Ásia/Oceania

O Al Hilal reafirma sua grandeza continental e conquista o inédito tetra da Champions Asiática

O Al Hilal jogava em casa contra o Pohang Steelers e venceu com autoridade, garantindo também a vaga no Mundial de Clubes

O Al Hilal tem seus motivos para se proclamar como o maior clube da Ásia. Os sauditas são uma força histórica numa das principais ligas do continente, possuem uma torcida imensa, contam com enorme investimento no elenco. E, nesta terça, os alviazuis se consagraram como os maiores vencedores da Liga dos Campeões da Ásia. Durante parte da última década, o Al Hilal teve certas dificuldades para conquistar o título continental, mas deu um salto mais recentemente. Depois da reconquista em 2019, encerrando um hiato de 19 anos, o clube recupera a glória em 2021. Em jogo único no Estádio Rei Fahd, a equipe de Leonardo Jardim contou com o apoio de 50 mil torcedores e dominou o Pohang Steelers, para uma vitória até econômica por 2 a 0. Assim, os sauditas se confirmam como os primeiros tetracampeões asiáticos – com uma taça a mais que o próprio Pohang.

Por conta do regulamento da Liga dos Campeões da Ásia, o Al Hilal sequer pôde contar com força máxima. O torneio permite que sejam usados quatro estrangeiros por jogo, um deles necessariamente de outro país asiático. Desta maneira, o técnico Leonardo Jardim deixou de fora nomes como André Carrillo, Luciano Vietto e Gustavo Cuéllar. A equipe, ainda assim, mandou a campo Bafétimbi Gomis, Moussa Marega e Matheus Pereira como seus destaques estrangeiros, além do sul-coreano Jang Hyun-soo e outros tantos nomes da seleção saudita. O Pohang Steelers, com um elenco bem mais modesto, tinha entre os estrangeiros o australiano Alex Grant, ao bósnio Mario Kvesic e ao colombiano Manuel Palacios – opções bem menos experimentadas.

Não bastasse o elenco mais forte, o Al Hilal também jogava a final em casa. Numa decisão contestável da AFC, o representante da chave reunindo as equipes do Oriente Médio receberia o jogo em 2021, enquanto o direito passará ao melhor time da chave do Extremo Oriente em 2022. E o favoritismo óbvio dos sauditas se converteu em gol com menos de 20 segundos. Numa bola roubada no campo de ataque, Nassar Al-Dawsari aproveitou o espaço na intermediária e mandou uma sapatada direto no ângulo, que rendeu cedo a vantagem aos alviazuis.

O Al Hilal seguiu melhor no primeiro tempo, com mais consistência nas chegadas ao ataque, apesar das dificuldades em converter suas chances. Moussa Marega dava muita potência à equipe nesses avanços, que se valiam também da habilidade de Salem Al-Dawsari. O Pohang Steelers, ao menos, permanecia no jogo. Os sul-coreanos conseguiam dividir a posse de bola e eram mais perigosos em suas poucas finalizações. A grande chance de empate surgiu aos 12 minutos, numa pancada de Sin Jin-ho que o goleiro Abdullah Al-Mayouf desviou com a ponta dos dedos rumo ao travessão. A sobra ainda seguiu viva na área e o arqueiro se recuperou bem para negar o tento a Lim Sang-hyeob, que parecia com o gol aberto à sua frente. Pouco antes do intervalo, uma cabeçada no meio da meta também assustou.

As esperanças do Pohang Steelers, no entanto, se perderam no segundo tempo. O Al Hilal voltou com uma postura mais contundente e ampliou o placar aos 18 minutos. Gomis domou a bola e deu a enfiada, para a escapada de Moussa Marega entre os defensores. O malinês se infiltrou na área e definiu na saída do goleiro, premiando seu ótimo jogo. E o placar poderia ter sido mais amplo, não fosse certo preciosismo dos sauditas, que desperdiçaram outras tantas chances de construir um placar mais confortável – em noite particularmente imprecisa de Gomis nas conclusões. Os sul-coreanos não representavam grande ameaça e ainda vacilaram em algumas brechas dadas pelos adversários para ao menos descontar.

O Al Hilal chegou a passar certos sufocos nesta campanha da Champions Asiática. Os sauditas avançaram na segunda posição do Grupo A, atrás do surpreendente Istiklol, que golearam os alviazuis por 4 a 1 no Tadjiquistão. Rogério Micale era o treinador neste momento e acabou demitido após três meses no cargo, com a chegada de Leonardo Jardim em maio. E os mata-matas em jogo único apresentaram a recuperação sob as ordens do português. O Al Hilal despachou o Esteghlal nas oitavas e o Persepolis nas quartas, antes de se dar melhor no confronto local contra o Al Nassr na semifinal. E a decisão contra o Pohang Steelers, que coroaria o primeiro tetracampeão da história da Ásia, viu tamanha superioridade dos alviazuis.

O Al Hilal conquistou seus dois primeiros títulos na Champions Asiática em 1991 e 2000, mas passou um longo período longe da taça. Os alviazuis foram vice-campeões continentais em 2014 e 2017, até que finalmente sublinhassem sua força em 2019. E tamanha competitividade recente não deve cessar tão cedo. O governo saudita tem aumentado seu investimento no futebol, o que beneficia os maiores clubes locais. Desde 2018, o Campeonato Saudita aumentou seu limite para estrangeiros e, mesmo sem que todos participem da Champions, tal intercâmbio gera resultados. Além disso, apesar das mudanças constantes no comando, os alviazuis buscam técnicos de relevo, com o título faturado por Razvan Lucescu em 2019, antes de sua saída no início de 2021.

Maior campeão nacional, o Al Hilal venceu quatro das últimas cinco edições do Campeonato Saudita, embora ocupe a quarta colocação na atual temporada. O planejamento na liga, agora, terá que se dividir com as atenções ao Mundial de Clubes – que será realizado nos Emirados Árabes Unidos no início de 2022. O sorteio do adversário nas quartas de final ainda não foi realizado, mas, pelo desempenho em 2019, os alviazuis se prometem como um oponente duro. A legião de estrangeiros e a força da torcida devem ser diferenciais em busca de uma grande campanha na competição.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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