Ásia/Oceania

Técnico búlgaro sonha trabalhar no Brasil, mas critica organização

Este jornalista que vos escreve publicou na última quinta-feira texto para a coluna Ásia/Oceania. O time em questão era o desconhecido New Radiant (Ilhas Maldivas), que vem fazendo bela campanha na AFC Cup 2013, estando nas quartas de final.

Pouco tempo depois de o texto estar no site, eis que sou surpreendido por uma mensagem numa rede social. Era ninguém menos que Velizar Popov, treinador búlgaro do time maldivo, que agradecia pela divulgação no Brasil. Curiosamente, a mensagem estava escrita em português, e é claro que batemos um papinho com ele para saber os motivos…

É curioso um búlgaro ter conhecimento em português. Como você aprendeu o idioma?

É inusitado. Éu me apaixonei pelo futebol brasileiro em 1982, na Copa da Espanha, quando passei a acompanhar mais de perto. No início, foi difícil aprender português, porque a Bulgária acabara de sair do comunismo e a única língua que podia estudar era o russo. Meu pai, outro apaixonado por futebol brasileiro, era músico e me mostrou várias melodias brasileiras, como a bossa nova.

Assim, passei a conhecer o idioma e tinha até um dicionário. Aprendi definitivamente com meu melhor amigo e padrinho de casamento, o brasileiro Lucio Wagner (revelado pelo Náutico, ex-Sevilla e Botafogo), que inclusive jogou na seleção búlgara. Ele me ajudou  muito, até com as gírias. Fui com ele à Recife e pude fazer outros amigos brasileiros.

Você trabalhou com alguns jogadores brasileiros no Cherno More em 2010/11, como o atacante Jardel, ex-Porto. Em sua opinião, porque ele decidiu jogar na Bulgária, na altura de seus 36 anos e visivelmente fora de forma?

Sem dúvida, o Jardel é o jogador mais popular com quem tive o prazer de trabalhar até hoje. A vinda dele para o Cherno More aconteceu quando eu negociava com outro atleta, Marco Thiago, por meio de um empresário. Ele também agenciava a carreira de Jardel e o clube queria contar com publicidade.

Fizemos o contato e o Jardel aceitou vir para a Bulgária, o que foi um imenso prazer. Ele é um grande campeão, pessoa maravilhosa e amigo para sempre. Aos 36 anos, ele mostrou muito profissionalismo e na pré-temporada treinava quatro vezes por dia e perdeu mais de 15 kg em 20 dias.

Você acompanha o futebol brasileiro?

Há sete, oito anos que vejo jogos pela televisão e leio notícias em sites. Meus amigos brincam comigo que sou mais brasileiro que eles, pois sempre acompanho mais partidas. Pude ver em Recife treinos de Sport, Náutico e Santa Cruz, e posso dizer que o Brasil é abençoado por ter tantos talentos. Impressionante a qualidade técnica das crianças jogando na rua e nas favelas.

Porém, acontece algo quando os jogadores saem da base para o profissional, pois a maioria deles não consegue se manter no time. Os clubes brasileiros precisam de mais organização, disciplina tática, marcação pressão. O jogador brasileiro costuma ter dificuldades na Europa por causa dos grandes espaços dentro de campo e do jogo lento nos campeonatos nacionais.

Você acredita que a seleção brasileira pode conquistar o título da Copa do Mundo 2014?

Sempre confio na seleção, até nos momentos difíceis, quando não jogam o seu melhor futebol. A ansiedade de atuar em casa e ganhar a competição é o mais perigoso, mas confio em Felipão, que já ganhou Copa do Mundo e está junto de Parreira.

Você tem apenas 37 anos e jogou profissionalmente dos 19 aos 24 anos, tornando-se técnico no mesmo ano em que encerrou a carreira de atleta. O que aconteceu?

Parei de jogar com 24 anos, em razão de lesões crônicas, que me impediam de jogar em alto nível. Sou muito ambicioso e por isso decidi encerrar a carreira e ser técnico, uma decisão difícil, mas que agora vejo ter sido correta. Tenho todas as licenças da Uefa e comecei com crianças, juniores. Há quatro anos sou técnico de times profissionais.

Você treinaria um time brasileiro?

Comandar um time no Brasil é meu sonho não realizado, mas confio em Deus que um dia poderei trabalhar no país. Há cinco anos que venho conversando com empresários e ex-jogadores amigos para ter uma oportunidade, até hoje sem sucesso. Parece que os dirigentes não confiam em mim por eu ser jovem e vir da Europa.

Não importa o estado nem o time, quero mostrar meu valor, para depois ficar mais fácil minha carreira no Brasil. Tomara que depois desse grande sucesso na AFC Cup com o New Radiant, algum clube possa se interessar. Estou muito feliz em meu atual trabalho, estamos fazendo história.

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