Ásia/Oceania

O “Rei do Drible”

Contratado com pompa e status de craque internacional pelo Melbourne Victory, Ricardinho mostra que a grife “futebol brasileiro” ainda abre portas no futebol da Ásia e da Oceania. Apesar da badalação, torcida está ressabiada com fracassos de outros “craques” brasileiros no país

O Melbourne Victory apresentou, na última semana, a sua nova contratação: o atacante brasileiro Ricardo Wéslei de Camargo. Pelo nome completo, poucos vão saber de quem se trata. O apelido, Ricardinho, também é comum no meio do futebol. Mas uma alcunha que o jogador ganhou no início da carreira acaba o identificando facilmente: “O Rei do Drible”.

Hoje com 26 anos, o jogador surgiu nas categorias de base do Marília, e depois de um ótimo campeonato paulista em 2003, surgiu o apelido de “Rei do Drible” – e as comparações com outro jovem e exímio driblador que surgiu um ano antes: Robinho.

Contratado pelo Atlético Paranaense no ano seguinte, Ricardinho acabou não vendo sua carreira decolar. Voltou ao Marília e começou a peregrinação comum de boa parcela de jogadores sem mercado nos clubes de ponta: atuou por Ponte Preta, Marília, Fortaleza, Villa Nova, Ipatinga e Paraná, de onde se transferiu em 2009 para o Jeju United, da Coreia do Sul.

Este ano, Ricardinho jogou o campeonato paulista pelo Oeste, de Itápolis, e agora, chega a um dos principais clubes da Austrália com uma apresentação digna de grande estrela. O atacante recebeu a camisa 9 das mãos do treinador Ernie Merrick, e foi indicado, segundo o clube, depois de uma grande procura por um atacante talentoso e rápido.

Mesmo sem jogar, a contratação de Ricardinho já divide opiniões dentro da torcida do Melbourne Victory, que, ao lado do Sydney FC, é o clube mais popular do país. O atacante chega para ocupar a vaga de jogador designado internacional, que pode receber um salário acima do teto estabelecido pela A-League e pela federação australiana.

A polêmica é simples de explicar: com a abertura da liga australiana para jogadores designados internacionais, muitos clubes procuraram se reforçar usando duas palavras mágicas: “jogador brasileiro”. Com isso, houve uma chegada ao país de nomes pouco badalados por aqui, que tinham histórico de formação nas categorias de base de grandes clubes brasileiros; ou de veteranos em fim de carreira, com eficiência nem sempre comprovada.

O próprio Melbourne Victory teve problemas com escolhas de brasileiros. Fabiano, atacante revelado pelo Inter nos anos 90, que depois atuou no São Paulo, chegou ao clube com status de artilheiro, depois de uma boa temporada no Chonburi, da Tailândia. Em 30 jogos no Victory, Fabiano, brigando com excesso de peso e lesões, marcou apenas 6 gols.

Outro exemplo de veterano que não se deu bem na Austrália é o volante Amaral, que foi contratado pelo Perth Glory. O jogador se lesionou no início da temporada passada e não conseguiu se recuperar. Chegou a retornar ao clube para jogar a atual temporada da A-League, mas acabou não acertando e voltou ao Brasil.

A diretoria do Victory está apostando em Ricardinho. No site oficial, o clube anunciou a contratação “do atacante brasileiro, muito valorizado em seu país, por dois anos”. O clube ressaltou ainda que o atacante “teve uma carreira de muito sucesso no Brasil, antes de se transferir para o Jeju United, no ano passado”.

Já a torcida está dividida. Uma compilação com os melhores momentos do atacante no YouTube gerou discussão em um dos fóruns de torcida do Victory. Alguns participantes acham que Ricardinho tem potencial para brilhar na equipe, assim como o atacante Fred, que jogou entre 2006 e 2007, e hoje atua no Philadelphia Union, da MLS. Outros temem mais um fracasso, como foi Fabiano.

Alguns torcedores e jornalistas vão mais além, e questionam os critérios para a federação australiana autorizar a inscrição de Ricardinho como “jogador internacional designado”, já que o mesmo há algum tempo não atuava em equipes da série A do futebol brasileiro. “Ricardinwho?”, ironiza Neil Zimmerman, torcedor do Victory, que tem um blog na versão australiana do site FourFourTwo.

É interessante perceber que a contratação de Ricardinho mostra que a grife “futebol brasileiro” ainda abre portas no futebol da Ásia e da Oceania. Se nas ligas mais fortes, como a J-League e a K-League; e nas mais ricas, como as do Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita, a preferência é por jogadores já consagrados; nas ligas de menor prestígio ou em desenvolvimento, o talento real ou o prestígio do jogador já não são tão importantes assim.

Tenho um exemplo recente disto: ainda este ano, um empresário esteve percorrendo os jogos da Segundona do Rio de Janeiro em busca de jogadores jovens. O objetivo: captar atletas para atuar no Vietnã, na Indonésia e em Cingapura. Os salários oferecidos eram bem razoáveis para os padrões de quem joga uma segunda divisão estadual por aqui – entre US$ 2 mil e US$ 3 mil, limpos. A exigência: jogadores brasileiros.

Sinal que o fascínio que o futebol brasileiro ainda exerce no mundo da bola sobrevive, apesar de tudo.

Enquanto Ricardinho não estreia, Perth Glory lidera A-League

Ricardinho ainda não tem data para estrear. Mas o Melbourne Victory está precisando não só da sua presença no ataque como do retorno do veterano Archie Thompson à equipe. Mesmo atuando em casa, no AAMI Park, e com dois jogadores a mais nos 10 últimos minutos de partida, o time ficou apenas no empate em 2 a 2 com o North Queensland Fury, na partida que fechou a 3ª rodada da A-League.

Com isso, o Victory continua sem triunfar na competição. O time empatou na estreia (3 a 3 com o Sydney FC) e perdeu em casa para o Perth Glory por 2 a 0, na segunda rodada.

Aliás, o empate entre o Victory e o NQ Fury foi o único nesta rodada – uma raridade em se tratando deste início de temporada. Dos 15 jogos já realizados, oito terminaram com igualdade no marcador. Todas as onze equipes já tiveram, ao menos, um empate.

A liderança está com o Perth Glory, que bateu em casa o Newcastle Jets por 1 a 0, gol de Branko Jelic. O time da parte ocidental do país tem 7 pontos ganhos, contra 5 de NQ Fury e Adelaide United, seus perseguidores mais próximos.

A quarta rodada da A-League começa na sexta-feira, com Brisbane Roar x Wellington Phoenix. No sábado, dois jogos: o North Queensland Fury recebe o Adelaide United, enquanto o Sydney FC, atual campeão, joga em casa contra o Central Coast Mariners. A rodada será finalizada com Gold Coast United x Melbourne Victory e Melbourne Heart x Perth Glory, ambos no domingo.

AFC sorteia grupos da Copa do Golfo

A AFC anunciou, nesta terça-feira, os grupos da Copa do Golfo, tradicional competição continental, que este ano, servirá como último torneio de preparação para a Copa Asiática de Nações, que acontece em janeiro de 2011, no Catar.

Este ano, a Copa do Golfo será disputada no Iêmen, entre 22 de novembro e 4 de dezembro, sendo que dos oito participantes, apenas o país-sede e Omã não participam da fase final da Copa da Ásia.

O Iêmen está no grupo A da Copa do Golfo, ao lado de Arábia Saudita, Kuwait e Catar. No grupo B, Omã, Emirados Árabes, Bahrein e Iraque participam. As equipes se enfrentam dentro dos grupos, com os dois primeiros de cada chave se enfrentando em cruzamento olímpico na semifinal.

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Equipe Trivela

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