Ásia/Oceania

O monstro das montanhas

Cercado e sem saída para o mar na Ásia Central, o Uzbequistão é um território tomado por vasto deserto e montanhas.

Sempre em progresso no futebol, estão na etapa final das Eliminatórias Asiáticas para a Copa de 2010 sendo uma das seleções mais empolgantes do continente. Uma derrota para Arábia Saudita na última rodada da fase anterior impediu o time uzbeque de fechar com 100% de aproveitamento o Grupo 4.

Comandados por Rauf Anileev, eleito técnico do ano em 2007 na Ásia, essa ex-república soviética tem o melhor ataque com 26 gols, além de ser a seleção mais disciplinada até aqui, com apenas 8 cartões amarelos.

Com uma média de idade de 25,5 anos, a margem de progressão da equipe é nítida. Inclusive, os uzbeques cada vez mais se desprendem de seu caráter agrícola e a população, apaixonada por futebol, é uma das mais jovens da região: de cada dez uzbeques, quatro tem menos de 14 anos e os torneios de jovens estão crescendo por lá. Olho neles!

As flechas do mago Anileev: Ofensividade a toda prova

Impressiona o poderio ofensivo do Uzbequistão. O treinador Rauf Anileev esboçou um 4-2-3-1 incutido numa dinâmica e agressividade apreciável.

Sem descuidar do reparto defensivo, onde o corajoso arqueiro Nesterov lidera uma defesa com um miolo muito experiente: Karimov e Aliqulov. Entrosados, ambos carregam extenso currículo nos campos do país, onde atuam há mais de uma década.

Na lateral-esquerda habita a mola propulsora da transição ofensiva da equipe, nos pés de Vitaliy Denisov, 20 anos, que é sempre procurado na saída para o ataque. Personalizado, veloz, arromba defesas em arrancadas e dá assistências. Lapidado no CSKA de Moscou, joga no Dnipro Dnipropetrovsk, da Ucrânia. Descubram-no.

No circulo central, de perfil um para o outro, estão os volantes Ibragimov e Kapadze, juventude e experiência. “Ibra” tem 21 anos e já emigrou para Eslováquia, será o herdeiro de Kapadze no futuro, uma unanimidade na posição. Mais a frente Server Djeparov é o meia mais centralizado. Com veia goleadora, comemora seus gols com cambalhotas e é um dos jogadores mais carismáticos e queridos pelo povo.

Abertos como meias que recuam sem a bola e agridem quando em posse, Odil Ahmedov e Viktor Karpenko dão profundidade nas faixas. O primeiro tem apenas 20 anos, revelado no poderoso Pakhtakor, concorrerá a bola de ouro esse ano (na Ásia), o segundo é uma das estrelas do país, onde retornou depois de 8 anos perambulando por equipes russas e cazaques. Karpenko é um dos jogadores mais cerebrais que circulam pela Ásia Central. A boa fase de Djeparov o impede de atuar mais ao centro.

No comando do ataque, o capitão Maksim Shatskikh, ex-Dinamo de Kiev, é a figura mais midiática do ‘onze’. Se marcar mais um gol chegará aos 30 e superará Mirjalol Kasymov como maior goleador da seleção. Lutador e obcecado pelas redes adversárias, Shatskikh já atuou em 8 edições da Champions League européia. O time ainda se dá ao luxo de ter no banco Alexander Geynrikh, ex-atacante do CSKA de Moscou.

Calcado na base oriunda do Pakhtakor e do Kuruvchi, principais equipes do país na atualidade, o técnico Rauf Anileev tem em mãos um plantel que se conhece bastante. Ele consegue gerir as vaidades, mesclar futebolistas antigos e jovens, tendo em vista somente o progresso. Os resultados falam por si só.

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Equipe Trivela

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