Ásia/Oceania

O monstro acordou

Depois de cinco anos o Persepolis é líder da Persian League – Campeonato Iraniano de futebol. O mais impressionante é que o clube que tem uma das maiores torcidas da Ásia está no topo da tabela de forma esmagadora e com uma média de 70 mil torcedores quando atua em casa.

Não perdeu nenhum dos 17 jogos até aqui e está prestes a quebrar o seu próprio recorde de invencibilidade: Em 2001, o clube de Teerã chegou até a 18ª rodada invicto, mas tombou diante do rival Esteghlal no derby nacional. Portanto, se não perder para o vice-líder Sepahan no próximo dia 29, estabelecerá uma nova marca.

O ‘exército vermelho’ sofreu uma reformulação no inicio desta temporada 2007/8. Habib Kashani foi eleito o novo Presidente do clube e trouxe o promissor técnico Afshin Ghotbi, que já trabalhou com Bora Milutinovic, Guus Hiddink e Dick Advocaat.

Metade do plantel foi negociado e 12 futebolistas chegaram para colocar o clube mais vitorioso do Irã onde ele está. Com o atual campeão Saipa em plena decadência e o Esteghlal adormecido, a briga na terra dos aiatolás deverá ficar entre o Persepolis e o Sepahan.

Persepolis no Topo: Os princípios de Ghotbi

Afshin Ghotbi, 43 anos, trabalhou com Bora Milutinovic nos anos 90, foi auxiliar de Steve Sampson, na seleção dos EUA, na Copa de 98, de Hiddink, na Coréia do Sul, em 2002, e Dick Advocaat, também na seleção coreana.

Aproveitando o convívio com esses grandes treinadores, agregou conhecimentos e moldou sua personalidade e metodologia. O Persepolis é seu primeiro desafio como treinador principal e o futebol que o time pratica é espelho de suas idéias.

Há muitos anos, o jovem técnico de Shiraz já sabia o que faria se assumisse algum clube de seu país. Em 2004, quando ainda era auxiliar do Samsung Bluewings, da Coréia do Sul, disse ao repórter Kaveh Majoob como uma equipe iraniana deveria atuar.

“Um bloco de 6 (linha de quatro na defesa e dois volantes) e um diamante no topo ( um armador, dois meias abertos e um atacante enfiado). Nesse sistema, os laterais devem avançar. É um sistema fácil de implantar e organizar”.

Igual ao atual Persepolis. Confira: a linha defensiva é composta por Sheys Rezaei, Heidari, Nosrati e o excelente e ofensivo Nouri. Dois volantes a frente da defesa, Karim Bagheri e o camaronês Elong.

Abbas Aghaei faz a articulação meio-ataque, Badamaki e o enérgico Alireza Nikbakht (melhor jogador do time) atuam abertos, enquanto Mohsen Khalili, muito móvel e incansável na busca do gol, luta no comando do ataque. É o artilheiro da competição com 9 gols.

Ghotbi implantou exatamente o que pensava e na época ainda citou a dinâmica ideal.

“Muita organização atrás da linha da bola, não deixar espaço para o contra-ataque adversário. Defensivamente, acho que o futebol iraniano deveria aprender a povoar o meio-campo”.

Manteve-se fiel ao que pensava, teve a oportunidade de começar a carreira em uma equipe ‘top’ e pode em breve entrar para a história. Grande começo.

CURTAS

– O técnico holandês Jo Bonfrere retorna pela terceira vez ao Al Wahda, dos Emirado Árabes Unidos. O ex-técnico da Coréia do Sul substitui o brasileiro Ivo Wortmann, demitido. Até aqui, seis treinadores foram dispensados na liga local. Quando esse pessoal vai aprender que uma equipe de futebol é um processo?

– O artilheiro brazuca Magno Alves estreou em alta no poderoso Al Ittihad, da Arábia Saudita. O ‘magnata’ marcou os dois gols no empate em 2 a 2 com o Najran, pela Liga Saudita. A equipe de Jeddah é líder absoluta da competição.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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