Surpresa no Catar, Austrália renova com o técnico Graham Arnold até a Copa 2026
Bom desempenho da Austrália no Catar fez com que Graham Arnold ganhasse destaque e o técnico conquista contrato até o final da Copa do Mundo de 2026
A Austrália manterá o mesmo treinador para o próximo ciclo. Os Socceroos anunciaram a renovação de contrato de Graham Arnold, que fez um trabalho considerado bom na Copa do Mundo do Catar, quando os australianos deixaram uma boa impressão e só foram eliminados para a Argentina nas oitavas de final – e fizeram um jogo muito duro contra os futuros campeões do mundo.
“Sob a direção de Graham, os Socceroos fizeram história no futebol australiano, unindo a nação como nunca antes”, afirmou o executivo-chefe da Federação Australiana, James Johnson. “Estamos empolgados que ele se comprometeu com a Football Australia para nos ajudar a continuar dando vida à nossa visão para o jogo”.
Arnold levou uma Austrália desacreditada para as oitavas de final, apenas a segunda vez na história que a seleção do país atingiu essa fase. A primeira vez foi em 2006, na Alemanha, quando perdeu um jogo sofrido para a Itália por 1 a 0, curiosamente uma seleção que também se consagraria campeã do mundo naquela Copa. A Argentina sofreu para venceu os australianos por 2 a 1 em 2022.
O técnico conseguiu virar uma situação que parecia muito ruim. A Austrália chegou à Copa do Mundo questionada por uma campanha fraca nas Eliminatórias da Copa, quando precisaram de duas repescagens para estarem na Copa. Venceram primeiro a repescagem asiática diante dos Emirados Árabes Unidos e depois a repescagem mundial diante do Peru. Arnold era criticado pelo estilo de jogo do time e a falta de desempenho.
Só que veio a Copa do Mundo e um torneio tão curto pode mudar tudo. O time surpreendeu, mesmo tomando uma goleada no início ao ser goleado pela França, mas venceu a Tunísia e a Dinamarca, conquistando assim a classificação. O técnico que era ridicularizado até a Copa do Mundo foi homenageado depois dela. E após a campanha no Catar, o técnico ganhou tempo para decidir o que gostaria de fazer.
“Eu simplesmente os amo, toda vez que coloco a camisa dos Socceroos, ou estou perto deles, eu sangro verde e dourado”, disse Graham Arnold, em uma analogia bastante dramática, em coletiva de imprensa. “Foi duro em alguns momentos, mas tenho muita confiança no grupo de jogadores e na ótima comissão técnica que, sabe, isso é só o começo”.
“O Catar foi uma conquista fantástica, mas há muito para vir e acredito mesmo nisso”, afirmou Arnold, que contou ter tido propostas de clubes europeus e do Oriente Médio. “No fim do dia, quero ajudar a Austrália. Provavelmente o que me inspirou mais foi ver os torcedores nas fan fests. Ver como os socceroos reuniram a nação e ver quantas pessoas amam o futebol australiano”.
O técnico terá que preparar a Austrália para o primeiro desafio do ciclo, que é a Copa da Ásia, no próprio Catar, no começo do próximo ano. A Austrália conquistou o título jogando em casa, em 2015, mas foi eliminada nas quartas de final em 2019. “o primeiro passo é ir para a Copa da Ásia para ter sucesso e vencê-la”, afirmou o ambicioso treinador. “Em segundo é a classificação direta para a Copa, porque eu realmente não quero passar pela repescagem de novo. E em terceiro, conseguir mais do que conseguimos na Copa do Mundo”.
O técnico tem falado há muito tempo que é preciso investir no futebol da base da pirâmide na Austrália e que era preciso dar atenção para isso. Até por essa razão, ele terá um papel de ser um mentor das seleções de base para identificar o talento jovem do país. “Os Socceroos não acontecem do nada. Os ingredientes precisam estar lá. E a preparação e a plantação de sementes precisa ser perfeita”, afirmou o técnico.
Causar uma surpresa é difícil, mas ainda mais difícil é fazer com que deixe de ser surpresa e passe a ser uma constante. A Austrália foi para a Ásia para o ciclo rumo a 2010 e vinha de uma sequência tranquila de classificação pela Ásia. Desta vez a classificação foi mais turbulenta rumo a 2022. Com o aumento de seleções de 32 para 48, a classificação deve ser mais tranquila: o time terá oito vagas diretas e mais uma vaga na repescagem intercontinental. Até 2022, a Ásia tinha quatro vagas e mais uma vaga na repescagem.



