Ásia/Oceania

O sucesso do Taiti nas areias deve muito aos gramados

O ano de 2013 ficará gravado na história do futebol do Taiti. Afinal, os polinésios tiveram uma participação marcante na Copa das Confederações. Um pouco pelas goleadas sofridas, mas bem mais pelo carisma e pela aula de amor ao esporte – que poderia garantir à equipe de Eddy Etaeta . E não foi só nos gramados que os taitianos triunfaram. Anfitrião da Copa do Mundo de futebol de areia, o Taiti alcançou uma comemorada semifinal, vendendo caro a derrota ao Brasil na decisão do terceiro lugar.

Em um país com pouco mais de 180 mil habitantes, é impossível que as duas modalidades não caminhem juntas. E, logicamente, o sucesso do futebol de areia deve bastante ao futebol de campo, assim como a relevância nos gramados foi aprimorada nas praias do arquipélago. Para se ter uma noção, todos os 11 jogadores que participaram da Copa atuam por algum clube do Campeonato Taitiano. Bola de Bronze do Mundial, Raimana Li Fung Kuee é o camisa 10 do Dragon, atual bicampeão nacional. E nove desses atletas já disputaram alguma partida oficial pela seleção dos gramados, seja pelas Eliminatórias da Copa ou pelo Mundial Sub-20.

Nesta vida dupla, o jogador de maior destaque é Angelo Tchen. O defensor do time de futebol de areia foi o lateral esquerdo titular na conquista da Copa de Nações da Oceania, em 2012. O jogador defende o Tefana e é convocado para a seleção de campo desde 2001, tendo disputado as últimas quatro edições das Eliminatórias da Copa. São 32 partidas pela equipe nacional, mais do que qualquer outro companheiro que esteve na Copa das Confederações. E Tchen só não esteve no Brasil porque se lesionou semanas antes do torneio da Fifa.

No próprio time que disputou a Copa das Confederações, alguns jogadores tarimbados pelo futebol de areia marcaram presença. O mais notável foi o goleiro Mickaël Roche, titular nos 10 a 0 sofridos contra a Espanha. Formado em educação física na França, o camisa 1 chegou a ser técnico e jogador da seleção de futebol de areia em 2005.

E por pouco a principal referência da seleção na Copa das Confederações também não esteve no Mundial. Único profissional no elenco que viajou ao Brasil, Marama Vahirua pendurou as chuteiras, mas ainda continuou em atividade ao integrar a seleção de futebol de areia durante os treinamentos para a Copa do Mundo. No entanto, o medalhão acabou cortado do elenco. Teve que se contentar em assistir a seu primo, Naea Bennett, capitão da equipe – e também ídolo da família Tehau.

Ao invés das goleadas acachapantes vistas na Copa das Confederações, o Taiti fez bonito no Mundial. Os Tiki Toa conquistaram uma vitória histórica sobre a Argentina nas quartas de final e deu trabalho para a campeã Rússia nas semifinais. Um desempenho que mostra que, apesar das diferenças, é possível desenvolver o futebol como um todo através de um trabalho bem feito. Bom para o povo taitiano, que desta vez pôde ver o espetáculo de perto e dar novos shows de receptividade, assim como seus representantes já tinham feito na visita ao Brasil.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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