Ásia/Oceania

O teatro dos xeiques está vazio

O futebol no Catar definitivamente é o programa preferido dos grandes xeiques nos finais de semana. Não é diferente nos países vizinhos. O problema é que em solo catariano o futebol é um entretenimento caro que não desperta a atenção do público e raramente causa ‘enchentes’ nos estádios. Em outras palavras: um produto mais do que discutível.

Existe coisa mais patética do que ver nas tribunas três ou quatro figuras politicamente poderosas sentadas lado a lado – com o nariz ao ar – assistindo uma partida com o estádio completamente vazio?

“No Catar os estádios estão quase sempre vazios, parece que o time foi punido e tem de jogar com os portões fechados” nos contou recentemente o zagueiro Neguete, ex-Al Khor.

Não adianta oferecer bagatelas polpudas para vedetes internacionais ‘passearem’ nos bem cuidados gramados catarianos. Esses investimentos astronômicos são discutíveis se observarmos o pouco impacto que tem causado na população.

Seleções do golfo como Omã e Bahrein tem conseguido se destacar mais sem gastar nem 10% do que o Catar desembolsa. Os xeiques não poupam despesas para satisfazer ‘seus artistas’ e consequentemente verem um espetáculo de qualidade nos finais de semana.

Mantenho contato há vários meses com um jornalista emirense, A.P., que me contou sobre as dificuldades de apuração quando o assunto são valores.
“É muito duro meu amigo. Os clubes daqui dos Emirados Árabes e do Catar são propriedades dos xeiques e eles nunca divulgam os gastos totais com clareza. Além disso, os jogadores também não revelam. Se os xeiques estão felizes, os jogadores ganham bônus altíssimos por fora” revela.

Apesar de terem uma vida digna das ‘mil e uma noites’, praticamente todos os futebolistas brasileiros no Catar reclamam que sentem falta da pressão vindo das arquibancadas, algo que só é visto nos clássicos entre Al-Sadd e Al-Gharafa, o único jogo que lota.

Na Liga dos Campeões da Ásia, o principal torneio interclubes do continente, Al-Gharafa e Umm Salal estão entre os quatro piores clubes em média de público. O Al-Gharafa, inclusive, leva em média….809 pagantes por jogo… 

Mais dinheiro jogado pela janela..

Para tentar atrair o público, algumas medidas já estão sendo tomadas pelo comitê de marketing da Federação. A final da Copa do Príncipe no próximo dia 16 custará aos cofres cerca de dois milhões de dólares em prêmios distribuídos para os torcedores no intervalo da partida. Serão 20 automóveis, 15 motocicletas, 15 jet-skis e premiações em dinheiro que chegam até 50 mil dólares.

Se a moda pegar e os xeiques tiverem que recorrer a tais nuances para “empurrar” gente pra dentro dos estádios, deixa de ser entretenimento direcionado ao público. Vira capricho de manda-chuva e ‘forçassão de barra’.

A família Al-Thani, que detém o controle do futebol no Catar através do Emir e Presidente da Federação de Futebol, Hamad Bin Khalifa, precisa entender que o desporto-rei não apaixona o público no país da mesma forma que na Arábia Saudita ou Emirados Árabes. Os fatos expõem isso escancaradamente. Deve-se repensar e mudar o foco dos investimentos. Não é inteligente dar murros em ponta de faca…
 

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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