições de Cingapura. Na S League, a situação está quase impossível, pois o Tampines Rovers lidera o certame com 47 pontos em 20 rodadas, 11 à frente do Albirex Niigata Singapore. Os seis melhores vão para a fase final, mantendo-se as pontuações da etapa inicial, para mais cinco partidas. Deve dar Tampines com folga.

Na Copa de Cingapura, quatro times restam na briga pelo troféu. Numa das semifinais, um confronto local entre Home United e Balestier Khalsa. Na outra disputa, o Tanjong Pagar United encara a surpresa do torneio até aqui, o Global FC (Filipinas), convidado que eliminou um dos favoritos, o DPMM FC – nesta edição, os outros estrangeiros foram Boeung Ket (Camboja), Albirex Niigata Singapore, Harimau Muda B (Malásia) e Lao Police Club (Laos).

Na Copa da Liga de Cingapura, também nas semifinais, dois forasteiros estão na briga. Um confronto será entre Albirex Niigata Singapore e Balestier Khalsa, enquanto o DPMM FC encara o Woodlands Wellington. Quem vai levar a melhor: cingapurianos ou estrangeiros?

Curtas

– Assim como recebe equipes de fora, Cingapura também joga em outros torneios. O Lions XII, por exemplo, é dirigido pela federação local, representa a seleção e acaba de ser campeão na Malásia. Dos 26 atletas que perderam de 2 a 0 para Omã nas eliminatórias para a Copa da Ásia 2015, 11 são do Lions. A entidade também conta o Young Lions, a seleção sub-23, que joga na S League. Em 2013, o time é lanterna, com seis pontos em 20 jogos, em razão de ter sido punido por utilizar atletas irregulares nos quatro primeiros jogos da temporada.

– A grande esperança do país é o meia Adam Swandi, 17 anos, fruto do trabalho de base realizado em Cingapura. Ele fez testes no Metz e acertou contrato com o clube francês, inicialmente fazendo parte do plantel sub-19. Newcastle, Chelsea e Atlético de Madrid também queriam o atleta. Ele já tem duas partidas pela seleção principal.

– Porém, os times locais ainda não conseguem sucesso internacional. Cingapura tinha vagas na Liga dos Campeões da Ásia. Desde 2002/03, o país teve o Warriors em duas oportunidades, que passou da fase preliminar, mas caiu na fase de grupos, com uma vitória em 12 partidas. Entretanto, o país acabou não passando na firme avaliação da confederação asiática, que ocorre todo ano, restando apenas a AFC Cup. Quando ainda não existia a AFC Presidents Cup, os cingapurianos se deram bem contra oponentes mais fracos, com dois times derrotados nas semifinais (2004). Depois, raramente uma equipe de Cingapura passava de fase, e em 2013 o desastre foi total, com Warriors e Tampines Rovers nas lanternas de suas chaves.

– Claro que há brasileiros atuando na S League. Em 2013, o DPMM FC (Brunei) tem o zagueiro Tales dos Santos e o meia Rodrigo Tosi, enquanto o atacante Vitor Borges, cria do Tigres do Brasil, defende o Balestier Khalsa – está desde 2009 no futebol cingapuriano, com passagem pela Indonésia. Na história, há dois artilheiros: Peres de Oliveira, hoje aposentado, jogou por Democrata/GV e Serra, fazendo sucesso no Home United, pelo qual foi artilheiro em 2003, com 37 gols, e eleito o melhor atleta da temporada. No ano seguinte, Egmar Goncalves, que também já pendurou as chuteiras, marcou 30 gols pelo mesmo time e foi mais longe que o compatriota, atuando na seleção nacional entre 2002-06 (15 jogos, com quatro gols).

– O ídolo local é o veteraníssimo Aleksandr Duric, nascido na Bósnia (então Iugoslávia) em 1970, mas naturalizado cingapuriano. Sim, aos 43 anos, o atacante ainda joga, apesar de ter se aposentado da seleção de Cingapura em 2012 (27 gols em 54 jogos, desde 2007). Ele atingiu a marca de 300 gols na S League em 2010 e é o único a alcançar tal feito. Duric tem sete títulos nacionais e foi três vezes artilheiro.

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