Ásia/Oceania

O efeito Zico

Depois de aproximadamente um mês de tratativas, Zico foi confirmado como novo técnico da seleção do Iraque, em substituição ao alemão Wolfgang Sidka. O contrato ainda não foi assinado, mas o próprio treinador já deu entrevistas considerando a negociação concluída. Aos 57 anos e sem ter ainda uma carreira de treinador consolidada, Zico parte para mais um desafio em um mercado periférico do futebol.

Desde que foi para o Japão, no início dos anos 90, e foi um dos responsáveis pela “reinvenção” do futebol no país, participando ativamente da criação da J-League, primeiro como jogador, depois como treinador e dirigente, Zico vem tentando engrenar uma carreira fora dos gramados. O peso de ter sido um dos principais nomes de sua geração dentro de campo nos anos 70 e 80 sempre gerou muita expectativa sobre seu trabalho como treinador e dirigente, principalmente relativo ao Flamengo, onde teve uma curta e frustrante passagem no final do ano passado.

Como treinador, Zico fez sua carreira somente fora dos grandes centros da atualidade. Embora sua passagem mais conhecida tenha sido à frente da seleção japonesa, entre 2002 e 2006, com o título da Copa da Ásia, em 2004; e a participação na Copa do Mundo de 2006, vale lembrar que à frente do Fenerbahçe, da Turquia, Zico foi campeão nacional na temporada 2006/07 e da Supercopa de 2007. Teve curtas passagens ainda pelo Bunyodkor, do Uzbequistão (onde foi campeão nacional e da copa em 2008); CSKA Moscou (campeão da Copa da Rússia na temporada 2008/09 e campeão da Supercopa da Rússia em 2009); e no Olympiacos, da Grécia.

A Federação do Iraque apostou basicamente na contratação de Zico pelo seu cartel à frente da seleção japonesa, além de manter a tradição de ter técnicos brasileiros. Em sua única participação em Mundiais, em 1986, no México, Evaristo de Macedo comandou a equipe. Outros treinadores brasileiros, como Zé Mário, Jorge Vieira e o próprio Edu Coimbra já dirigiram a seleção iraquiana.

O objetivo principal da federação iraquiana é fazer com que Zico classifique a equipe para a Copa de 2014, no Brasil. A tarefa não é simples. Apesar de um grupo relativamente tranquilo na primeira fase das eliminatórias, que começam daqui a duas semanas (com China, Jordânia e Cingapura), o Iraque terá muitos problemas se conseguir chegar à próxima fase, onde se decidem os classificados para o Mundial.

A não ser que aconteça algo de muito anormal no transcurso das eliminatórias, três das quatro vagas diretas da Ásia já têm dono: Japão, Austrália e Coreia do Sul estão em um estágio muito avançado no futebol mundial em relação aos demais países do continente, e não devem ter dificuldades para se classificar. A outra vaga direta tem, dentre os postulantes, Irã, Arábia Saudita, Catar, Coreia do Norte e Emirados Árabes, todos com resultados internacionais recentes mais expressivos que os do Iraque.

Para Zico, a escolha por retornar ao futebol asiático demonstra claramente que o treinador não está disposto a fazer uma carreira no Brasil. Apesar da declarada mágoa com a diretoria do Flamengo por conta de sua conturbada saída do cargo de diretor de futebol, no ano passado, o fato de Zico ser o maior ídolo da história do rubro-negro é um impeditivo para que ele decida tocar a carreira de treinador em outro clube por aqui – o que, de certa forma, também inibe suas pretensões de se tornar treinador da seleção brasileira, da qual foi coordenador técnico na Copa de 98.

Eu penso que Zico terá problemas em conseguir trazer a seleção iraquiana ao Mundial de 14. O principal problema que Zico e sua comissão técnica, formada pelo irmão Edu Coimbra e pelo preparador físico Moraci Santana vão enfrentar é a falta de material humano qualificado para a montagem da seleção. Apesar de uma liga tradicional, que conta com 28 equipes, o futebol iraquiano não é muito pródigo em talentos. Não há jogadores do país nas grandes ligas europeias ou asiáticas e o grande ídolo da seleção na atualidade é o atacante Younis Mahmoud, capitão da equipe, que joga no Al-Wakrah, do Catar. Mahmoud foi um dos destaques da equipe quarta colocada nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Rafinha, a nova sensação da J-League

Ele é brasileiro, tem 24 anos e uma carreira quase toda feita no Japão. Mas nas últimas semanas, só se fala dele no futebol japonês. O atacante Rafinha tem causado um frisson por conta de suas atuações desde que chegou ao Gamba Osaka, no início de julho.

O atacante, que começou nas categorias de base do Nacional, de São Paulo; teve uma rápida passagem pelo Avispa Fukuoka, em 2007; e atuou dois anos no Paulista, antes de voltar para o Japão, estava jogando pelo Thespa Kusatsu, da J-League 2, e foi emprestado para o Gamba Osaka.

Em apenas seis jogos pelo clube, Rafinha marcou sete gols, três deles na goleada do último domingo sobre o Kasawaki Frontale, por 6 a 3, que recolocou o Gamba Osaka na liderança da J-League, com 44 pontos ganhos. Além disso, o Gamba Osaka chegou a 55 gols em 22 jogos no campeonato (média de 2,5 gols por jogo), melhor ataque disparado da J-League, com 15 gols a mais que o Kashiwa Reysol.

No sábado, a atuação de Rafinha ajudou o Gamba Osaka a virar o jogo no segundo tempo – o time foi para o intervalo perdendo por 3 a 2. Logo no a 3 minutos da segunda etapa, o atacante cobrou pênalti e empatou o jogo. Rafinha fez também o quinto e o sexto gol na goleada.

Com sete gols, Rafinha está a apenas seis de Josh Kennedy, do Nagoya Grampus, principal artilheiro da J-League – com a diferença que Kennedy já fez 19 partidas.

A briga pela liderança do campeonato tem Gamba Osaka e Kashiwa Reysol com 44 pontos, Nagoya Grampus e Yokohama F-Marinos com 43 pontos. Os quatro se distanciaram um pouco do pelotão intermediário, que tem o Kashima Antlers em quinto lugar com 34 pontos.

Síria perde vaga nas Eliminatórias

A Síria perdeu sua vaga na fase de grupos das Eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo. O Comitê Disciplinar da Fifa escalou George Mourad, que não tinha condições de atuar, na partida de ida contra o Tadjiquistão, quando a Síria venceu por 2 a 1 – quando Mourad, inclusive, marcou um dos gols.

No segundo jogo, a Síria venceu por 4 a 0. No entanto, a eliminação foi consolidada pela Fifa. O Tadjiquistão herdou a vaga e vai para o grupo C, com Uzbequistão, Japão e Coreia do Norte.

A decisão da Fifa é definitiva e não cabe recurso. Com isso, sobrou para o treinador sírio, Nizar Mahrous, que acabou pedindo demissão. “Perdi o desejo de trabalhar depois de tudo que aconteceu”, disse o treinador.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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