Ásia/Oceania

Mais uma decisão neozelandesa na LC da Oceania

Em termos de clubes, o futebol da Oceania teve apenas um senhor nas quatro primeiras edições da Liga dos Campeões (1987, 1999, 2000-01 e 2004-05): os times australianos dominaram as ações, ao superarem na final não adversários da Nova Zelândia, mas de Fiji (Nadi, em 1999), Vanuatu (Tafea, em 2000-01) e Nova Caledônia (Magenta, em 2004-05) – em 1987, houve um jogo entre Adelaide City (Austrália) e University Mount Wellington (Nova Zelândia), que terminou 1 a 1, com o primeiro derrotando o adversário nos pênaltis, por 4 a 1.

A partir de 2006, a confederação de futebol da Oceania passou a tratar o torneio com mais atenção, organizando a disputa por temporada. E a partir daí, a Nova Zelândia ditou o ritmo dos títulos em quase 100% das edições, graças à mudança da Austrália para a entidade que rege o futebol asiático.

Rivalidade

Nas sete edições desde então, o continente observou uma disputa doméstica entre os dois maiores times neozelandeses, ambos completamente amadores, diga-se de passagem. Em 2006, o Auckland City teve tranquilidade ao vencer o Pirae (Tahiti) na disputa do caneco, já que o Youngheart Manawatu (Nova Zelândia) caiu diante dos tahitianos na semifinal – a equipe foi a única da Nova Zelândia a quebrar a hegemonia dos gigantes nacionais (Auckland City e Waitakere United), que desde 2007 representam o futebol mais forte da Oceania na Liga dos Campeões.

O primeiro confronto entre Waitakere e Auckland ocorreu em 2007, empate de 2 a 2. Ao final de quatro rodadas, o Waitakere levou a melhor pelo saldo de gols (8 a 6) e avançou rumo ao título da competição, vencendo na final o Ba (Fiji). Na edição seguinte (2007-08), o time novamente se deu melhor sobre o rival, somando oito pontos, um a mais que o Auckland City. Na final, o Waitakere levou um susto com a derrota de 3 a 1 para o Kossa (Ilhas Salomão), fora de casa, mas tudo voltou aos conformes no jogo de volta, com goleada de 5 a 0.

A primeira vez em que o Auckland City deixou o oponente a ver navios foi em 2008-09, com um empate em casa (2 a 2) e um triunfo fora (3 a 1), suficientes para a equipe acumular dez pontos, distância de três para o Waitakere. Na definição do campeão, muita facilidade para o time de Auckland, com 7 a 2 sobre o Koloale (Ilhas Salomão) fora de casa, além de um empate em seus domínios (2 a 2).

A maior diferença de pontos entre os dois clubes aconteceu em 2010-11, quando ambos participaram do Grupo B, que também contava com Magenta e Tefana (Tahiti). O Auckland terminou os seis jogos com 14 pontos e apenas dois gols sofridos, desempenho bem melhor do que o do Waitakere, que perdeu dois jogos (um deles para o Tefana, fora de casa, por 3 a 1), além de ter levado oito gols. Na finalíssima, nenhuma dificuldade para o Auckland, que venceu o Amicale (Vanuatu) duas vezes, placar agregado de 6 a 1.

Na edição passada (2011-12), os dois representantes da Nova Zelândia ficaram em chaves distintas, mas apenas o Waitakere deu vexame… Pelo Grupo A, a equipe começou a campanha com um sonoro 10 a 0 sobre o Tefana, mas tudo se perdeu quando os dois times se enfrentaram, desta vez no Tahiti. Vitória do adversário por 3 a 0, combinada com nova derrota dos neozelandeses para o Ba, por 3 a 2, culminou na classificação dos tahitianos, por um ponto. Na outra chave, o Auckland cumpriu seu papel ao somar 13 pontos, dois a mais que o Hekari United (Papua Nova Guiné). Na final, vitórias apertadas sobre o Tefana, placar agregado de apenas 3 a 1. Curioso é o feito do Hekari, o único clube da Oceania até hoje a quebrar a hegemonia de Austrália e Nova Zelândia na Liga dos Campeões…

Histórico

Em 2009-10, Waitakere United e Auckland City fizeram parte do Grupo A, terminando com o mesmo número de pontos (12). Por um gol de saldo, o Waitakere ficou à frente do adversário, se garantindo na grande final. Na outra chave, o Hekari United disputou a vaga com o Lautoka (Fiji), vencendo o embate ao acumular 13 pontos, um a mais que o time fijiano.

Assim, Em 17 de abril, as duas equipes entraram em campo, em Papua Nova Guiné, para o primeiro jogo da final. Com o meia brasileiro Dimas da Silva no banco de reservas do Waitakere – jogou na base do Fortaleza e no Votuporanguense –, os neozelandeses sofreram com o forte calor de Port Moresby e saíram derrotados por 3 a 0, com dois gols do atacante Kema Jack. Na volta, em 2 de maio, o Waitakere conseguiu a vitória, mas o placar de 2 a 1 foi insuficiente para evitar a primeira grande zebra do continente.

O Hekari jogou o Mundial de Clubes, mas perdeu para o Al Wahda

Nova batalha

Na temporada 2012-13, Waitakere e Auckland irão se enfrentar novamente, desta vez numa inédita disputa de título. A temporada da LC do Oceania começou ainda em maio de 2012, numa fase preliminar que contou com Tupapa Maraerenga (Ilhas Cook), Lotoha’apai United (Tonga), Kiwi (Samoa Ocidental) e Pago Youth (Samoa Americana).

Com sete pontos, os cookenses avançaram para os playoffs, em que enfrentaram o Mont Dore (Nova Caledônia), equipe de pior campanha na fase de grupos da edição anterior. Como era de se esperar, vitória fácil do Mont Dore, por 3 a 1. Já pelo Grupo B, os caledônios somaram apenas um ponto em seis jogos, já que enfrentaram os dois gigantes neozelandeses, além do AS Dragon (Tahiti) – os rivais seguiram em frente.

No Grupo A, o campeão heroico Hekari United ficou na lanterna e viu Ba e Amicale avançarem para as semifinais. O Waitakere fez 4 a 1 (dois jogos) no time de Vanuatu, enquanto o Auckland humilhou o Ba, por 7 a 1. No próximo dia 19 de maio, os dois fazem o jogo único da final, a ser disputado em Auckland.

Ao analisar o elenco dos dois times, percebe-se jogadores mais importantes no Auckland, como o meia espanhol Manel Expósito, ex-Barcelona B, o atacante sérvio Daniel Koprovcic, que já jogou no rival, além do veterano zagueiro neozelandês Ivan Vicelich, 36 anos, um dos poucos que faz parte da seleção principal da Nova Zelândia – o outro é o goleiro reserva Jacob Spoonley, 26.

Porém, o Waitakere conta com o bom atacante fijiano Roy Krishna, já retratado nesta coluna, autor de seis gols na competição, atrás de Adam Dickinson e Manel Expósito (ambos do Auckland), com sete e seis, respectivamente – o artilheiro é o nigeriano Sanni Issa, com nove gols. O zagueiro Aaron Scott, da seleção neozelandesa, também será importante no jogo de 19 de maio. Quem levará a melhor e estará no Mundial de Clubes da FIFA 2013?

Curtas

– Na Liga dos Campeões, o retrospecto entre os rivais é apertado. O Auckland tem duas vitórias, enquanto o Waitakere computa uma, além de sete empates. O Auckland marcou 15 gols, contra 13 do adversário. Em número de títulos, 4 a 2 para o Auckland.

– É do Auckland City a partida com mais gols na Liga dos Campeões, na vitória de 12 a 2 sobre o Mont Dore, pela primeira fase da atual edição. A equipe também tem o melhor ataque (25 gols) em uma temporada, desde 2007. Os dois rivais têm o maior número de jogos no torneio (42), mas foi o Auckland que passou mais tempo sem perder (27), entre 20 de fevereiro de 2008 e 4 de março de 2012.

– Além da disputa entre os dois clubes, os atletas também terão pelo que brigar. Roy Krishna, do Waitakere, é o maior goleador da história, com 17 gols, seguido pelos rivais de time Daniel Koprivcic (16) e Manel Expósito (15).

– O Auckland City foi quem mais participou do Mundial de Clubes, em quatro oportunidades, com duas vitórias (Al Ahli/Emirados Árabes e TP Mazembe/RD Congo) e seis derrotas. Já o Waitakere perdeu os dois jogos que disputou (Sepahan/Irã e Adelaide City/Austrália). No prisma doméstico, quem leva a melhor é o Waitakere, com cinco títulos (é o atual vencedor), um a mais que o oponente.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo