Os uzbeques sobem
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O Uzbequistão foi bastante comentado, no meio do futebol, neste último mês que se passou, entre uma coluna e outra (mais, nas curtas). Claro, o motivo principal foi a contratação de Luis Felipe Scolari pelo Bunyodkor, onde já está Rivaldo. Mas, mesmo que Hikmat Ergashev continuasse no comando do clube, os uzbeques ainda mereceriam mais atenção.
Simplesmente porque os dois times do país que estavam nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões da Ásia conseguiram a passagem às quartas, nos duelos da parte ocidental da Ásia, eclipsando o domínio da Arábia Saudita, que só terá o Al-Ittihad, vencedor do duelo “caseiro” contra o Al-Shabab na próxima fase. O mais impressionante é que os dois times ganharam os seus duelos fora de casa.
Do lado do tão falado Bunyodkor, Rivaldo foi o personagem da vitória contra o Persepolis, em Teerã. O meia brasileiro cobrou pênalti, aos 41 minutos do primeiro tempo, e marcou o gol da vitória do atual campeão do país. De resto, os próprios anfitriões davam, desde o início do jogo, a impressão de que jamais conseguiriam perturbar o gol defendido por Zukhurov. Mesmo antes do gol de Rivaldo, os visitantes traziam mais perigo; depois, a defesa, bem postada, se encarregaria de repelir os ataques dos Leões.
Já com o Pakhtakor, que tivera até maior destaque do que o Bunyodkor na fase de grupos, a situação foi dramática; aliás, bem mais dramática. Contra um dos representantes da armada saudita na competição, o Al-Ettifaq, o time de Victor Djalilov teve de suar para conseguir a vaga. A princípio, ela parecia muito mais inclinada para os Cavaleiros de Ad-Dahna. Quando nada, porque Prince Tagoe, mais uma vez, atacara: o ganês abriu o placar, fazendo seu oitavo gol e confirmando a artilharia da LC, dividida com o brasileiro Leandro.
Entretanto, a equipe de Tashkent, atual vice-líder do campeonato uzbeque, cresceu de produção no segundo tempo, dominando os donos da casa. As premiações demoraram, mas vieram. Aos 34 minutos, com jogada individual de Tadjiyev, que entrou pela grande área e tocou na saída de Hussain Shaian. E, finalmente, no minuto derradeiro do tempo regulamentar, quando Alexander Geynrikh cobrou falta com precisão, no ângulo. Era a consagração uzbeque pintando na Liga dos Campeões.
Mas o país pode se considerar favorito ao título, seja com Pakhtakor, seja com Bunyodkor? Não, claro. Afinal de contas, os orientais ainda definirão seus representantes nas quartas-de-final. E só países cujas seleções estão na Copa de 2010 estão representados: quatro japoneses, três sul-coreanos e um australiano. Desses, o merecedor de maior atenção é, obviamente, o atual campeão, Gamba Osaka.
Mas a vaga do Gamba, que enfrentará outro nipônico, o Kawasaki Frontale, não é favas contadas. Primeiro, pelos problemas físicos que vitimaram três peças-chave do time de Akira Nishino; no meio, Myojin e Yasuhito Endo, e, no ataque, Leandro, o outro goleador principal da LC. Para piorar, o desempenho na J-League é dos mais temerosos: o time já não vence há três partidas, e saiu da última derrotado pelo Albirex Niigata, por 2 a 0.
Mas o respeito imposto pela equipe de Osaka sobre o Kawasaki é notado até na frase do técnico do Frontale, Takashi Sekizuka: “O Gamba quer defender seu título. O time deve vir a campo com um forte desejo de vencer o jogo, e estou certo de que o desempenho será diferente do da J-League.” Realmente, os atuais campeões nunca foram carta fora do baralho. Ainda mais quando se sabe que jogarão no Expo'70 de Osaka.
A princípio, os representantes japoneses e coreanos podem imperar na competição. Se Nagoya Grampus e Suwon Samsung Bluewings devem ter equilíbrio na partida, Kashima Antlers e Pohang Steelers devem passar por Seoul e Newcastle Jets. De todo modo, após esta quarta, só oito equipes continuarão sonhando com o título e a consequente vaga no Mundial de Clubes.
Quarenta e quatro homens… e um segredo
Nas duas últimas rodadas das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2010, não se pode dizer que o continente trouxe muitas novidades para o Mundial da África do Sul. Japão e Austrália precisavam de apenas um ponto para assegurarem suas vagas, e não deram a menor chance a Uzbequistão e Catar, nos jogos da classificação.
No Nippon Team, méritos para Takeshi Okada. Se o treinador consertará, doze anos depois, a má imagem deixada em 1998, quando comandou o time que estreou em Copas, na França, não se sabe. Mas, que ele recolocou nos eixos um time que começara a periclitar sob o comando de Ivica Osim, antes do retiro forçado deste, parece inegável.
E a Austrália provou que continua em plena ascensão. O trabalho desenvolvido por Guus Hiddink, em 2005, dá frutos: o futebol doméstico começa a andar com as próprias pernas, a partir da A-League, enquanto os jogadores que já atuavam pelos Socceroos ganham experiência ainda maior no exterior. Não impressiona, portanto, a segurança na campanha, mesmo estreando nas Eliminatórias da AFC.
Aliás, falar em países “cujas-seleções-só-foram-para-a-frente-após-serem-comandadas-por-Guus-Hiddink” é falar, quase instantaneamente, em Coreia do Sul. E os Guerreiros Taeguk, após certos solavancos no início, também chegaram seguros para aquela que será a sua sétima Copa consecutiva. Mesmo que isso indique a construção de uma tradição de presenças em Mundiais, porém, é impossível não notar certo clima de “é a última” para a geração de Park Ji-Sung, que começa a sentir o tempo passando – isso sem contar certos veteranos, como Lee Woon-Jae.
Mas a única surpresa asiática na Copa valeu por muitas. A Coreia do Norte foi quieta, mansa, discreta, e conseguiu voltar a um Mundial, após 44 anos de ausência (e, diga-se de passagem, com a mais honrosa das participações – quem esquece o 1 a 0 sobre a Itália, ou mesmo o primeiro tempo e os 3 a 0 sobre Portugal, em 1966?). Mas a vice-liderança e a vaga direta, no grupo B, passou por perigos, nos últimos jogos da fase final. A derrota para os rivais sul-coreanos e o empate sem gols contra o Irã deram motivos para que a decisão contra a Arábia Saudita, em Riad, fosse cheia de tensão. Ainda mais com os sauditas jogando muito mais ofensivamente do que os visitantes.
A sorte estava no desempenho esplendoroso de Ri Myong-Guk, que fechou o gol e garantiu o 0 a 0, jogando os anfitriões para a repescagem continental, contra o Bahrein. Mas, até pelo hermetismo que cerca o país no cenário internacional, o clima é de incógnita. Afinal, o que esperar dos Chollima para 2010?