Quero ser grande
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As Olimpíadas do ano passado despertaram no Ocidente uma curiosidade ainda maior sobre o esporte chinês. Além das suntuosas instalações, o foco também acabou voltado para o futebol, mais conhecido internacionalmente pelo sucesso de sua seleção feminina, que já foi campeã mundial.
Entre os homens, a participação da seleção na Copa de 2002 – quando perdeu para o Brasil, na primeira fase – é a lembrança mais frequente. Nas eliminatórias para a Copa de 2010, a China não chegou nem à fase final. Os clubes do país também não conseguiram passar da fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia na atual temporada.
Para tentar mudar esse cenário, a liga profissional do país, a cada ano, atrai mais jogadores estrangeiros. Os atrativos são os mesmos de qualquer mercado emergente: bons salários para jogadores medianos de países das Américas do Sul e Central e do Leste Europeu, além do crescimento da economia local – afetada, em parte, pela crise econômica internacional. Cada clube pode ter até cinco estrangeiros no elenco, sendo que um deles deve ser de um país filiado à Confederação Asiática. Apenas quatro estrangeiros podem estar em campo por equipe.
A Chinese Super League (CSL) foi fundada em 2004, depois da reformulação que o futebol local tomou, visando a implantação do profissionalismo efetivo. A Pirelli assinou este ano com a federação chinesa um patrocínio para a competição, que vai até 2011 e os jogos, em sua maioria, são transmitidos via internet por sites como o justin.tv.
No entanto, conseguir informações sobre o futebol chinês não é nada fácil. Tanto o site oficial da Liga – http://csl.sina.com.cn/ – que tem uma boa produção visual e bastante informação – como os sites dos clubes, estão em chinês. Não há links para matérias ou notícias em inglês, o que dificulta saber como estão atuando as equipes. De resto – resultados, classificação, fotos e vídeos com lances e gols – podem ser obtidos com relativa facilidade, bastando ter um pouco de paciência e tempo.
Em busca de mais informações sobre o campeonato, assisti a trechos de jogos da atual temporada no YouTube e em sites de clubes. A tônica do futebol chinês é a mesma dos países vizinhos, como Japão e Coreia: muita correria e técnica limitada. O diferencial fica mesmo por conta dos jogadores estrangeiros.
Em uma análise primária, o nível das equipes é muito parecido, o que pode ser observado na tabela de classificação do primeiro turno, que terminou no último domingo: a diferença entre o líder Beijing Guoan e o 11º colocado, Hangzhou Greentown, é de sete pontos. O Guoan – time controlado pelo grupo CITIC, subsidiário do governo chinês – tem 27 pontos, um a mais que o Henan Siwu. O Shandong Luneng, campeão da temporada 2008, vem em terceiro lugar com 25 pontos.
A liga chinesa terá uma pausa de um mês, retornando no dia 2 de agosto, com a 16ª rodada do torneio, a primeira do returno.
Diego: de promessa de craque ao ostracismo na China
Dentre as atrações na 2009 Pirelli Super League estão os gêmeos Diego e Diogo Barcelos. Revelados pelo Inter de Porto Alegre, os dois sempre foram apontados como “as joias da coroa” das categorias de base do clube. Diego, atacante destro e habilidoso, se destacava, sendo segundo alguns, uma versão colorada (e melhorada) de Ronaldinho. Em 2003, aos 18 anos, era titular do time profissional, com propostas para jogar na Europa. Em 2005, fez parte da seleção brasileira, 3ª colocada no mundial sub-20, que tinha, dentre outros, o goleiro Renan, hoje no Valencia; o lateral Rafinha, do Schalke 04, da Alemanha; e os atacantes Diego Tardelli e Rafael Sóbis.
Nos profissionais, Diego nunca se afirmou, nem no Inter, nem nos clubes por onde passou para “ganhar experiência”. Depois de rodar por Santos, Figueirense, Marília e Sport, Diego ficou com o rótulo de “eterna promessa” e acabou negociado pelo Inter no ano passado para o Guangzhou Pharmaceutical por US$ 580 mil. O irmão Diogo veio nesta temporada, e juntos, tentam colocar a equipe de Guangzhou nas primeiras colocações da liga chinesa, mas o time está apenas na 10ª colocação, com 20 pontos ganhos. Além dos dois, o time conta com outro estrangeiro, o atacante hondurenho Luis Alfredo Ramírez; e com o artilheiro do campeonato, o meia Xu Liang, que já marcou oito vezes na atual temporada.
Diego e Diogo são dois dos 11 brasileiros em atividade na “Chinese Super League”. O de maior prestígio dentre eles na atualidade é o atacante Éber Luís, de 27 anos. O jogador fez carreira somente no futebol gaúcho, passando por Pelotas, Guarani de Venâncio Aires, Juventude, Santa Cruz, Ipiranga, Ulbra e novamente Juventude, antes de se transferir para o Tianjin Teda, no ano passado, quando fez 14 gols em 20 jogos e foi o artilheiro do campeonato, mesmo ficando oito jogos suspenso. Este ano, Éber Luís tem como companheiro o volante Damiano Tommasi, que jogou 10 temporadas pela Roma e defendeu a seleção italiana na Copa de 2002.
Liga dos Campeões
Ainda repercute o sorteio das quartas de finais da Liga dos Campeões da Confederação Asiática, principal competição continental interclubes, cujo campeão participa do Mundial da Fifa em dezembro, nos Emirados Árabes. O brasileiro Sérgio Farias, treinador do Pohang Steelers, da Coreia do Sul, e que já dirigiu as seleções brasileiras sub-17 e sub-20, declarou à imprensa sul-coreana que não teme o confronto contra o Bunyodkor, do Uzbequistão, que recentemente contratou Luiz Felipe Scolari para dirigir seu time, e que conta com Rivaldo como principal estrela.
Farias disse que Rivaldo não representa uma ameaça – “penso que já está na hora dele se aposentar” – e afirmou que as presenças dos dois campeões mundiais em 2002 pela seleção brasileira são os únicos pontos positivos do campeão uzbeque.
Além de Bunyodkor x Pohang Steelers, as quartas da LC asiática terão outro time do Uzbequistão, o Pakhtaktor Tashkent, enfrentando o Al-Ittihad, da Arábia Saudita; o Umm-Salal, do Catar (onde joga o brasileiro Magno Alves), enfrentando o FC Seoul, da Coreia do Sul; e o confronto japonês entre Kawasaki Frontale e Nagoya Grampus. As partidas acontecem em 23 e 30 de setembro.
Coreia: Jeonbuk vence e encosta no líder
Das maiores ligas asiáticas, além da China, Japão e Coreia do Sul também estão com seus campeonatos em andamento. A K-League – campeonato sul-coreano – chegou à 14ª rodada no último domingo e teve como principal partida o encontro entre os dois primeiros colocados da competição.
O líder Gwangju Sangmu Phoenix recebeu o Jeonbuk Motors e abriu o marcador com Go Sul-Kee. Porém, o Jeonbuk virou para 3 a 1 com três gols de Dong-Gook Lee, artilheiro do campeonato com 11 gols. No último minuto, Won-Kwon Choi diminuiu para os donos da casa. Com a vitória, o Jeonbuk Motors soma 27 pontos em 13 jogos, e está na vice-liderança, a dois pontos do Gwangju Sangmu Phoenix, que tem 14 jogos. A terceira posição é do FC Seoul, que tem 27 pontos em 14 jogos.
O Gwangju Sangmu é um dos dois times da K-League que não tem brasileiros no elenco. O outro é o Incheon United, quarto colocado, com 23 pontos. Todos os clubes têm pelo menos um brasileiro. Adriano Chuva, que jogou em diversos clubes, dentre os quais Sport, Grêmio e Atlético Mineiro, é o mais conhecido do público brasileiro. Ele já marcou 7 gols defendendo o Chunnam Dragons, 7º colocado.
Nesta quarta-feira, acontecem os jogos de ida das quartas de final da Copa da Paz, equivalente coreano da Copa do Brasil. Os jogos são Busan I'Park x Seongnam Ilhwa Chunma; Jeju United x Ulsan Hyundai; FC Seoul x Incheon United; e Pohang Steelers x Suwon Samsung Bluewings. No final de semana, a K-League tem prosseguimento com mais sete jogos, pela 15ª rodada.
Davi é o goleador no Japão
No Japão, o fim de semana teve a 16ª rodada da J-League. O líder Kashima Antlers, dirigido por Oswaldo de Oliveira, empatou em 1 a 1 com o Kawasaki Frontale e manteve uma confortável vantagem na dianteira da competição. A equipe soma 39 pontos ganhos, oito a mais que o próprio Frontale e que o Albirex Niigata, que venceu.
No jogo de maior público da rodada (quase 25 mil pagantes), o Nagoya Grampus venceu o Gamba Osaka por 2 a 1. Dirigido pelo sérvio Dragan Stojkovic – que jogou no clube em 1994 – o Grampus está em uma posição apenas regular na tábua de classificação (nono colocado, com 22 pontos). Porém, o time tem o artilheiro do campeonato, o atacante cearense Davi, que fez 10 dos 19 gols do Grampus na atual edição da J-League.
Davi, aliás, tem números expressivos no futebol japonês, onde atua desde 2007, quando chegou ao Consadole Sapporo, vindo do CSA de Alagoas. Pelo Sapporo, foram 33 gols em 65 jogos pela J-League. Esta temporada, no Nagoya, além dos 10 gols já marcados na J-League, Davi fez dois gols para o Nagoya Grampus pela Liga dos Campeões.
Antes de se transferir para o Nagoya, Davi esteve cotado para ir para o Olympiacos, da Grécia. Ainda não tive a oportunidade de ver o jogador em ação ao vivo, mas pelos números e pelos lances em campo, Davi lembra outro atacante nordestino que teve destaque no futebol japonês antes de brilhar na Europa: Hulk, do Porto. A conferir.