Melhor do continente

Com um investimento maciço, uma estrutura excepcional e um suporte contagiante dos torcedores, o Urawa Red Diamonds venceu a Liga dos Campeões da Ásia de maneira incontestável ao bater o Sepahan, do Irã, na final.
Analisando essencialmente o quesito qualidade não dá para comparar os ‘Reds’ com qualquer outra equipe do continente no momento.
A junção da filosofia alemã levada a cabo pelo treinador Holger Osieck – que herdou o plantel do compatriota Guido Buchwald – com o poderio financeiro, levaram o time de Saitama ao patamar máximo que um clube asiático pode atingir dentro do território continental.
O zagueiro Ricardo Cavalcante, que atuou 9 anos na Terra do Sol Nascente e hoje defende o Juventude nos conta que o campeão japonês vive realmente um grande momento.
“Esse titulo representa muito para o futebol japonês. O Urawa é realmente uma seleção com vários jogadores importantes e tem como destaque o Washington”.
Não podemos deixar de destacar também o espetáculo proporcionado pelos torcedores do Urawa Reds nas arquibancadas, que é de arrepiar até a alma!
São coreografias e cânticos executados e entoados de forma sublime. É impossível pensar que algum jogador da equipe vai esquecer aquilo tão cedo.
Dá para afirmar como nunca que hoje…..a Ásia é vermelha.
O Mundial Interclubes é no próximo mês e veremos como se comportará os comandados de Osieck, que tiveram uma temporada fatigante.
Repercussão
O jornal Daily Yomiuri, de forma ufanista, vibrou com o título asiático da equipe nipônica. Na reportagem de Shintaro Kano, destaque para as palavras do técnico Holger Osieck, que expressou que o futebol no Japão já não é apenas um jogo, nem entretenimento, mas está se tornando um fator social.
O diário Asahi Shimbun estampou “Domínio vermelho, baby”. A maneira como o atacante Yushiro Nagai descreve o primeiro gol do jogo chama a atenção.
“Eu apenas queria marcar o primeiro gol logo. Então, eu chutei a bola com o sentimento de ‘Vamos, entra logo!’.
Os heróis: Quem é quem no Campeão
RYOTA TSUZUKI
Não é um goleiro técnico como Narazaki e nem com a personalidade e a confiança de um Kawaguchi. O arqueiro do Urawa Reds é um esforçado que depois de muitos anos conseguiu se firmar como titular da baliza do atual campeão japonês.
NOBUHISA YAMADA
O capitão da equipe é peça chave no esquema do técnico Holger Osieck pela sua maturidade tática e dinâmica na transição defesa-ataque. Ocupando o corredor direito (ou esquerdo) com extrema eficácia, o ala de 32 anos não jogou as partidas finais devido a uma lesão, mas é intocável no ‘onze’ que irá ao Mundial em dezembro.
KEISUKE TSUBOI
Forma com o brasileiro naturalizado japonês Marcos Túlio uma das duplas de defesa mais impenetráveis da Ásia. Aos 28 anos, possui a velocidade necessária para anular atacantes de bom nível e é imprescindível na seleção nacional.
MARCOS TÚLIO TANAKA
Melhor jogador da última J-League 2006, o paulista de 26 anos é estimado aos extremos pelo técnico Osieck. Sem jogar a primeira partida da final, em Isfahan, voltou no derradeiro jogo que definiu o título em Saitama. Tem capacidade para atuar em solo europeu.
YUKE ABE
Milionário e versátil. O jogador japonês mais caro de todos os tempos joga como volante, zagueiro e lateral-esquerdo. O investimento feito para tirá-lo do JEF United mostrou ser acertado. Disponibilidade, entrega e uma perna direita exímia nos livres. Fez o gol que selou o titulo após cabecear a bola num rebote do goleiro iraniano.
KEITA SUZUKI
Vive seu auge. Tem sido incontestável na seleção e é o ponto de equilíbrio da equipe vermelha. Com destacável sentido posicional, distribui o jogo com clareza, sempre com toque curto e apoiado. Se marcasse com mais contundência seria o melhor volante da Ásia.
MAKOTO HASEBE
Elegante no transporte da bola, tem se tornado cada vez mais apreciado por clubes europeus. Qualidade no passe e equilíbrio exibicional. Se seguir assim, deverá jogar a próxima Copa do Mundo pelo Japão.
SHINJI ONO
Tem uma presença muito importante no time, pois é quem dita o ritmo do jogo. Seu desfalque na final foi sentido, especialmente pela falta de circulação de jogadas no flanco direito. Ao longo da competição, mostrou o amadurecimento que os anos no futebol europeu lhe proporcionaram.
ROBSON PONTE
Jamais foge da responsabilidade e foi o mais decisivo ao longo do torneio. Insinua, passa e dribla no momento adequado. Seu gol contra o Sepahan, na primeira partida da final, foi um disparo impecável! O ‘10’ do Urawa virou ídolo dos fanáticos torcedores e está esbanjando categoria no oriente.
YUCHIRO NAGAI
Perigoso ao cair pelos lados e aparecer na área para arrematar. Conseguiu achar espaço no ataque da equipe ao lado do brasileiro Washington apesar da feroz concorrência com o arisco Tatsuya Tanaka e o veterano Okano. Marcou
o primeiro gol na finalíssima. Aos 28 anos, faltou maior regularidade para atingir níveis mais altos.
WASHINGTON
Segue motivado e marcando muitos gols. Quase marcou um gol antológico ao arriscar do meio de campo e acertar o travessão adversário de leve. Ao contrário do que muitos dizem, não é só um ‘tanque’ enfiado na área. O maior goleador da história de um Campeonato Brasileiro (2004) é um atacante oportunista e fortíssimo mentalmente. Capaz de triunfar sob as mais adversas situações. Um lutador.
OUTROS
Satoshi Horinouchi substituiu o capitão Yamada na final. Ele já havia entrado em alguns jogos. Aos 28 anos, é um lateral/defensor esforçado.
Outro que atuou bem na defesa foi o brazuca Nenê. O ex-corinthiano foi ótimo no primeiro jogo da final no Irã quando substituiu Marcos Túlio. Experiente e seguro.
Tadaaki Hirakawa foi o substituto de Shinji Ono na reta final do torneio. Discreto e decisivo. Marcou a penalidade final contra o Seongnam Ilhwa Chunma nas semifinais, feito que classificou ao ‘Reds’ para a final.
Não poderíamos esquecer o avançado Tatsuya Tanaka, com sua leveza e dribles executados em alta velocidade, foi um dos destaques.



