Sul-americanos dominam

Desde o final dos anos 70, o futebol do Oriente Médio tornou-se um caminho comum para quem trabalha no futebol sul-americano. Seduzidos pelo poder dos “petrodólares”, muitos treinadores comandaram equipes e seleções nacionais em países como Arábia Saudita, Iraque e demais países da Península Arábica.
Depois dos treinadores – e da diminuição na intensidade dos conflitos na região em relação às guerras Irã-Iraque, nos anos 80; e do Golfo, nos anos 90 – foi a vez dos jogadores começarem a olhar a região como um porto seguro para desenvolver suas carreiras. Com economias emergentes e investimentos bilionários em vários setores, países como Qatar e Emirados Árabes Unidos se tornaram destino ideal para jogadores com idade avançada e/ou sem muito mercado nas principais ligas europeias conseguirem bons salários, jogando uma competição com um nível de exigência mais baixo.
A exceção da Arábia Saudita, que, a despeito das más campanhas nas competições recentes, é um dos gigantes do continente no que se refere a futebol; países como Catar e Emirados Árabes são considerados de segunda linha no futebol asiático. Os Emirados Árabes estiveram na Copa de 90, mas voltaram a investir maciçamente em futebol nos últimos anos, aproveitando o desenvolvimento econômico de suas cidades-estado, como Dubai e Abu Dhabi.
Para a próxima temporada, que começa em outubro, os clubes continuam buscando reforços no futebol sul-americano. A liga local obedece à regra “3+1” criada pela AFC, onde cada clube pode ter três estrangeiros de qualquer nacionalidade e o quarto apenas de países filiados à AFC.
Atualmente, 36 estrangeiros não-asiáticos estão em clubes da liga profissional. E há um predomínio total dos sul-americanos, com 22 jogadores, quase todos nos clubes de maior investimento. Os clubes menores optam por africanos, que são 10 até o momento.
Antes da criação da liga profissional e da adoção da regra “3+1”, o número de sul-americanos – e especificamente, de brasileiros – era maior. “Bastava um agente apresentar um jogador brasileiro aqui que os dirigentes contratavam. Eles têm preferência pelos jogadores do Brasil, ainda que nem todos que venham para cá sejam bons jogadores”, reclamou um empresário africano em entrevista ao jornal “The National”, dos Emirados Árabes.
Ainda assim, os brasileiros são maioria, 13 no total. Quase todos são atacantes que tentam igualar a marca de Anderson Barbosa, que aos 37 anos, fez história no futebol local. Depois de peregrinar por Gama, Fluminense, Internacional e Criciúma, Anderson foi para o Sharjah em 2003, e se tornou o maior artilheiro da história dos Emirados Árabes, com 160 gols somando todas as competições. Somente em jogos do campeonato nacional, antes e depois da criação da Etisalat Pro-League, Anderson Barbosa já fez 99 gols, e é o único jogador a ser artilheiro do campeonato local quatro temporadas consecutivas.
Com passaporte dos Emirados, Anderson terá a companhia de outros brasileiros no clube esta temporada: o meia Edinho, que atuava no Mes Kerman, do Irã; além de Marcelinho, um dos destaques da última temporada pelo Sharjah.
Os outros sul-americanos são três chilenos, três argentinos, dois uruguaios e um equatoriano, ainda sem contar com o retorno anunciado – mas ainda não confirmado oficialmente – do chileno Jorge Valdívia ao Al-Ain.
Maradona, Grafite e Bresciano, as maiores novidades da temporada
Uma das grandes contratações do futebol dos Emirados Árabes para a temporada são as chegadas do meia australiano Mark Bresciano, contratado pelo Al-Nasr junto à Lazio por US$ 5,4 milhões. Bresciano terá como companheiros o meia brasileiro Léo Lima e o atacante equatoriano Carlos Tenório.
Outro nome de destaque no campeonato é o do atacante Grafite, que deixou o Wolfsburg para assinar um contrato de dois anos com o Al-Ahli e terá como companheiro de ataque Jajá Coelho, revelado pelo América Mineiro.
O grande astro da liga dos Emirados nesta temporada, no entanto, estará fora das quatro linhas. Diego Maradona foi contratado pelo Al-Wasl, em junho, para “revolucionar o futebol do país”.
Além de Grafite, a liga dos Emirados conta com alguns nomes conhecidos – e sempre especulados por aqui: o volante Magrão, o meia Hugo e o atacante Fernando Baiano jogam no Al-Wahda. Campeão na última temporada, o Al-Jazira tem Baré e Ricardo Oliveira como dupla de atacantes.
Calendário, um problema a ser solucionado
O primeiro campeonato nacional dos Emirados aconteceu na temporada 1973/74. Porém, na temporada 2008/09, foi instituída a Etisalat Pro-League, a liga profissional local. Patrocinada pela Emirates Telecommunications Corporation, ou simplesmente, Etisalat, empresa do ramo de telecomunicações e internet, a liga tem como inspiração organizacional a Premier League inglesa. 12 clubes jogam entre si em turno e returno, para definir o campeão.
Já disse aqui em textos anteriores sobre as singularidades das ligas nacionais asiáticas e sobre o desafio da AFC em coordenar um calendário anual que seja de interesse comum a países com culturas tão distintas. Um dos exemplos mais claros é o da liga dos Emirados Árabes. Ano passado, um campeonato com apenas 22 rodadas durou inacreditáveis nove meses – de 26 de agosto de 2010 a 9 de junho de 2011.
As interrupções aconteceram por vários motivos: além das questões religiosas, como o mês do Ramadã, o calendário é recheado por diversas copas locais, regionais e continentais, além das partidas das seleções principal e sub23. A demora no andamento do campeonato irritou muitos técnicos estrangeiros, em especial, Abel Braga, campeão com o Al-Jazira, que teve de retardar sua vinda para o Fluminense até o início de junho, ficando impossibilitado de participar da campanha tricolor na Libertadores.
Este ano, depois da dissolução da liga em junho, a Federação de Futebol dos Emirados Árabes voltou a organizar a competição. A entidade vai definir um novo nome para a liga nos próximos dias. O calendário também foi alterado e o campeonato só vai começar 15 em outubro, depois da estreia da seleção na fase de grupos das eliminatórias da Copa do Mundo.
Kashiwa Reysol leva goleada e perde liderança da J-League
Em estreia inspirada do volante Rodrigo Souto, o Júbilo Iwata goleou o Kashiwa Reysol por 6 a 1 no domingo, tirando do adversário a liderança da J-League. O ex-jogador do São Paulo marcou duas vezes e ajudou o Júbilo a quebrar uma sequência de quatro jogos sem vitória.
O resultado manteve o Kashiwa Reysol com 41 pontos. Melhor para o Nagoya Grampus, que venceu mais uma (3 a 0 fora de casa sobre o Sanfrecce Hiroshima) e reassumiu a liderança do campeonato, com 42 pontos.
O Nagoya Grampus, do australiano Josh Kennedy, um dos artilheiros do campeonato, com 10 gols, aumentou a série invicta para 15 partidas. Mais que isso: o time venceu seus últimos sete jogos, dobrando a quantidade de pontos conquistada nas 13 primeiras rodadas.
A rodada foi perfeita para o Grampus: Gamba Osaka e Yokohama F-Marinos, que também lutam pela liderança, tropeçaram. O Gamba empatou com o Cerezo em 1 a 1 no clássico de Osaka. O F-Marinos perdeu para o Vissel Kobe, 2 a 0.
Além da goleada do Júbilo, a 21ª rodada marcou também uma vitória do lanterna Avispa Fukuoka: 2 a 1 de virada sobre o Kawasaki Frontale. Hisashi Jogo foi o herói da partida, marcando os dois gols. Foi apenas o terceiro triunfo do Avispa na J-League deste ano.
O time está com 11 pontos, 12 atrás do Omiya Ardija, primeiro fora da zona de rebaixamento. No duelo dos ameaçados, o Montedio Yamagata, vice-lanterna, venceu o Ventforet Kofu, antepenúltimo, por 3 a 1, e foi a 15 pontos. O Ventforet está com 17.
Camacho, a aposta da China
Com pompa e circusntância, como diriam os antigos, José Antonio Camacho foi apresentado neste domingo como novo treinador da seleção chinesa, em substituição a Gao Hongbo. Camacho, de 55 anos, é a aposta da federação para levar o país ao Mundial de 2014.
O treinador assinou um contrato de três temporadas e declarou, na entrevista coletiva onde foi apresentado, que embora o atual nível do futebol chinês não seja tão alto, há muito potencial de desenvolvimento, e que ele está confiante em ajudar a seleção a fazer progressos.
A China está no grupo A da terceira fase das eliminatórias, com Iraque, Jordânia e Cingapura, adversário da estreia, no dia 7 de setembro, em Pequim.
Ex-treinador da seleção espanhola, Camacho teve, como trabalho mais recente, o comando do Osasuna, na temporada passada da liga espanhola. Então ameaçado pelo rebaixamento, o clube dispensou o treinador em fevereiro.
Os dirigentes da Federação Chinesa afirmaram que Camacho terá ingerência total também sobre o trabalho das categorias de base, e esperam que o espanhol repita a façanha de Bora Milutinovic, que levou a seleção chinesa ao Mundial de 2002.



