Ásia/Oceania

O peixe morre pela boca!

Os iranianos estão pegando a estrada errada. Acham que podem tudo na Ásia e ultimamente querem nocautear os adversários na base da intimidação. Eu tive que checar vários veículos para confirmar a veracidade das declarações do técnico Ali Daei antes da dramática partida contra a Arábia Saudita, em Teerã, pelas Eliminatórias. O placar foi de 2 a 1 para os sauditas. Com a derrota, o eterno ídolo do futebol na terra dos aiatolás foi demitido.

O maior jogador iraniano de sempre tentou desestabilizar o adversário, mas deu a senha para ser derrotado em pleno estádio Azadi. Arrogante e esnobe, o ex-camisa 10 do time melli soltou pérolas do tipo:
“O Irã é mais forte e vence independente de quem seja o treinador deles. A Arábia Saudita voltará para casa sem nada na bagagem” e “Não sei nada sobre a comissão técnica deles, nunca ouvi falar neles” disse numa rádio da seleção treinada pelo português José Peseiro, ex-Sporting Lisboa.

São frases tão ultrajantes e sem nexo que não dá nem pra considerar isso um ‘mind-game’. O que mais impressiona é que partiu de um profissional experiente, ídolo máximo no país, e com passagem importante na Europa como jogador a ponto de abrir portas para seus compatriotas no velho mundo.

Tudo bem que a situação dos rivais era péssima – a pior desde as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990. Outro fator pró-Irã também eram os desfalques ultra-preocupantes dos ‘filhos do deserto’: O astro Yasser Al-Qahtani, bola de ouro na Ásia em 2007, seu companheiro de ataque Malik Moad, e o zagueiro Majed Al-Marshadi, eleito melhor jogador da Copa do Golfo 2009. Além deles, Khaled Aziz, Saud Khariri e o ótimo Mohammed Noor viajaram sem estarem 100% recuperados de lesão. Mas isso não é motivo para suscitar um otimismo ufano e inconsequente, pois os sauditas são futebolistas de respeito na região.

Esse não foi o primeiro episódio de soberba e trapalhada dos iranianos. Antes do empate em 1 a 1 contra a Coréia do Sul, o volante Javad Nekounam alfinetou Park Ji-Sung, meia do Manchester United e destaque do oponente.
“100 mil pessoas estarão no estádio Azadi fazendo um barulho terrível, ele nunca viu nada igual na carreira dele…”
Isso tudo lembra uma afirmação de José Mourinho numa crônica que escreveu, em 2000, para o site português ‘maisfutebol’:
“Nós, profissionais, muitas vezes afirmamos que não lemos, não ouvimos, não nos interessa, mas não é verdade. Quando surge algo assim, rico em conteúdo motivacional, fértil aglutinador de emoções e ambições individuais, lemos, relemos, registramos e obrigamos a registrar”

O Irã tem uma das seleções mais talentosas e competitivas do continente, seus elementos tem conseguido espaço no mercado europeu desde meados dos anos 90 e o país tem um público apaixonado. Mas estão perdendo o compasso fora das quatro linhas e o tiro tem saído pela culatra…
Alguém dúvida que Peseiro tenha trabalhado a parte motivacional dos sauditas mais do que nunca?

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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