Sudeste asiático quer sua liga: novo paraíso de medalhões?
O sudeste asiático se posicionou nos últimos tempos como um mercado em expansão aos clubes europeus. Países como Malásia, Indonésia e Tailândia entraram na rota das lucrativas pré-temporadas dos gigantes do continente – Barcelona, Manchester United, Arsenal e Chelsea já têm compromissos marcados na região em 2013. Além disso, os investimentos de empresários asiáticos em pequenas e médias equipes da Europa vêm se tornando comuns, com o Cardiff City e o Queens Park Rangers sendo os exemplos mais notáveis.
E enquanto o dinheiro jorra na Europa, contudo, o futebol do sudeste asiático definha. As ligas nacionais têm pouca atratividade ao público local e sofrem problemas de má administração. Entraves que Asean Football Association (AFF), entidade ligada à AFC que cuida do futebol da região, quer deixar para trás com a criação de um campeonato forte.
A entidade quer lançar em 2015 a Asean Super League, competição que reunirá os clubes da região e visa atrair os investimentos locais. O plano inicial é contar com oito franquias, sem rebaixamento ou promoção, e expandir o torneio gradativamente para 16 equipes, incluindo os 11 países-membros da AFF – Indonésia, Malásia, Brunei, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Laos, Camboja, Mianmar, Vietnã e Timor Leste.
Segundo os dirigentes da AFF, a ideia não é extinguir as ligas nacionais da região. No entanto, fica difícil imaginar que a nova competição não minará ainda mais o espaço das antigas, principalmente se os clubes já existentes priorizarem a ASL ou se novos forem criados. Ao menos ficam as expectativas de que, se atrair investidores, o torneio traga também jogadores famosos em fim de carreira, concorrendo com as ligas árabes, a chinesa ou a japonesa.
O exemplo das seleções
Um bom exemplo para o pontapé inicial na Asean Super League é a AFF Suzuki Cup, torneio bienal criado em 1996 e que envolve as seleções do sudeste asiático. A última edição, realizada em 2012 na Malásia e na Tailândia, teve efeito positivo. Conseguiu atrair o interesse das televisões da região e contou com boas médias de espectadores nos estádios.
Porém, conforme James Scholefield, especialista em direitos esportivos, a criação da Asean Super League não deverá ser tão simples. O maior desafio à AFF será convencer o público a torcer regularmente pelos times da região, ao invés de continuar acompanhando os gigantes europeus à distância.
“O desafio para os organizadores e os apoiadores do projeto é desenvolver um produto que ressoe no mercado. Os torcedores precisam ter uma lealdade que os leve dos sofás aos estádios para assistir aos jogos. Sem esse nível de envolvimento, eu não vejo porque patrocinadores e empresários serão conduzidos a investir em uma propriedade que não fala com o grande público no sudeste asiático”, declarou, em entrevista à agência Reuters.
Atualmente, a única liga da região a ter força suficiente para disputar a Liga dos Campeões da Ásia é a tailandesa – entre os critérios avaliados pela entidade, estão competitividade, profissionalismo, potencial mercadológico e condições financeiras. Permitindo até sete estrangeiros por clube, o Campeonato Tailandês ainda consegue atrair alguns medalhões, como o austríaco Roland Linz, o espanhol Arzu e o brasileiro Jerri.
Para potencializar o novo campeonato regional, contudo, será preciso um investimento bem mais consistente. Enquanto injetam dinheiro na Europa, os empresários locais têm campo para retorno. Talvez o melhor caminho no sudeste asiático seja começar do zero. Até mesmo para tentar fugir de alguns problemas recorrentes na região, como a corrupção e a combinação de resultados.



