Ásia/Oceania

Obediência tática anula Camarões

 Com uma atuação pautada em muita obediência tática, a seleção japonesa venceu Camarões por 1 a 0, na estreia das duas seleções pelo grupo E da Copa do Mundo. O time comandado por Takeshi Okada mostrou consistência defensiva e soube explorar os pontos vulneráveis do adversário: a fragilidade das laterais e a ausência de criação no meio-campo.

O nome mais festejado na partida foi o de Keisuke Honda, aniversariante do dia e autor do gol que deu aos japoneses uma importante vitória na luta pela classificação para a próxima fase. Porém, não foi só ele a ter uma boa atuação. Daisuke Matsui, jogador do Grenoble, da França, foi um tormento para a defesa camaronesa enquanto esteve em campo. Com sucessivas arrancadas pelo lado direito, ele foi responsável por algumas das principais jogadas de ataque do Japão.

Matsui, aliás, foi quem iniciou a jogada do gol único da partida. Aos 39 minutos, ele centrou na medida para a área. Dois zagueiros disputaram o lance com o atacante Yoshito Okubo, mas a bola sobrou livre para Honda dominar e chutar sem chances para o goleiro Souleymanou.

No segundo tempo, com um time compactado, o Japão suportou bem o arremedo de pressão exercido pelos “Leões Indomáveis”, que se mostraram uma equipe muito frágil, com Samuel Eto’o longe da área e sem poder de criação. O técnico Okada, muito criticado durante a fase de preparação, soube montar uma armadilha para o adversário, com um meio-campo congestionado, marcando individualmente e dando liberdade para Honda jogar livre ofensivamente. A tática deu resultado. A dupla de zaga formada por Túlio Tanaka e Yuji Nakazawa se impôs e fez uma ótima partida.

“Hoje, nossos jogadores realmente fizeram um bom trabalho. A equipe só precisa ser mais agressiva no ataque. Foi nossa primeira vitória em jogos de Copa do Mundo fora de casa, mas isso não era uma meta para nós. O que vem depois desses jogos é que é o objetivo”, analisou o treinador, se referindo aos jogos contra Holanda e Dinamarca.

Okada disse ainda que pediu aos jogadores que não recuassem tanto. “Camarões tem uma equipe muito habilidosa e que joga em um nível altíssimo de exigência física. Estávamos preparados para uma partida muito difícil. Eu havia dito aos jogadores que não poderíamos ficar recuados o tempo todo e pedi a eles que buscassem um equilíbrio entre ataque e defesa. No primeiro tempo tivemos momentos complicados, mas pressionamos bastante e chegamos ao gol. Em seguida eles passaram a atacar, mas os nossos defensores fizeram um bom trabalho”

Eleito craque da partida pelo site da Fifa, Honda disse que não se contenta apenas com uma vitória na Copa. “O nosso ponto forte foi o conjunto. Corremos os 90 minutos e nos defendemos muito bem, o que foi a coisa mais fundamental. No meu gol a bola veio muito boa e tive calma para aproveitá-la. Eu sabia que quando tivéssemos uma chance iríamos convertê-la”.

Já o zagueiro Túlio Tanaka ressaltou o espírito que fez os “Samurais” domarem os “Leões Indomáveis”: “Foi muito difícil, mas nos mantivemos unidos na defesa e não os deixamos chegar ao nosso gol”.

Imprensa japonesa exalta Honda
Como não poderia deixar de ser, os principais jornais japoneses exaltaram a atuação de Keisuke Honda. O Kyodo News fez um trocadilho inevitável com o sobrenome do jogador. “Guiado por Honda, Japão passa por Camarões na estreia da Copa”.

O Asahi Shimbun, um dos jornais mais tradicionais do país, foi mais comedido em sua edição em inglês. “Japão quebra sua sequência de resultados ruins e vence pela primeira vez fora de casa em uma Copa”, ressaltou a notícia, também destacando as atuações de Túlio, Matsui e Honda.

O que esperar dos “Samurais”?
O Japão caiu em uma chave complicada e, antes de a bola rolar, era apontado como provável saco de pancadas do grupo E. Porém, com a vitória diante de Camarões, Takeshi Okada vai apostar todas as suas fichas na estratégia para tentar parar a Holanda, no próximo jogo, para então lutar pela classificação contra a Dinamarca.

Contra os holandeses, que mesmo sem fazer um jogo brilhante, mostraram eficiência na troca de passes, somente se defender não parece ser suficiente. Matsui, pela direita, deve dar trabalho a Giovanni Von Bronckhorst, ponto mais vulnerável da defesa laranja. Okada não esconde de ninguém que um empate nesta partida seria fantástico.

Mesmo com uma provável derrota diante de Sneijder e seus companheiros, o Japão terá que derrotar a Dinamarca. Daí, a tática de congestionar o meio-campo terá que dar lugar a um time mais ofensivo – e a entrada de Shinji Okazaki no ataque, ou até mesmo a do veterano Shunsuke Nakamura no meio seriam as opções.

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Equipe Trivela

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