Ásia/Oceania

Ousadia ou ingenuidade?

 A Coreia do Norte pagou um preço muito alto pela boa – na avaliação da imprensa internacional – atuação contra o Brasil, na estreia. Depois de jogar de maneira compacta diante do 'melhor futebol do mundo', marcando com nove, e às vezes, dez jogadores atrás da linha da bola, o apertado placar de 2 a 1 em favor do Brasil deu esperanças ao técnico Kim Jong-hun de conseguir pelo menos um ponto contra Portugal.

O que se viu em campo contra os portugueses foi uma Coreia do Norte jogando de maneira ofensiva, marcando na intermediária adversária e, de alguma maneira, surpreendendo o time de Carlos Queiroz. Nos primeiros 30 minutos esta postura deu certo, aliada à chuva que caia forte na hora do jogo na Cidade do Cabo.

Porém, a ousadia acabou se voltando contra a própria equipe norte-coreana. A diferença gritante de nível técnico entre os jogadores das duas equipes foi, gradativamente, aparecendo, e Portugal começou a encontrar espaços para não deixar a Coreia do Norte jogar, principalmente pelo lado esquerdo, onde o lateral Fábio Coentrão fazia boa partida. O gol de Raul Meireles, que abriu o marcador aos 29 minutos, já fazia justiça pelo predomínio de Portugal no fim do primeiro tempo.

Na volta do intervalo, mais por ingenuidade que por ousadia, a Coreia do Norte manteve a mesma tática, ao invés de optar por se fechar em seu campo e sair nos contra-ataques. Três gols em um intervalo de sete minutos definiram a partida e desnortearam os norte-coreanos. A ampliação do placar até o 7 a 0 era só questão de tempo e o placar não foi ainda mais dilatado por conta da má pontaria lusa.

O técnico Kim Jong-hun assumiu sua responsabilidade na goleada. “Acho que os nossos jogadores fizeram o máximo dentro de campo, mas nós nos perdemos taticamente e, de repente, não podíamos mais segurar os portugueses. Como treinador, acho que estsa derrota é culpa minha, porque não soube passar aos jogadores a melhor estratégia para encarar esta partida. Os portugueses foram ficando cada vez mais agressivos e, após o primeiro gol, perdemos completamente o equilíbrio entre nosso ataque e nossa defesa. Os jogadores começaram a entrar em pânico e deixamos de defender da maneira certa”.

O ofensivismo da equipe também foi criticado pelo meia An Yoin-hak. “A nossa táctica não deu certo. Fomos ofensivos demais e perdemos muitas chances de gols. Então, mais abertos, acabamos por sofrer sete. A chuva não nos afetou. O problema foi que acabamos adotando uma postura ofensiva demais, que nos fragilizou. Agora, temos tempo para nos preparar para a próxima partida e dar o nosso melhor”.

Sem chances diante de uma Costa do Marfim que precisa de um placar dilatado para passar para as oitavas, qual será a postura norte-coreana? Será que a equipe aprendeu a lição com a goleada e voltará ao ferrolho que colocou em campo contra o Brasil? Ou, sem ter nada a perder, jogará de maneira ofensiva também contra os marfinenses?

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Equipe Trivela

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