Ásia/Oceania

Quem quer uma franquia de sucesso na A-League?

Dia 29 de fevereiro de 2012. A federação australiana trava disputa extracampo com os dirigentes do Gold Coast United, que não estavam gerando bons resultados para a A League como na atração de público – apenas 3.438 de média em 2012/13, menos da metade do Wellington Phoenix, o segundo pior no quesito. Tudo porque o dono do time, Clive Palmer, havia decidido fechar parte das arquibancadas durante a temporada 2011/12, em punição aos torcedores por um lançamento de rojão num jogo. No fim, o clube não teve a licença renovada e foi extinto.

Porém, ter nove times na primeira divisão atrapalharia nas negociações dos direitos televisivos. A saída encontrada foi permitir a criação de um novo time em Sidney, na porção oeste da cidade – sonho antigo da federação, de 2005 –, que ainda não tinha nome e não teve interessados em gerir o empreendimento. Porém, a federação local atuou junto ao governo australiano e conseguiu oito milhões de dólares australianos (R$ 16,4 milhões), dinheiro público, não só para investimentos no time principal, mas nas divisões de base e no futebol feminino.

Executivo-chefe da Federação de Futebol da Austrália (FFA, na sigla em inglês), Ben Buckley foi criticado por forçar a inclusão de mais uma franquia a apenas dez meses do início da temporada 2012-13, mas negou que a ideia surgira de última hora: “Era para a região ter um time há algum tempo, mas não havia condições para tal. Agora conseguimos, não simplesmente levantamos um dia da cama e tivemos a brilhante ideia”, refutou.

A população pôde escolher, por meio de votação, as cores, o nome e até o escudo do novo clube, clara intenção de unir futuros torcedores e time de futebol. Logicamente, foi escolhido Wanderers, em anúncio ocorrido em 25 de junho de 2012, mas o novo time poderia ter se chamado (Western Sydney) Athletic, Wolves, Strikers ou Rangers. Foi uma homenagem ao The Wanderers, o primeiro time da Austrália, em atividade nos anos 1880.

Mercado movimentado

Como era de se esperar, a nova equipe teve de contratar 23 atletas, todos via transferência livre. Do novo rival Sydney, o Western Sydney Wanderers trouxe três jogadores, destaque para o zagueiro Michael Beauchamp, que já jogou na Alemanha (Nürnberg) e na Dinamarca (Aalborg). Mas os estrangeiros também tiveram sua importância, como o japonês Shinji Ono, aposentado da seleção desde 2008, do jovem volante croata Mateo Poljak, vindo do Dinamo Zagreb, e do etíope naturalizado holandês Youssouf Hersi, da base do Ajax.

Sob o comando do técnico australiano Tony Popovic, que encerrara a carreira de atleta justamente no rival Sydney (2007-08), o Wanderers sobrou na primeira fase. Em 27 rodadas, foram 57 pontos (18 vitórias, 3 empates, 6 derrotas), três a mais que o Central Coast Mariners, enquanto o rival citadino ficou de fora dos playoffs, no sétimo lugar, com 32 pontos (9 vitórias, 5 empates, 13 derrotas) – é importante ressaltar que não há rebaixamento na Austrália, por enquanto.

Porém, o que importava mesmo era vencer os playoffs. Nas semifinais, o Wanderers esperou o Brisbane Roar, bicampeão nos dois últimos anos, vencendo o adversário por 2 a 0 (jogo único) – os dois melhores colocados da primeira fase são pré-classificados para as semifinais. Na disputa do caneco, o Central Coast Mariners não deu chances ao novato, que estava há 13 jogos sem perder, vencendo por 2 a 0 – 42 mil torcedores estiveram presentes, o maior público da temporada.

Futuro

Para 2013-14, o Western Sydney Wanderers só contratou três atletas, todos locais. Os atacantes Tomi Juric (Adelaide United) e Brendon Santalab (Chongqing Lifan) chegaram, assim como o zagueiro Dean Heffernan (Perth Glory). Por outro lado, cinco jogadores deixaram o time, entre eles o atacante croata Dino Kresinger (foi para o NK Zavrc), que marcou apenas dois gols em 25 jogos.

É verdade que a temporada 2012-13 foi muito positiva para o novo clube australiano, mas nas disputas de 2013-14 a base de comparação será maior. Será que o Western Sydney Wanderers vai conseguir melhorar o resultado de 235.991 torcedores em 16 jogos (média de 14.749 pessoas), o terceiro da A League, atrás apenas de Melbourne Victory e Sydney? E a franquia, será finalmente negociada com alguém? Respostas que ainda não podem ser concedidas, num momento de ascensão da A League.

Curtas

– O regime de franquias na liga australiana é regido pela federação local, que as negocia com proprietários particulares ou grupos. Porém, o Wanderers é o único clube que ainda não tem um dono, sendo delegada a tarefa a Lyall Gorman, que já foi chefe-executivo do Central Coast Mariners e da própria A League. A federação local aposta que conseguirá repassar a franquia em breve.

– Até hoje, foram realizados três jogos oficiais entre Western Sydney e Sydney, com uma vitória para cada lado e um empate. A média de público foi de 21.629 torcedores e o artilheiro do confronto é ele: Del Piero, com dois gols. O próximo confronto está marcado para 26 de outubro, terceira rodada da A League 2013-14.

– A A League 2013-14 começa em 12 de outubro/2013, mas a pré-temporada para o Western Sydney se inicia hoje, contra o Macarthur Rams, da terceira divisão (liga regional de New South Wales). São mais cinco amistosos programados até 3 de outubro. O clube também está na Liga dos Campeões 2014, na qual enfrentará chineses, japoneses e sul-coreanos.

– A movimentação do mercado australiano apresenta êxodo de jovens promessas, o futuro da seleção australiana, cuja média de idade é alta. O Sydney perdeu Terry Antonis, 19, para o Parma. O atacante Eli Babalj (Melbourne Heart), 21, nascido em Sarajevo (é naturalizado), rumou para o AZ Alkmaar, enquanto o goleiro Mathew Ryan (Central Coast Mariners), 21, é do Club Brugge. O Luzern (Suiça) tirou o meia Oliver Bozanić, 24, do mesmo clube.

– O Central Coast Mariners também perdeu o veterano Daniel McBreen, 36 anos, para o Shanghai Dongya, recém-promovido à elite chinesa. O Dalian Aerbin, do mesmo país, contratou o zagueiro Daniel Mullen, 21, do Melbourne Victory, ao passo que o rebaixado Fortuna Düsseldorf aposta no meia Ben Halloran, 21.

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