Na Copa da Ásia, o que importa é a novidade

Em 2007, o Iraque superou todas as expectativas – e, de certa forma, o cenário perturbado do futebol no país – para conquistar a Copa da Ásia pela primeira vez em sua história. E, agora, quatro anos depois, o torneio volta a ser disputado num cenário efervescente: o Qatar, ainda eufórico por sua eleição para sede da Copa de 2022.
E os Marrons chegam para disputar o torneio em casa contando com uma certa diferença em relação a pesos-pesados do continente: uma equipe relativamente experiente, tendo jogadores como o meio-campista Wesam Rizik, de 29 anos, e o meio-campista Fábio Montezine, surgido no São Paulo, brasileiro naturalizado catariano, de 31 anos (há ainda outro naturalizado, o atacante boliviano Sebastián Soria). No entanto, o otimismo não tem razões práticas. Afinal, no ranking da federação asiática, a equipe só está à frente da Índia, dentre os participantes do torneio.
Ainda assim, antes de fazer o primeiro jogo do torneio, contra o Uzbequistão, pelo Grupo A nesta sexta, em Doha, o francês Bruno Metsu, comandante da equipe, mostrou confiança na campanha da equipe: “Nós vencemos [os amistosos] contra Egito e Estônia, e empatamos contra o Irã. São times muito duros.” Um de seus auxiliares, Said Al-Massnad, foi além: “Nossa meta é chegar à final. A chave para o sucesso depende de dois importantes elementos. O primeiro é o apoio que conseguimos da torcida, já que o campeonato será na terra deles, e o segundo é a sorte.”
Do lado dos uzbeques, o técnico Vadim Abramov conta com os gols do destaque da equipe, o atacante Maksim Shatskikh. Ainda assim, o técnico, que comanda a equipe desde abril de 2010, reconheceu a dificuldade que o Grupo A oferece: “Como anfitriões, o Qatar estará altamente motivado, como nenhum outro time. E todos sabem que a China também é forte.”
Entretanto, a China, que enfrenta o Kuwait no sábado, já começa a mostrar uma das grandes marcas das seleções mais famosas: a aposta em novidades. O técnico Gao Hongbo convocou um elenco jovem, com média de idade de 23 anos, e sem jogadores acima dos 30 anos. Apenas dois jogadores participaram da campanha curta da equipe na Copa de 2002: o zagueiro Du Wei, capitão da equipe, com 28 anos, e o atacante Qu Bo, de 29 anos. No entanto, nem eles são o destaque da equipe: este é o meio-campista Hao Junmin, único chinês a atuar fora do país, jogando pelo Schalke 04.
No entanto, Gao Hongbo prefere não criar expectativas para o desempenho dos jovens na Copa da Ásia, dizendo: “Se jogarem com o melhor de sua habilidade, já será o bastante.” Hongbo, inclusive, não descarta a volta de outros veteranos, como o atacante Shao Jiayi: “A Copa da Ásia é só um estágio de nosso trabalho. Se precisarmos deles futuro, então os convocaremos.”
E as seleções de maior êxito no continente também apostam em elencos renovados. Sob o comando de Alberto Zaccheroni, o Japão trouxe um elenco com maiores mudanças, em relação àquele que disputou a Copa do Mundo. Na equipe que estreia contra a Jordânia, no domingo, há destaques conhecidos, como o goleiro Eiji Kawashima, o lateral direito Atsuto Uchida, o meio-campista Keisuke Honda e o atacante Shinji Okazaki. No entanto, a nova geração também chega forte, capitaneada pelo atacante Shinji Kagawa, além de coadjuvantes como o meia Hajime Hosogai.
E a autoconfiança nipônica é grande. Zaccheroni ecoou a opinião de que o Nippon Team é favorito ao seu quarto título continental: “Com esta escalação, não devemos temer nenhum oponente.” O treinador italiano ainda acrescentou que o torneio servirá de introdução para os jovens jogadores: “Convoquei muitos novatos. Passaremos muito tempo nos preparando, e espero que, durante este tempo, eles entendam a minha filosofia.”
Estreando contra o Bahrein, na segunda, pelo Grupo C, a Coreia do Sul procura alternar-se. Dez dos 23 atletas convocados pelo técnico Cho Kwang-Rae estiveram no Mundial de 2010, e os experientes ainda persistem, como o lateral Lee Young-Pyo e o meio-campista Park Ji-Sung – que, por sinal, falou sobre a sensação de disputar a Copa da Ásia: “Tenho sentimentos misturados. No momento, estou jogando com confiança [no Manchester United], e me sinto um pouco estranho. Mas sempre estou feliz por me juntar à seleção.”
O técnico sul-coreano, por sua vez, ainda analisou o longo jejum do país no torneio (o último título foi conquistado em 1960): “Sinto que é melhor que não tenhamos o título asiático há 50 anos. Não há pressão sobre nós, mas, se vencermos desta vez será muito, muito valioso para o clube.” Kwang-Rae ainda comentou sobre como os Guerreiros Taeguk devem estar no campeonato: “Cada jogo será muito importante para nós. Para vencer o título, é crucial termos bons resultados na fase de grupos. Temos a meta de vencer nossa chave.”
A Austrália – que começa pegando a Índia, também na segunda – também fica entre veteranos e novatos. Ao mesmo tempo em que velhos conhecidos ainda figuram entre os Socceroos, como o goleiro Mark Schwarzer, os meias Jason Culina e Tim Cahill e o atacante Harry Kewell, há espaço para a chegada de gente como o meia Tommy Oar, de 19 anos – ou até de gente já com idade avançada, como o defensor Sasa Ognenovski, eleito o melhor jogador do continente em 2010.
Entretanto, os australianos chegam em baixa, após a eliminação ainda na primeira fase, na Copa do Mundo, e ainda lembram-se da saída nas quartas, na Copa da Ásia de 2007. E, em entrevista ao site oficial da Confederação Asiática, Cahill falou: “É muito difícil para mim considerar que somos favoritos. Sou realista. Nós não treinamos o bastante, e, obviamente, há muitos jogadores, e ainda precisamos nos unir. Mas ainda temos jogadores de alta qualidade, que jogam pelo mundo, e precisamos nos certificar de que atuamos bem juntos.”
No Grupo D, mesmo que chegue mais humildemente, após a má campanha na Copa das Confederações, o Iraque continua com um bom astral para começar, contra o Irã, na terça-feira. O atacante Younis Mahmoud, capitão da equipe, mencionou a situação do país ao falar sobre as chances do time: “Nossa ambição é sermos campeões de novo. Ao vencer a Copa [em 2007], fizemos o que nem os Estados Unidos nem o governo fizeram, que foi unir o país.” Já o técnico da equipe, o alemão Wolfgang Sidka, foi mais cauteloso: “Tentaremos alcançar as quartas de final, e aí vemos [o que ocorre].”
Também no grupo, a Coreia do Norte, que começa enfrentando os Emirados Árabes Unidos, conta primordialmente com os atletas que a defenderam na Copa do Mundo, como o goleiro Ri Myong-Guk, o lateral direito Ji Yun-Nam e o atacante Jong Tae-Se.
Confira os jogos da primeira rodada da Copa da Ásia
Grupo A
Qatar x Uzbequistão (7/janeiro)
Kuwait x China (8/janeiro)
Grupo B (9/janeiro)
Japão x Jordânia
Arábia Saudita x Síria
Grupo C (10/janeiro)
Índia x Austrália
Coreia do Sul x Bahrein
Grupo D (11/janeiro)
Coreia do Norte x Emirados Árabes Unidos
Iraque x Irã



