Ásia/Oceania

Taiti: não se pode perder a grande oportunidade de evoluir

Ninguém pode negar que o Taiti é o xodó da Copa das Confederações 2013, mesmo já eliminado. Por várias razões: time praticamente amador, as tradicionais entregas de colares típicos a rivais antes dos jogos, sem contar a faixa de agradecimento pelo apoio dos brasileiros durante o torneio da Fifa ().

Porém, é certo que o campeão da Copa das Nações da Oceania 2012 não veio até o Brasil para se divertir, divulgar o país – ou, no caso dos jogadores, curtir as férias de ao menos um mês, já que têm outras profissões. Os taitianos desembarcaram em solo tupiniquim esperando tirar algum proveito técnico, tático, enfim: uma oportunidade de ouro para os jogadores da ilha de 270 mil habitantes, considerada um território francês.

Números

E os atuais atletas amadores ainda precisam evoluir muito… Para se ter uma ideia, o Taiti foi quem mais permaneceu em seu campo durante a Copa das Confederações, 33% do tempo, contra 26% de México e Japão, que enfrentaram Itália e Brasil. Os fotógrafos tinham que ficar espertos para capturar o Taiti num lance de ataque: eles ficaram no campo do antagonista por 40,5 minutos nos três jogos, 15% do total

Sem conseguir finalizar em demasia (19 chutes nas três apresentações), a seleção da Oceania mal pôde fazê-lo de dentro da área (26%), contra 39% do Uruguai, o segundo pior. Como era de se esperar, os taitianos só conseguiam testar os goleiros adversários de fora da área (68%), a maior porcentagem entre os participantes da Copa da Confederações.

Até mesmo num fundamento simples – para os profissionais – como os passes, o Taiti também fica na lanterna, com 260 toques por partida, contra 439 da Nigéria, por exemplo (não vale a comparação com a Espanha, que deu 724 passes certos). O melhor do elenco no quesito foi o meia Jonathan Tehau, com média de 35 passes por partida, aproveitamento de 82,9%. Ele ainda foi o autor do único gol taitiano no torneio, média de 0,7 chute por partida.

O momento único dos torcedores vendo o gol do Taiti contra a Nigéria

Outro destaque da seleção da Oceania vai para o atacante Steevy Chong Hue, 23 anos. Ele encarou as defesas adversárias e propiciou raros momentos de emoção ofensiva da equipe. Ele também mostra qualidade nos números. Chong Hue teve 91,9% de sucesso nos passes (acertou 79 em 86 tentativas), melhor do que Dante (90,9%) e Cazorla (90,2%) – não se compara a qualidade geral dos atletas, evidentemente.

Curioso que o jovem atacante do Tefana, time local, foi o quarto a sofrer mais faltas por jogo (4,7), atrás apenas de Neymar (6), Balotelli (5,7) e Okazaki (5,3). Prova de que realmente era quem mais incomodava os oponentes. E não é coincidência o fato de o atleta estar sendo especulado no Shanghai Shenhua (China), que já teve Didier Drogba no elenco.

Oportunidades anteriores

Não é correto afirmar que alguns atletas taitianos não tenham experiência em torneios internacionais. Em 2009, a equipe sub-20 do país alcançou classificação inédita para a Copa do Mundo da categoria. Assim, o time comandado pelo terceiro goleiro da França no Mundial de 1998, Lionel Charbonnier, pôde entrar em campo diante de Espanha (derrota de 8 a 0), Venezuela (revés de 8 a 0) e Nigéria (goleada a favor do adversário por 5 a 0). Alguns atletas do elenco da Copa das Confederações jogaram a competição: Teheivarii Ludivion, Alvin Tehau, Heimano Bourebare, Teaonui Tehau, Steevy Chong Hue e Lorenzo Tehau foram titulares nos três jogos, enquanto Stephane Faatiarau começou jogando em duas partidas. Ainda teve Stanley Atani, que iniciou na reserva, mas entrou em um jogo. Ou seja, oito dos 23 convocados pelo técnico Eddy Etaeta. Além disso, alguns atletas já foram contratados por equipes do exterior.

Mickaël Roche, 30 anos: times B de Monaco e Olympique de Marseille

Alvin Tehau, 24: Atjeh United (Indonésia) e BX Brussels (Bélgica), da terceira divisão

Marama Vahirua, 33: primeira divisão da França; o único profissional do elenco

Tamatoa Wagemann, 33: divisões inferiores de Alemanha, França e Suiça

Heimano Bourebare, 24: futebol da Nova Caledônia

Nicolas Vallar, 29: divisões inferiores da França, como o Montpellier B

Steevy Chong Hue, 23: BX Brussels (Bélgica), da terceira divisão

Gilbert Meriel, 26: base do Angers (França), hoje na segunda divisão

Pode-se perceber que os mais experientes também se enquadram no quesito idade avançada, ou seja, estão a poucos anos de se aposentarem. O que há de concreto para a seleção do Taiti, atual 138ª colocada no ranking da Fifa, atrás de São Cristóvão & Névis e Síria, por exemplo, é uma oportunidade no Brasil.

O América Mineiro, da Série B, recebeu a delegação taitiana para um período de preparação visando à Copa das Confederações. O clube aproveitou para anunciar uma parceria com a federação local, que engloba consultoria técnica e cientifica para auxiliar na profissionalização do esporte no país. O mais importante do projeto é o convite a três jogadores sub-20 para passarem um período na base do clube, campeã brasileira da categoria em 2011.

Os nomes ainda não foram revelados, mas especula-se que o zagueiro Rainui Aroita (19 anos), o meia/atacante Teaonui Tehau (20 anos) – ele tem 17 jogos pela seleção, com oito gols, o mais experiente do trio – e o meia-atacante Yohann Tihoni (18 anos) serão os escolhidos. Falta somente o aval dos familiares dos atletas para se confirmar o intercâmbio. Um bom legado da Copa das Confederações para o Taiti.

Do trio, Teaonui (seis passes certos, 83,3% de sucesso), desde os seis minutos do segundo tempo do jogo contra a Espanha, e Yohann (dez passes, 90% de acerto), nos dois minutos finais diante do Uruguai, tiveram o gostinho de participar de um torneio final da Fifa. Porém, a evolução do Taiti ainda é uma incógnita, mas não custa sonhar. E não se pode desperdiçar.

Curtas

– A estreia do Taiti em eliminatórias para a Copa do Mundo ocorreu em 1994, quando houve a primeira vitória (4 a 2 contra Ilhas Salomão). A primeira vez em que passou de fase foi em 2006, ao ficar em segundo lugar, atrás das Ilhas Salomão.

– O técnico Eddy Etaeta, desde 2010 no comando da seleção, já vestiu a camisa do Taiti dentro de campo. Ele participou das eliminatórias 1994 e 1998, com quatro partidas no total. Seu irmão Eric também esteve presente no qualificatório de 1994, com quatro jogos.

– Do atual elenco, o goleiro Xavier Samin é quem tem mais convocações (29), contra 25 de Chong Hue e Jonathan Tehau. É de Chong Hue a artilharia (dez gols).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo