Ásia/Oceania

Quem quer quebrar o domínio do trio de ferro iraniano?

O futebol persa reserva a poucos clubes a emoção de poder ter uma sala de troféus. Desde 1970/71, quando se disputou a primeira edição da liga nacional, apenas seis times tiveram tal honra. O maior vencedor do Campeonato Iraniano é o Persepolis, com nove títulos e sete vice-campeonatos, seguido de perto pelo Esteghlal, com oito taças e oito medalhas de prata.

O terceiro da lista é o Pas Tehran, que acabou extinto em 2007, após vencer cinco campeonatos e ficar em segundo lugar em outras cinco edições. Se a terceira força do país sumiu, no entanto, um substituto à altura ascendeu na última década. O Sepahan conta com quatro títulos, incluindo um tricampeonato entre 2010 e 2012. Completam o rol dos campeões os modestos Saipa, com três troféus, e o Foolad, que tem uma conquista. Como não poderia deixar de ser, a concentração de taças é evidente no futebol do Irã, que desde 2006/07, quando o Saipa foi o melhor, não vê um time que não seja do trio Persepolis/Sepahan/Esteghlal comemorar.

A temporada 2013/14 da Iran Pro League, que tem esse formato desde 2001/02, ainda está na sétima de 30 rodadas, mas já é possível observar alguns candidatos ao título. Além de Esteghlal (segundo, com 14 pontos), Persepolis (terceiro, com 13 pontos) e Sepahan (sexto, com 11 pontos), que deve se recuperar na tabela, outros três times aparecem com mais chances de superar o trio de Teerã. Conheça quem pode surpreendê-los…

Tractor Sazi

A equipe da cidade de Tabriz, no extremo norte do Irã, nunca venceu a liga nacional, mas nos últimos anos fez boas campanhas. Em 2011/12, o Tractor Sazi somou 66 pontos em 34 rodadas, um a menos que o campeão Sepahan. Na temporada seguinte, o time acumulou 65 pontos, apenas dois atrás do Esteghlal, que definiu o título com um jogo de antecedência. Atualmente, o Tractor Sazi é o quinto colocado, com 12 pontos, três atrás do líder Foolad, mas conta com jogadores experientes em seu elenco.

O único estrangeiro, o meia sérvio Marko Basara, 29, nem é tão importante, figurando no banco de reservas. O grande nome do Tractor Sazi é a experiência e a habilidade do meia Ali Karimi, 34, que já defendeu Bayern Munique e Schalke 04, mas não vive bom momento. Já veterano, Karimi anunciou a aposentadoria ao final de 2012/13, mas sentiu saudade da bola e voltou aos campos. Com 127 convocações pela seleção (desde 14 de novembro/2012 não é chamado), o atleta é o artilheiro do time, com dois gols, tendo atuado em seis dos sete jogos.

Outra importante peça é o zagueiro Mohammad Nosrati, 31 anos, com 83 convocações pela seleção e quem mais atuou em 2013/14, com 559 minutos em sete jogos, um vindo do banco de reservas, além de um gol. Ele participou da Copa do Mundo 2006 e das eliminatórias de 2010 e 2014, bem como de três Copas da Ásia, apesar de não estar na lista do atual técnico do Irã, o português Carlos Queiroz.

O atacante Karim Ansarifard, 23, vindo do Persepolis e com bagagem na seleção (35 partidas e sete gols), marcou uma vez na liga nacional, tendo atuado cinco vezes. Pode parecer pouco para conquistar o troféu, principalmente após as saídas de dois brasileiros (Geilson, hoje no Mixto, e Jhonathan) e três portugueses.

Zob Ahan

O time de Esfahan, cidade no centro do país, não começou bem a competição, estando no nono lugar, com nove pontos. Entretanto, nunca se pode esquecer quem foi vice-campeão em duas oportunidades e uma vez terceiro colocado nas cinco últimas temporadas. O Zob Ahan conta com três estrangeiros, incluído o técnico croata Luka Bonacic, que já comandou o Sepahan.

O goleiro armênio Gevorg Kasparov, 33 anos, foi titular em cinco partidas, levando média de um gol por jogo – o zagueiro chileno Alí Manouchehri, nascido em Viena e com nome iraniano, sequer entrou em campo. O único atleta do time a participar da seleção nacional é o meia Ghasem Haddadifar, 30, titular em cinco partidas, mas a esperança de uma boa campanha na Iran Pro League é a dupla ofensiva.

O veterano atacante Mehdi Rajabzadeh tem 35 anos, mas a experiência no futebol local e em três anos nos Emirados Árabes Unidos, sem contar as eliminatórias de 2010, está ajudando o Zob Ahan. Até agora, o atleta marcou três vezes nas sete partidas, ficando atrás de quatro atletas na artilharia geral, todos com quatro gols anotados. Já Esmail Farhadi tem 31 anos e sempre jogou no clube, com um gol anotado nos sete compromissos dos quais participou.

Foolad

Mas porque o modesto Foolad, campeão em 2004/05, não pode repetir o feito em 2013/14? Por enquanto, a equipe de Ahvaz, no centro-oeste iraniano, é líder da competição, com 15 pontos, um de vantagem para o Esteghlal, mas conta com a magia brasileira. O mais importante é Chimba, ex-atacante do Linense, que fez cinco gols no Paulistão 2012. Em sua segunda temporada no Foolad, o atleta já marcou três vezes em seis jogos e domina o quesito entre seus companheiros.

O zagueiro Serjão, que veio do Pelotas, entrou em campo seis vezes, enquanto o habilidoso meia Leandro Chaves, ex-Duque de Caxias e Boavista, só atuou uma vez. O mais importante do elenco é o atacante Farzad Hatami, 27, atualmente na seleção nacional e com dois gols em seis jogos – já atuou por Esteghlal e Sepahan. É claro que os amplos favoritos são os três maiores clubes do Irã e, para falar a verdade, é quase certo que o responsável pela limpeza dos troféus de Sepahan, Persepolis ou Esteghlal deverá ficar mais alguns minutos lustrando uma nova taça.

Curtas

– Nessa lista também pode ser colocado o Natf Tehran, time da capital que em 2003/04 disputava a quinta divisão nacional, tendo alcançado cinco promoções em sete temporadas. Desde 2010/11 na elite iraniana, a equipe conseguiu um 13º lugar no primeiro ano, mas terminou as duas últimas edições na quinta posição. Atualmente, o Naft é quarto, com 13 pontos.

– A Iran Pro League tem uma regra interessante: o máximo de quatro estrangeiros poderá constar nos elencos, mas há outras recomendações. Até 21 atletas devem ter acima de 23 anos, enquanto os times podem ter no máximo seis jogadores até 23 anos, cinco até 21 anos e três sub-19. A conta total deve dar 35 atletas, tamanho máximo permitido.

– Na temporada 2013/14, 27 estrangeiros atuam na elite iraniana, e a maior nacionalidade presente é a brasileira, com oito representantes: Nilson (G), Fábio Carvalho (G), Chimba (A), Éder Luciano (A), Marcão (M), Leandro Chaves (M), Serjão (D) e Arilson (D). Ainda há três sérvios, dois albaneses, um trinitino, moldavo, peruano e até um curaçalino, entre outros.

– Por outro lado, 25 iranianos mostram suas qualidades no exterior, o maior número (quatro) na USL Pro, a terceira divisão dos Estados Unidos. O mais valorizado é o meia Ashkan Dejagah, do Fulham, que custa € 3,5 milhões. Outros jogadores estão espalhados por Filipinas, segundas divisões de Portugal e Suécia, elites belga e holandesa e divisões inferiores da Alemanha.

– Nos títulos por província, a capital Teerã tem amplo domínio, com 24 conquistas, contra quatro de Esfahan (Sepahan), e uma do Khuzestan (Foolad). O futebol iraniano conta com cinco divisões, sendo a última de ligas provinciais (estaduais).

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