Ásia/Oceania

O poder de sedução do 'mundo árabe'

Esta semana, a diretoria do Corinthians anunciou a negociação do meia Douglas com um clube do “mundo árabe”: o Al-Wasl, dos Emirados Árabes. Sediado em Dubai, o clube, que é dirigido pelo brasileiro naturalizado costarriquenho Alexandre Guimarães, é um dos doze participantes da Liga do país, que terá sua temporada começando em setembro próximo.

A presença de jogadores e treinadores brasileiros nos países do Golfo Pérsico está longe de ser uma novidade. Desde os anos 70, dezenas de treinadores consagrados do nosso futebol já saíram do país para ganhar os “petrodólares” no Oriente Médio. Se antes, Arábia Saudita, Kuwait e Iraque eram os destinos preferidos dos técnicos, hoje a rota aponta para dois países: Catar e Emirados Árabes Unidos.

Aliás, tornou-se hábito de parte da imprensa brasileira colocar todos os países num mesmo balaio – o já citado “mundo árabe”. O futebol da Arábia Saudita, mais tradicional, tem algumas presenças em Mundiais e times mais conhecidos, como o Al-Ittihad – que esta semana está jogando a Copa da Paz, contra equipes do porte do Real Madrid – e o Al-Hilal, que conta com o meia Thiago Neves, ex-Fluminense.

Nos últimos anos, no entanto, Catar e Emirados Árabes tem investido fortunas para atrair grandes nomes do futebol internacional, lembrando um pouco o que a J-League fez em seu início, na década passada. Pela Qatari Stars League, passaram nomes como Gabriel Batistuta, Pep Guardiola, Romário, Marcel Desailly, Sonny Anderson, os irmãos Frank e Ronald de Boer, Jay Jay Okocha e Fernando Hierro, dentre outros.

O Al-Gharrafa, bicampeão nacional, que já contava com os atacantes Fernandão e Araújo, contratou o meia Juninho Pernambucano para esta temporada. No banco, Caio Júnior comanda a equipe em busca do tricampeonato. O Al-Sadd tem em Felipe o grande ídolo do futebol do país na atualidade, pelo toque refinado e por suas jogadas de efeito. O meia Ricardinho, ex-Corinthians, está no Al-Rayyan, dirigido por Marcos Paquetá.

Porém, o único representante do Catar nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Ásia é o Umm-Salal, sexto colocado na última temporada, que teve em Magno Alves o principal goleador da Qatari Stars League, com 25 gols. O Umm-Salal enfrenta o FC Seoul, da Coreia do Sul.

No caminho de Dubai (e Abu Dhabi)

Apesar de ter um campeonato nacional há mais de três décadas, somente na última temporada o futebol dos Emirados Árabes Unidos decidiu se profissionalizar de vez. A medida foi impulsionada pelo fato de Dubai ser a nova sede do Mundial de Clubes da FIFA – e assim, o campeão nacional ganharia o direito de participar da competição.

A exemplo do Catar, 12 equipes disputam o campeonato local. Um terço das equipes é de Dubai, mais conhecida das sete cidades-estado que formam o país. Porém, o time mais conhecido do país – pelo menos aqui no Brasil – é o Al-Jazira, treinado por Abel Braga, que tem sede em Abu Dhabi. O clube, que já tinha no seu elenco o atacante Rafael Sóbis, revelado pelo Internacional, anunciou na última semana a contratação de outro brasileiro: Ricardo Oliveira, contratado por 14 milhões de euros – a maior transação da história do futebol dos Emirados Árabes.

Na última temporada, o Al-Jazira perdeu o título por um ponto para o Al-Ahli, que conta no seu elenco com o atacante Baré, que fez muito sucesso na J-League, defendendo o Gamba Osaka. Outro nome conhecido do torcedor brasileiro que atua nos Emirados é Fernando Baiano, que trocou o Al-Jazira pelo Al-Wahda, também de Abu Dhabi.

Além de Abel, outros dois treinadores brasileiros estão nos Emirados: Toninho Cerezo, no Al-Shabbab; e Zé Mário – outro que há muitos anos peregrina pelo futebol asiático – no Ajman Club.

Histórias das Arábias

O “mundo árabe” sempre atraiu os boleiros brasileiros por conta do binômio “salários altos e em dólar + mercado em expansão”. Porém, o choque de culturas já causou alguns problemas para jogadores. Alguns não se adaptaram com a rigidez do islamismo, principalmente em relação ao convívio com as esposas – que em alguns países, são obrigadas também a usar 'burcas' – com o ritual diário de orações e até mesmo com os horários de treinos e jogos, que no período do Ramadã (quando os muçulmanos fazem jejum durante o dia), são adaptados.

Uma das histórias mais emblemáticas envolvendo um brasileiro no futebol árabe aconteceu com ninguém menos que Roberto Rivellino, que se transferiu, em 1978, do Fluminense para o Al-Hilal, da Arábia Saudita, para tentar garantir a tão sonhada “independência financeira”, em que pesasse ser ainda um dos poucos remanescentes do time tricampeão mundial em atividade.

Depois de atuar por alguns anos no país, Rivelino teve problemas de relacionamento com os dirigentes do clube e quis retornar ao Brasil para encerrar a carreira no São Paulo – que havia feito uma boa proposta para o jogador. Os 'sheiks' donos do Al-Hilal jamais liberaram o passe de Rivelino, que foi forçado a encerrar a carreira – na época, não era comum a interferência da FIFA ou da Corte Arbitral do Esporte em casos como estes.

Seleções asiáticas

A indefinição em relação à idade-limite para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, fez com que a Confederação Asiática adiasse o início do torneio classificatório do continente para a competição. As eliminatórias para os Jogos começariam em fevereiro do ano que vem, mas foram adiadas para setembro, podendo só começar em 2011, assim que FIFA e COI chegarem a um consenso sobre a idade-limite para as Olimpíadas.

Enquanto isso, as seleções da região disputam amistosos nessa época do ano. O Bahrein está se preparando na Áustria para os confrontos contra a Arábia Saudita, dias 5 e 9 de setembro, valendo a chance de enfrentar a Nova Zelândia por uma vaga na Copa do Mundo de 2010.

O time comandado por Hassan Khalfan tenta fazer um amistoso nos 20 dias de preparação na Europa – o jogo marcado contra a Bósnia, dia 12 de agosto, foi cancelado. No dia 31 de agosto, o Bahrein faz um amistoso contra o Irã.

Em mais confrontos entre clubes/seleções asiáticas e potências do futebol europeu, nesta pré-temporada (para os europeus), a seleção de Cingapura foi goleada por 5 a 0 pelo Liverpool, enquanto o Manchester United bateu o FC Seoul por 3 a 2, na última sexta-feira, em Seul.

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Equipe Trivela

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