Ressurreição em Esfahan

Depois da saída do técnico croata Luka Bonacic – que foi para o Al Nasr dos Emirados Árabes – o Sepahan, do Irã, agora treinado pelo brasileiro Jorvan Vieira, protagonizou uma grande partida contra o Al Ittihad, da Arábia Saudita, pela 3ª rodada do Grupo A na Liga dos Campeões da Ásia 2008.
Com derrotas nos primeiros jogos contra Al Ittihad (Síria) e Kuruvchi (Uzbequistão) – ambas por 2 a 0 – os vice-campeões continentais se recuperaram diante dos, até então, invictos sauditas, de forma surpreendente: posse de bola esmagadora (67%!!) e agressividade constante pelas faixas na vitória por 2 a 1, em Esfahan – a ‘metade do mundo’ para os persas.
Campeão da Copa da Ásia 2007 pelo Iraque, Jorvan Vieira sabe incutir maior atitude e entrega nos seus comandados.
Líder da Liga Iraniana, desbancando o tradicional Persepolis do topo da tabela, o Sepahan também segue vivo na LC Asiática e não duvide que ainda possam se classificar, pois o mago brasileiro adora transformar o improvável em fato…
Como funciona o labirinto que desnorteou os sauditas
Avesso ao 3-5-2 implantado por Bonacic, o brasileiro Jorvan Vieira preferiu estender sua equipe em blocos simples no 4-4-2 e apostar na atitude e vibração dentro de campo.
Com dois centrais que lêem muito bem o jogo desde trás (Bengar-Aghily) e um meio-campo dinâmico com conteúdo para interceptar as linhas de passe adversária e colocá-lo ‘na roda’. A empolgante troca de passes dos ‘amarelos’ é bem executada e, num ápice, golpeia o oponente.
É interessante notar que Seyed Salehi, o avançado esguio e oportunista, recua quando a equipe está sem a posse de bola, deixando apenas o baixote Mahmoud Karimi como único homem na frente da linha do esférico quando o adversário ataca, transfigurando a equipe para um 4-5-1.
Ao recuperar a posse, alarga-se o meio-campo em linha, os laterais se soltam e formam ‘duplas’ com os meias abertos pelos lados (Hajysafi e Akbari, na esquerda – Jafari e o iraquiano Abdul Wahab, na direita).
Elementos de exímia capacidade para fazer o jogo fluir como o médio Kazemi, são vitais para a circulação de bola, ‘enlouquecendo’ o adversário.
A vida sem o mago Navidkia
Sem o meio-campista Moharram Navidkia, a peça mais culta tecnicamente no plantel, o ‘batalhão’, como é chamado na terra dos aiatolás, manteve uma boa postura e suas principais características: posse de bola e fluida troca de passes.
Contundido, Navidkia, ao lado do excelente Kazemi (precisa de uma chance na Europa), é quem dita o ritmo do Sepahan e articula todas as ações ofensivas.
Capitão e com experiência européia na bagagem (Bochum-ALE), o camisa ‘4’ da equipe de Esfahan faz falta, mas o time vem suportando sua ausência com personalidade.



