Ásia/Oceania

O que faz do Western Sydney a grande surpresa da LC da Ásia?

Ninguém, nem o mais louco apostador londrino, desembolsaria seu dinheiro no Western Sydney Wanderers… Era o mais sensato a fazer, afinal, quem apostaria num time fundado apenas em 4 de abril de 2012, em sua primeira participação na Liga dos Campeões da Ásia e com elenco em sua maioria formado por jogadores australianos desconhecidos?

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Pois é aí que reside a beleza do futebol. O Western Sydney começou a provar o contrário em 12 de março de 2014, quando venceu o Guizhou Renhe (China) fora de casa, recuperando-se da derrota na estreia internacional, diante do Ulsan Hyundai (Coreia do Sul), em casa. Sul-coreanos e chineses ficariam a ver navios no Grupo H, abrindo espaço para Western Sydney e Kawasaky Frontale (Japão) avançarem.

Daí em diante, os cangurus-zebras eliminaram times fortes no cenário asiático: todo mundo achou que o Western Sydney sucumbiria diante do Sanfrecce Hiroshima, bicampeão japonês, mas o time da Austrália levou a melhor. Depois, a equipe teve pela frente simplesmente o atual campeão continental, os chineses do Guangzhou Evergrande. Agora sim, os australianos dariam adeus ao torneio… Mais eis que o apoio de quase 40 mil torcedores não bastou para pressionar o Western Sydney, que voltou a se beneficiar da regra dos gols marcados fora de casa para seguir adiante.

Contra o Seoul, vice-campeão na Liga dos Campeões da Ásia 2013, os australianos surpreendentes seguraram o empate sem gols no primeiro e jogo e demoraram apenas três minutos para marcar o primeiro em casa – com ajuda evidente do goleiro adversário. É claro que o gol deu tranquilidade ao time do técnico Tony Popovic, que, no entanto, não abdicou do ataque. No início do segundo tempo, outro gol do Western Sydney matou o jogo. Mas por que a desconhecida equipe foi tão longe?

Média de idade. Mescla de jovens talentos com jogadores experientes, essa é a receita do Western Sydney. O experiente goleiro australiano Ante Covic tem 39 anos, mas só não jogou uma partida na campanha do time. Há outros jogadores na casa dos 30 anos, como o holandês Romeo Castelen, o mais famoso (jogou por Hamburgo e Feyenoord), mas também há dois bastante jovens: Daniel Alessi, 17, e Alusine Fofanah, 16, este natural de Serra Leoa.

Defesa sólida. O quarteto organizado por Tony Popovic leva poucos gols. Na primeira fase, o Western Sydney sofreu apenas cinco em seis partidas, levando o mesmo número nos seis jogos de mata-mata. Num jogo só, apenas Ulsan Hyundai (estreia) e Sanfrecce Hiroshima conseguiram marcar três gols nos australianos.

Democracia nas redes. Enquanto alguns times têm aquele único fazedor de gols, no Western Sydney o time todo costuma marcar. Há alguns que se destacam, como Brendon Santalab, Shannon Cole, Labinot Haliti e Tomi Juric, todos com três gols. Nenhum aparece entre os 14 melhores marcadores da competição.

Experiência internacional. Mesmo os jogadores mais jovens já têm partidas nas seleções de base da Austrália ou na principal, mesmo que poucas. O atleta com mais convocações na seleção principal é Matthew Spiranovic, 26 anos, com 21 participações – foi titular da Austrália nos três jogos da Copa do Mundo 2014, ficando 270 minutos em campo. Só seis nunca atuaram por nenhuma seleção nacional.

O favorito

A campanha do Western Sydney é sensacional, evidentemente. Mas nos próximos dias 25 de outubro e 1º de novembro, a equipe australiana começa outro minicampeonato, diante dos árabes do Al Hilal. O adversário dos cangurus-zebras é forte o suficiente para carregar nas costas a alcunha de favorito.

Taças. Enquanto os australianos estreiam na Liga dos Campeões da Ásia, o Al Hilal tem dois títulos do torneio. Tudo bem que foram em 1992 e em 2000, mas o retrospecto do time é bastante positivo. 2006 foi a última vez que o Al Hilal foi eliminado na primeira fase. Nas outras edições – o time não jogou em 2008 –, os sauditas chegaram a duas semifinais, duas quartas de final e três oitavas de final.

Brasileiros. Enquanto o Western Sydney conta com o desconhecido meia Vitor Saba, 24, com passagens pelas bases de Flamengo e Vasco e times pequenos do Rio, como Macaé e Boavista, o Al Hilal tem em seus quadros Thiago Neves, ídolo do time e autor de quatro gols na competição. O zagueiro Digão, também ex-Fluminense, está no Al Hilal.

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Curtas

– O Al Hilal nunca enfrentou times australianos na Liga dos Campeões da Ásia. O Western Sydney também não tem registros diante de equipes sauditas.

– Com três gols nos últimos dois jogos (semifinais), o atacante saudita Nasser Al Shamrani tem disputa particular com Asamoah Gyan, do eliminado Al Ain. O ganês tem 12 gols, dois a mais que o jogador do Al Hilal, que tentará superar a marca do colega de profissão.

– No próximo dia 10 de outubro, 15 dias antes do primeiro jogo da final, o Western Sydney abre o Campeonato Australiano 2014/15, enfrentando o Melbourne Victory, fora de casa. Serão duas partidas antes da final continental. Já o Al Hilal está disputando o Campeonato Saudita desde o início de agosto e já jogou seis partidas, com cinco vitórias e um empate. O time está na terceira posição, com 16 pontos, dois atrás dos líderes Al Nassr e Al Ittihad. Serão três jogos pela liga nacional no período das finais da LC da Ásia.

– Caso o Western Sydney Wanderers surpreenda pela enésima vez e fique com o troféu do torneio asiático, a equipe jogará o Mundial de Clubes da FIFA 2014. Mas esta não será a primeira vez de um time australiano na competição: em 2008, o Adelaide United jogou graças ao vice-campeonato asiático, mas South Melbourne (2000) e Sydney (2005) estiveram no Mundial de Clubes pela Oceania.

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