Ásia/Oceania

Paulo Autuori no Cerezo Osaka é um erro maior que a vinda de Forlán

O ano de 2014 do Cerezo Osaka foi simplesmente terrível. Para começar, a equipe viu o rival Gamba Osaka voltar da segunda divisão japonesa e já conquistar o título da elite nacional, além da Copa da Liga e da Copa do Imperador, algo que só o Kashima Antlers conseguiu, em 1997. Depois, o Cerezo Osaka viu naufragar a temporada desde o começo, quando o clube resolveu, de forma totalmente equivocada, apostar suas fichas no decadente atacante uruguaio Diego Forlán. Evidentemente, o melhor jogador da Copa do Mundo 2010 já não tinha mais força física de ser o protagonista da equipe, razão pela qual foi contratado.

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Durante o Campeonato Japonês, o Cerezo Osaka sempre ficou nas últimas posições, convivendo com a possibilidade do rebaixamento. Quando a situação piorou a ponto de a realidade se aproximar da segunda divisão, os dirigentes simplesmente trouxeram um companheiro à altura e talvez do mesmo nível decadente de Forlán: o brasileiro naturalizado alemão Cacau, que em nada ajudou a equipe, como se esperava.

Assim, o resultado não poderia ser outro: rebaixamento para a segunda divisão japonesa, com apenas 31 pontos em 34 rodadas (7v, 10e, 17d), cinco atrás de se salvar da degola. Mas o que já está muito ruim tem chance de piorar ainda mais…

Paulo Autuori, sério?

Por causa da perda de investimento e principalmente de receita, o Cerezo Osaka já avisou que dará chance às promessas das categorias de base. O time sub-18 é o atual campeão japonês, ao vencer o Kashiwa Reysol por 1 a 0 na final, e “perdeu” cinco jogadores para a equipe principal: o zagueiro Shunto Nukui e os meias Masaki Okino, Masaki Sakamoto, Masataka Nishimoto e Taiga Maekawa.

Não há erro de planejamento ao apostar nos jovens jogadores, até porque o Cerezo Osaka fez exatamente isso com Shinji Kagawa, Keisuke Honda, Takashi Inui e Yoichiro Kakitani, todos oriundos das divisões de base e com algum sucesso na Europa. O problema é que o Cerezo Osaka está apostando num treinador que não passa muita confiança.

O último grande trabalho de Paulo Autuori foi no São Paulo campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes, em 2005. Desde então, o treinador brasileiro vem tentando repetir aqueles bons momentos, no Brasil e no exterior, sem o mesmo sucesso. O próprio São Paulo resolveu apostar novamente em Paulo Autuori em 2013, mas tudo terminou com apenas duas vitórias em 14 jogos, meros 23,8% de aproveitamento.

Paulo Autuori falhou até no Atlético Mineiro, que vinha do título na Libertadores e tentava o bicampeonato, mas cairia nas oitavas de final do torneio em 2014, eliminado pelo Atlético Nacional – no segundo jogo, já sem o treinador, muito mal no cargo. Foram apenas cinco meses no time mineiro, com demissão em 26 de abril de 2014. Tudo bem que ele teve três derrotas, mas nos cinco jogos anteriores à saída o time vinha de um gol marcado em cinco partidas e da perda do título estadual para o Cruzeiro.

Apostar em Paulo Autuori, que não mostra um grande trabalho há quase dez anos, é bastante arriscado para o Cerezo Osaka. Até porque o clube sabe da necessidade urgente de fazer uma campanha suficientemente boa o bastante na segunda divisão para alcançar o acesso para a elite japonesa de 2016.

Autuori gosta de trabalhar com garotos, mas aos 58 anos parece ter esquecido o que significa conquistar títulos importantes, como os já citados e o Campeonato Brasileiro de 1995, com o Botafogo. Paulo Autuori pode até dar certo no Cerezo Osaka, mas o clube não deveria fazer uma aposta dessas num momento tão crucial. Parece que os dirigentes japoneses não andaram pesquisando os trabalhos de Autuori nos últimos tempos.

Curtas

– Em 2006, Paulo Autuori trabalhou no futebol japonês, comandando o Kashima Antlers, logo depois de deixar o São Paulo com o título Mundial, sua última grande conquista. Na liga nacional, o time ficou no sexto lugar, com 58 pontos em 34 jogos, nove pontos atrás do segundo colocado Kawasaki Frontale, que foi à Liga dos Campeões da Ásia. Na Copa da Liga, os comandados de Paulo Autuori alcançaram a final, mas perderam de 2 a 0 para o JEF United. Já na Copa do Imperador, o Kashima Antlers parou nas semifinais, eliminado diante do futuro campeão Urawa Red Diamonds, por 2 a 1.

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