Omã reina no Golfo

Em contornos dramáticos, o Omã ganhou a tradicional Copa do Golfo de forma inédita. Os anfitriões bateram a Arábia Saudita por 6 a 5 nos pênaltis depois de um 0 a 0 até empolgante com direito a prorrogação.
Os veículos de imprensa omanianos estampam que é a maior conquista da história esportiva do país. O sultanato já vinha mostrando há alguns anos visível progresso e muitas vezes superando seleções tradicionais como Iraque e Kuwait. Sinais de novos tempos no futebol do Oriente Médio?
Méritos do campeão…
A equipe não sucumbiu as criticas depois do empate sem gols na estréia contra o Kuwait e manteve a concentração e a ambição de faturar o título inédito depois de dois vice-campeonatos consecutivos.
O que representou…
A abertura de um notável horizonte para uma geração de futebolistas com média de 24 anos onde muitos atuam juntos desde as seleções de base. O futebol vai crescer no sultanato e segundo alguns jornalistas de lá, o governo vai injetar dinheiro, sem dúvida.
O comandante…
O treinador francês Claude Le Roy mantém o penteado ‘lambido de lado’ e os óculos de cientista maluco. O mesmo visual de décadas atrás e isso diz muito da personalidade de um homem. Experiente, o trota-mundos de 60 anos tem um vasto currículo cheio de experiências interessantes, algo que os omanianos precisavam para triunfar.
O maior destaque…
Fawzi Basheer, meio-campista, 24 anos. O ‘playmaker’ do Kazma, do Kuwait, é um dos poucos jogadores do Oriente Médio que nos fazem crer que poderia atuar – e muito bem – em ligas de segundo escalão da Europa. Pulmão, inteligência e bons pés. Procure por ele!
O time…
Ali Al-Habsi (Bolton Wanderers, Inglaterra); Mohamed Rabia (Al-Sadd, Catar), Kalifa Ayil (Al-Sadd, Catar) e Mohamed Sheiba (Al-Nahda); Ahmed Mubarak (Al-Siliya, Catar); Hassan Mudhaffar (Al-Rayyan, Catar), Hassan Rabia (Al-Nahda), Fawzi Basheer (Kazma, Kuwait) e Al-Maimani (Al-Siliya, Catar); Ismail Al-Ajmi (Al-Kuwait, Kuwait) e Imad Al-Hosni (Al-Rayyan, Catar).
O que já disseram para a Trivela…
“Eles tem boa técnica, capacidade física natural e também são inteligentes taticamente. Hoje, Japão, Austrália, Coréia do Sul e alguns países africanos tem nível superior, porém, estou convencido que o futebol árabe é superior se melhorar a organização esportiva e se entenderem o que realmente é ser profissional”
Júlio César Ribas, uruguaio, ex-técnico da seleção do Omã (Setembro/2008).
INACREDITÁVEL
O técnico do Kuwait, Ibrahim Mohamed, deve ter complexo de inferioridade ou como diria o grande Juca Kfouri: ‘sofre de modéstia compulsiva’. Após cair nas semifinais para os sauditas, ele afirmou que “nem esperava alcançar as semifinais”. Eu tive que ler a mesma entrevista em vários veículos diferentes para confirmar a veracidade.
Comportamento semelhante ele teve quando os kuwaitianos do Al-Qadsiya foram eliminados pelo Urawa Reds na LC do ano passado “O Urawa joga um futebol que só vejo pela TV”. Exagero total levando-se em conta o fato de o seu time ter vencido o primeiro jogo por 3 a 2 e o clube japonês ter tido um péssimo ano.
Alguém tem que avisar o senhor Ibrahim que o Kuwait é recordista de taças na Copa do Golfo, tem enorme tradição regional e condições para disputar de igual pra igual com qualquer um no Golfo. Além disso, o time não estava desfalcado. Não tem que pensar pequenininho, não.
Fala, Ásia
“Foi incrível, eu e meus amigos estávamos sentados entre os degraus que separam a torcida saudita da nossa. Quando terminou o jogo estávamos sem voz. Nas ruas haviam muitos carros com gente vibrando em cima dos veículos, foi um dia inesquecível”
Relato por email de Syed Khatib, torcedor omaniano que estava no jogo.



