Ásia/Oceania

Pohang quer voltar ao topo e aposta em fórmula nacional

Em abril de 1973, o POSCO FC dava seus primeiros passos no futebol sul-coreano, ainda semi-profissional. Patrocinado por uma empresa de aço estatal, a equipe só se tornou profissional com a introdução da K League, em 1983. Com apenas cinco times, o POSCO Dolphins terminou no penúltimo lugar. Dois anos depois, a agremiação passou a se chamar POSCO Atoms e quase levantou sua primeira taça nacional, mas acabou com o vice-campeonato, com dois pontos a menos que o Lucky-Goldstar Hwangso.

Na temporada seguinte (1986), a equipe venceu o primeiro turno, disputando o título com o vencedor do ano anterior: acabou superando o adversário por 2 a 1 (duas partidas) e entrou para o rol dos campeões – o POSCO Atoms venceria outras duas ligas nacionais (1988 e 1992). Em 1988, uma curiosidade: o clube somou 27 pontos em 24 jogos, contra 25 do Hyundai Horang-i, enquanto o lanterna Daewoo Royals terminou com 21 pontos.

O maioral

Já com a nomenclatura de Pohang Atoms, que utilizou por duas temporadas (1995-96), o clube sul-coreano venceu a primeira edição da Copa da Coreia do Sul (1996), ao converter mais pênaltis que o Suwon Bluewings, após empate sem gols. Um ano antes, a equipe ficara com o segundo lugar na K League, graças a um gol do Ilhwa Chunma nos acréscimos da decisão.

A partir de 1997, o clube adotou o atual nome Pohang Steelers, o que parece ter dado sorte. Justo em sua primeira participação na Liga dos Campeões da Ásia (1996-97), a equipe sul-coreana encontrou facilidade nos mata-matas, ao golear PSM Makassar/Indonésia (4 a 1) e Thai Farmers Bank/Tailândia (5 a 1).

Na fase de grupos, a equipe ficou em segundo, atrás apenas do conterrâneo Ilhwa Chunma, indo às semifinais. Diante do Persepolis (Irã), vitória de 3 a 1 e vaga na final, para novo triunfo sobre o Chunma, com gol nos acréscimos a três minutos do fim, de pênalti. O segundo título do Pohang Steelers veio na temporada seguinte (1997-98), com goleadas durante a campanha, sobre Mohammedan/Bangladesh (11 a 0), Victory/Ilhas Maldivas (12 a 0) e Finance and Revenue/Mianmar (5 a 1), em uma só partida – na final, troféu nos pênaltis contra o Dalian Wanda, da China.

Hiato

O Pohang Steelers era famoso na Coreia do Sul e no continente asiático, mas não conseguiu manter o status a partir dos anos 2000. Na liga nacional de 2000, por exemplo, a equipe fez péssima campanha, terminando na nona e penúltima posição, com 22 pontos. Até 2003, o clube teve um quinto lugar como o melhor resultado.

O ritmo das vitórias voltou em 2004, quando o time venceu o primeiro turno, se garantindo na fase de mata-mata (no segundo turno foi o lanterna). O Pohang alcançou a final, mas não superou o Suwon Bluewings, perdendo a taça nos pênaltis (4 a 3), após dois empates sem gols. A boa fase ficou evidente em 2007, com o título da K League, depois de o Pohang Steelers passar por quatro mata-matas – derrotou na final o Ilhwa Chunma por 4 a 1 (dois jogos).

Mas a equipe sul-coreana ainda iria mais longe, ao conquistar o tricampeonato da Liga dos Campeões. Em 2009, o elenco contava com três brasileiros, com destaque para o atacante Denilson. Os gols do atleta ajudaram o Pohang Steelers a ficar na primeira posição do Grupo H, indo para as oitavas de final. Goleada de 6 a 0 sobre o Newcastle Jets (Austrália) mostrou que o time vinha forte, mas não foi fácil.

Nas quartas de final, o Bunyodkor quase eliminou os sul-coreanos, mas um gol na prorrogação bastou para o Pohang se recuperar da derrota (3 a 1) no jogo de ida, fazer 4 a 1 e seguir adiante. Depois de duas vitórias sobre o Umm Salal (Catar), a equipe encarou o Al Ittihad (Arábia Saudita), em jogo único, em Tóquio, superando o oponente por 2 a 1 – Denilson marcou sete vezes na campanha, sendo o terceiro melhor artilheiro geral.

O troféu permitiu ao Pohang Steelers participar do Mundial de Clubes da FIFA 2009, no qual não fez feio. Sob o comando do técnico brasileiro Sérgio Farias e ainda com Denilson, a equipe passou pelo TP Mazembe (RD do Congo), caiu nas semifinais, diante do Estudiantes (Argentina), mas garantiu o terceiro lugar ao vencer o Atlante (México) nos pênaltis – Denilson mais uma vez brilhou e foi o artilheiro com quatro gols, à frente de Messi (dois).

Patriotismo

Em 2013, o Pohang Steelers, pelo menos até o momento, parece forte candidato a faturar a K League. Com 23 rodadas, três para o fim da primeira fase, o time soma 46 pontos, quatro a mais que o Ulsan Hyundai. Um detalhe que chama a atenção é justamente o elenco do Poahng. Ao final de 2012, a equipe negociou os três estrangeiros (o sérvio Zoran Rendulic, o romeno Ianis Zicu e o ganês Derek Asamoah), mas não contratou ninguém de fora.

Apenas dois sul-coreanos chegaram, o que torna o Pohang Steelers o único time da primeira divisão da Coreia do Sul a não contar com estrangeiros – o preparador físico  brasileiro Luis Flávio Buongermino não vale. E justamente numa liga nacional recheada de forasteiros… Só de brasileiros são 29 jogadores, espalhados em 12 dos 14 clubes – há ainda australianos (cinco), colombianos (quatro), montenegrinos, sérvios, japoneses (três) e até um macedônio, entre outras nacionalidades. No total, são 53 atletas de fora, contra 318 nativos.

Até o técnico do Pohang é local: Hwang Sun-Hong tem 45 anos e defendeu a seleção nacional na Copa do Mundo 2002, encerrando a carreira logo após a competição. Em termos de valores, o elenco do Pohang é apenas o sexto da lista, com €11,2 milhões, enquanto o líder no quesito, FC Seoul, vale €15,7 milhões. Será suficiente para vencer a K League?

Curtas

– Na seleção da Coreia do Sul que jogou contra o Peru em 6 de agosto/2013, dois jogadores são do Pohang Steelers: os meias Lee Myung-Joo, 23, e Cho Chan-Ho, 27. Dos 21 atletas, seis atuam no futebol japonês e o restante na liga local.

– Em 2013, a federação sul-coreana de futebol promoveu grande mudança no sistema de ligas do país. Pela primeira vez, a Coreia do Sul tem uma segunda divisão, com rebaixamento e promoção. Por enquanto, Gangwon e Daejeon Citizen vão sendo os primeiros despromovidos, enquanto o Police FC aparece firme para subir à elite. Ainda existem duas divisões, não-oficiais, a Korea National League (terceiro nível) e a Challengers League (quarta) – há ainda um torneio universitário (U League), que não faz parte da estrutura de competições nacionais.

– Pasmem-se, mas o atacante Pedro Júnior, 26 anos, aquele mesmo criado no Vila Nova (Goiás) e que foi com Paulo Ramos para o Grêmio como grande promessa, sem nunca ter vingado, vem se destacando na Coreia do Sul. Atleta do Jeju United, Pedro Júnior é o artilheiro da K League até aqui, com 15 gols, um à frente de Kim Shin-Wook. Ele participou (até 20 de agosto/2013) de 22 partidas, quatro vindo do banco de reservas, com 1.666 minutos em campo e dois hat-tricks.

– O maior campeão sul-coreano é o Ilhwa Chunma, com sete títulos, seguido por FC Seoul (cinco), Pohang Steelers, Busan IPark e Suwon Bluewings, todos com três. Completam a lista Ulsan Hyundai, Jeonbuk Motors (ambos com duas taças) e Jeju United e Hallelujah (um troféu), este último o primeiro campeão, extinto em 1998.

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