Ásia/Oceania

O acordo nuclear do Irã deverá também ter um grande impacto no futebol do país

O Irã assinou um acordo histórico nesta semana. O país decidiu frear o seu programa nuclear, após longas negociações com seis nações estrangeiras. Em compensação, terão fim uma série de sanções impostas aos iranianos. O que acaba beneficiando diretamente o futebol. Cerca de US$ 100 bilhões pertencentes ao país estão congelados no exterior. E alguns milhões pertencem à federação e aos próprios clubes, que já planejam aumentar os seus investimentos nas próximas temporadas.

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“Todo mundo diz que o futebol deveria se manter longe da política, mas a realidade é que o futebol no Irã também estava sob sanção. Nós não recebemos nada da Fifa nos últimos dois anos. Ainda temos que receber cerca de US$ 10 milhões em subsídios pela classificação à Copa do Mundo. E a única razão para isso é que o dinheiro estava retido”, conta Mansour Ganbarzadeh, presidente do Naft Teerã, em entrevista à Reuters.

Segundo o dirigente, que também  já fez parte do comitê executivo da federação, outros fundos de torneios anteriores e do próprio auxílio da confederação asiática também estão congelados. O dinheiro deverá ser revertido no desenvolvimento das estruturas da competição, que tinha dificuldades até mesmo para importar bolas. Em viagens internacionais, dirigentes e jogadores precisavam transportar o dinheiro para não terem problemas com as sanções.

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Além disso, a expectativa é de que alguns clubes também liberem economias e consigam investimentos internacionais. Ainda que seja uma das ligas mais fortes da Ásia, o Campeonato Iraniano está distante da internacionalização de outros vizinhos. Cinquenta estrangeiros atuaram na última temporada do torneio, 16 deles brasileiros. A maioria deles, porém, pouco conhecidos até mesmo por aqui – como o atacante Tadeu (ex-Palmeiras) e o goleiro Nilson (ex-Náutico). Já entre os nomes de outros países, o mais conhecido é Michael Umaña, zagueiro costarriquenho que disputou a Copa de 2014.

O fato de se fechar às contratações internacionais ajuda o Irã a se manter como um dos principais formadores de jogadores da Ásia, dono de uma seleção forte para a região. Contudo, a abertura pode beneficiar a liga como um todo. “Apesar das sanções, o futebol pôde ir em frente e tivemos bons resultados nas competições internacionais, como a Copa do Mundo e a Liga dos Campeões da Ásia. Nós esperamos maiores sucessos a partir de agora, podendo revitalizar o futebol no futuro”, complementa Ganbarzade. Um passo para, quem sabe, os clubes competirem com mais força contra os elencos recheados da China, do Japão, do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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