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O Kawasaki Frontale renova sua hegemonia na J-League e, com sobras, fatura quarto título em cinco anos

Leandro Damião é uma das principais figuras dos atuais bicampeões da J-League, que levaram a taça com quatro rodadas de antecedência

O Campeonato Japonês atravessa uma das maiores séries hegemônicas de sua história. E o Kawasaki Frontale renovou seu reinado nesta quarta-feira, com o quarto título da J-League nos últimos cinco anos. Com a base que faturou o troféu em 2020, após ser superado pelo Yokohama F. Marinos em 2019, o Frontale sobrou na atual campanha. O time dirigido por Toru Oniki só não liderou em três das 34 rodadas disputadas até o momento. Com quatro partidas de antecipação, o empate por 1 a 1 com o Urawa Reds bastou para selar a festa. O centroavante Leandro Damião é o artilheiro do Golfinho, que ainda conta com João Schmidt, Jesiel e Marcinho em sua legião brasileira.

O Kawasaki Frontale nunca tinha conquistado um título de elite até 2017, embora colecionasse quatro vices na liga. Sem coincidência, aquela temporada da primeira taça na J-League também marcou a promoção do técnico Toru Oniki – que, de antigo jogador do clube, treinou a base e foi assistente, até assumir o time principal em fevereiro de 2017. O suado primeiro troféu, porém, só veio graças à diferença no saldo de gols para cima do Kashima Antlers. Desde então, o Frontale manteve o embalo. Faturou o bi em 2018 com vantagem de 12 pontos no topo da classificação, antes de ser o quarto colocado em 2019, em torneio levado pelo Yokohama F. Marinos.

A recuperação, então, viria com uma campanha soberana para levar a taça em 2020, com 18 pontos a mais que o vice-campeão Gamba Osaka. O Frontale estabeleceu o novo recorde de pontos da J-League, com uma equipe mais ofensiva e mais intensa que nos anos anteriores. E se o ataque em 2021 é um pouco menos arrasador que em 2020, o Golfinho ainda possui os melhores números do campeonato no quesito, além de apresentar desta vez também a melhor defesa. Como consequência, a pontuação atual já é maior que o recorde do ano anterior. Apesar da ampliação no número de participantes do campeonato, o aproveitamento de 2021 consegue ser superior.

O Kawasaki Frontale praticamente manteve a base do elenco para a atual edição da J-League em relação ao título de 2020, mas teve que lidar com perdas importantes. O meio-campista Ao Tanaka e o ponta Kaoro Mitoma foram vendidos ao futebol europeu no meio da temporada, enquanto o veterano Kengo Nakamura, grande lenda dos tricolores, pendurou as chuteiras depois de 18 anos como profissional. Para compensar, o clube também realizou contratações pontuais. O ex-são-paulino João Schmidt, que estava no Nagoya Grampus, foi uma das novidades para o meio do campo. Já o ponta Marcinho, que fez sucesso no Fortaleza campeão da Série B, estava sem clube após deixar o Chongqing Liangjiang na China. Com uma espinha dorsal sólida e boas referências, o Frontale tomou impulso logo cedo na competição. Favorita desde o início da campanha, a equipe sofreu raríssimos tropeços.

A arrancada do Frontale já foi arrasadora, com oito vitórias e um empate nas nove primeiras rodadas. Os tricolores chegaram a ser ultrapassados brevemente pelo Nagoya Grampus nesta largada, mas por somente duas rodadas. Ao longo do primeiro turno, o Frontale sustentou sua invencibilidade, com 16 vitórias em 19 duelos. Ganhou inclusive o confronto direto contra o Nagoya por 3 a 2 e terminou a primeira metade do campeonato com uma vantagem de oito pontos.

O segundo turno do Frontale não foi tão impressionante, mas mesmo assim é muito bom. O time até passou três rodadas sem ganhar, com sua única derrota neste ínterim, durante a visita ao Avispa Fukuoka. Com isso, o Yokohama F. Marinos encostou no topo da tabela. A recuperação, em compensação, contou com uma série de sete vitórias que deixou a concorrência comendo poeira. Assim, nas últimas semanas, era apenas uma questão de quando o título seria confirmado. Aconteceu no empate com o Urawa Red Diamonds, exatamente o duelo que encerrou tal sequência recente de triunfos.

O zagueiro Jesiel, ex-Paraná, marcou o gol que concluiu a conquista. E a jogada teve participação de Leandro Damião, grande figura do time nesta temporada. O centroavante soma 17 gols e nove assistências, sendo o principal responsável pela produção ofensiva do time. Aos 32 anos, o ex-colorado já tinha sido importante também no título de 2020, em sua segunda temporada no Japão, mas supera suas marcas desta vez. Jesiel e João Schmidt também foram titulares em boa parte da campanha, enquanto Marcinho deu sua contribuição já na reta final, ao ser contratado durante o segundo turno.

Alguns veteranos também se destacam no ciclo vitorioso do Kawasaki Frontale, incluindo o atacante Yu Kobayashi, o ponta Akihiro Ienaga e o goleiro Jung Sung-ryong – todos presentes desde o título de 2017. Entre os mais jovens, o lateral direito Miki Yamane e o zagueiro/capitão Shogo Taniguchi apareceram em convocações recentes do Japão, enquanto o lateral esquerdo Reo Hatate disputou os Jogos Olímpicos. E mesmo saindo no meio do campeonato, não dá para menosprezar as contribuições de Ao Tanaka (atualmente no Fortuna Düsseldorf) e de Kaoro Mitoma (emprestado do Brighton à Union Saint Gilloise), especialmente do segundo, que tinha protagonizado a campanha do título em 2020. Vale mencionar ainda Ryota Oshima, destaque no meio-campo nos outros títulos, que só disputou três partidas nesta edição por causa das lesões.

Essa é a primeira vez que um clube da J-League leva quatro títulos em cinco anos, embora o Frontale ainda persiga o tricampeonato consecutivo só registrado antes pelo Kashima Antlers – curiosamente, no período de vices mais frequentes do Golfinho. Os tricolores também se igualam ao Yokohama F. Marinos como segundo clube com mais taças no Campeonato Japonês, ambos com quatro. E a lista de feitos recentes do clube ainda inclui um título da Copa do Imperador e um da Copa da Liga desde 2019, além de duas Supercopas. Dá até para sonhar com a segunda dobradinha consecutiva, já que o Frontale está entre os semifinalistas da Copa do Imperador nesta temporada – a Copa da Liga foi levada pelo Nagoya Grampus no último final de semana.

A maior questão ao Kawasaki Frontale se concentra na dificuldade em reproduzir o sucesso também nos torneios continentais. O melhor desempenho dos anos recentes na Champions Asiática aconteceu em 2017, com a queda para o Urawa Reds nas quartas de final. Depois disso, o Golfinho sucumbiu duas vezes ainda na fase de grupos, até ser superado pelo Ulsan Hyundai nas oitavas da atual edição, derrotado nos pênaltis. É o passo que falta para um reconhecimento internacional maior, já que, dentro da J-League, este Frontale de Toru Oniki figura entre as maiores potências nestas quase três décadas desde a fundação do campeonato.

* Vale conferir também o blog Futebol do Japão, de Tiago Bontempo, melhor leitura em português sobre a J-League

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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