Ásia/Oceania

Mais robusta e competitiva

A Liga dos Campeões da Ásia cresce a cada ano e os investimentos tem tornado a competição cada vez mais conceituada. As principais novidades para a edição de 2009 são a expansão para 32 clubes e o acerto de um novo patrocinador, a Companhia telefônica Qtel, do Catar.

 Na etapa inicial os clubes são divididos em oito grupos com quatro equipes. Os dois primeiros de cada chave se classificam para as oitavas-de-final, que acontecem em maio e junho.

O campeão tem vaga no Mundial de Clubes da FIFA, que será disputado em dezembro, nos Emirados Árabes Unidos. O Gamba Osaka, do Japão, é o atual detentor do troféu. Abaixo, as análises de cada grupo.

GRUPO A
Al-Hilal (Arábia Saudita)
Pakhtakor (Uzbequistão)
Al-Ahli (Emirados Árabes Unidos)
Saba Battery (Irã)

Existe uma ligeira vantagem para o Al-Hilal e o Al-Ahli pelo fato de ambos estarem atravessando um bom momento e nesta época estão no esplendor de suas formas.
O Pakhtakor está começando agora a temporada e mesmo com um time entrosado, larga em desvantagem nesse sentido. Apesar de não passar da fase de grupos da LC desde 2004, os uzbeques merecem atenção. Teoricamente o clube saudita é o que reúne as melhores ferramentas para se classificar: dinheiro, estrutura e qualidade.
O ataque dos azuis de Riad, formado pelo trio de meias-atacantes Wilhelmssom, Tarik Al-Taib e Seol Ki-Hyeon, todos abastecendo o astro Yasser Al-Qatani (bola de ouro na Ásia em 2007) é de dar inveja em qualquer clube do continente.
Os iranianos do Saba Battery, apesar da estabilidade financeira, não investiram a ponto de sonhar com uma LC gloriosa e dependem demais dos gols do veterano Fereydon Fazli, que costuma render melhor em campeonatos domésticos. Os emirenses do Al-Ahli, do gigante atacante brasileiro Baré, e o Pakhtakor, de Fábio Pinto, ex-Inter/RS, são os únicos que podem dar luta aos sauditas, favoritos nesta chave.

GRUPO B
Persepolis (Irã)
Al-Shabab (Arábia Saudita)
Al-Gharafa (Catar)
Sharjah (Emirados Árabes Unidos)

Três nomes próprios. Persepolis, Al-Shabab e Al-Gharafa. Os três partem em pé de igualdade. O campeão iraniano trocou de técnico três vezes nesta temporada e quem comanda agora é o português Nelo Vingada, ex-seleção da Jordânia.
Contando com as arrancadas de Alireza Nikbakht, os holofotes também apontam para os meias Karim Bagheri e Ali Karimi, ex-Bayern de Munique. Experientes, são os líderes de uma equipe que volta as competições continentais após seis anos. Muito tempo para uma torcida que beira os 30 milhões de adeptos segundo a Confederação Asiática de Futebol (AFC).
O Al-Shabab, dos brasileiros Ricardo Bóvio e Camacho, encontra dificuldades para superar Al-Ittihad e Al-Hilal em solo saudita, mas com a chegada do artilheiro kuwaitiano Ahmad Ajab, pode fazer estragos nesta LC. Já os catarianos do Al-Gharafa, dirigidos por Marcos Paquetá, tentam acabar com o estigma dos clubes do País de realizarem péssimas campanhas na LC.
Ninguém na Ásia entende como é possível os milionários elencos bancados pelo xeique Bin Al-Thani fracassarem no torneio continental. O Sharjah é o patinho feio do grupo.
Aqui, iranianos, sauditas e catarianos brigam.

GRUPO C
Al-Jazeera (Emirados Árabes Unidos)
Esteghlal (Irã)
Al-Ittihad (Arábia Saudita)
Umm-Salal (Catar)

É uma das chaves mais fortes. O Al-Jazeera, de Abel Braga, Rafael Sobis e Fernando Baiano, atravessa uma grande fase e detém o ataque mais poderoso. O que pode pesar é a pouca experiência internacional do elenco.
O Esteghlal lidera a Liga Iraniana e o ambiente hostil criado por sua torcida é uma grande arma. Mas precisa ter mais personalidade fora dos seus domínios, algo que já é exposto há alguns anos. Já o Al-Ittihad é o time mais em forma na Peninsula Arábica, além da enorme tradição em competições continentais. Mas ao contrário de 2004 e 2005, quando levantou o troféu, já não há individualidades que excitam os torcedores.
Correndo por fora está o emergente Umm-Salal, do goleador Magno Alves, um time que não vive um bom momento na Q-League. Mas a empolgação pela estréia na LC e os bons elementos que o elenco possui, fazem acreditar que, no mínimo, não venderão barato as derrotas.

GRUPO D
Bunyodkor (Uzbequistão)
Al-Shabab (Emirados Árabes Unidos)
Sepahan (Irã)
Al-Ettifaq (Arábia Saudita)

Na atualidade Bunyodkor e Sepahan são os mais consistentes da chave. O time uzbeque já estreou na LC surpreendendo ao atingir as semifinais no ano passado. Com excepcional capacidade financeira, pretendem se tornar uma potência na região sob a batuta do astro brasileiro Rivaldo, bola de ouro em 99, e estrela da equipe de Tashkent.
O Sepahan foi vice-campeão em 2007 e mantém um leque de jogadores daquela campanha, inclusive a dupla de possantes defensores Hadi Aghily e Mohsen Bengar. Os aurinegros de Esfahan tem a melhor defesa da Liga Iraniana e querem recuperar o prestígio no torneio continental.
Menos cotados estão o Al-Shabab, campeão emirense e dirigido por Toninho Cerezo, e os sauditas do Al-Ettifaq. A equipe alviverde dos Emirados Árabes faz má campanha na Liga Nacional e depende demais da inspiração dos meias brasileiros Marcos Assunção (ex-Santos, Roma e Betis) e Renato (ex-Corinthians e Flamengo). Já o clube de Dammam, extremo leste da Arábia Saudita, tem um treinador sem experiência na Ásia (Ioan Andone, romeno).
Com um elenco limitado e sem ‘canja internacional’, se torna refém dos lampejos de Saleh Basheer, bandeira do time, e do promissor ganês Prince Tagoe. Uzbeques e iranianos são favoritos.
 

GRUPO E
Ulsan Hyundai Horang (Coréia do Sul)
Newcastle Jets (Austrália)
Beijing Guoan (China)
Nagoya Grampus (Japão)

O favoritismo de japoneses e sul-coreanos é evidente. Pelo menos para passar da fase de grupos. O Nagoya Grampus vem crescendo depois que o sérvio Dragan Stojkovic assumiu o comando no ano passado e os reforços foram bastante pontuais.
O Ulsan Hyundai é dono de um plantel experiente e um treinador competitivo e com larga vivência na seleção da Coréia do Sul (Kim Ho-Gon). Os ‘tigres’ tem ferramentas para passarem desta fase inicial com relativa facilidade.
Os outros dois integrantes da chave, Beijing Guoan e Newcastle Jets, são menos cotados. Os chineses mudaram pouco em relação ao time que foi um fiasco na LC de 2008 e os australianos vem de uma temporada frustrante ficando com a lanterna da A-League 2008/9. É inegável que as mudanças que o elenco sofreu vão demorar para ‘dar liga’.
Nagoya e Ulsan Hyundai tem mais substâncias que os outros.

GRUPO F
Gamba Osaka (Japão)
FC Seoul (Coréia do Sul)
Sriwijaya (Indonésia)
Shandong Luneng (China)

Aqui fica evidente o equilíbrio entre Gamba Osaka e FC Seoul, com uma possível surpresa que pode surgir do Shandong Luneng.
O Gamba, atual campeão, se mantém muito forte com um time entrosado que atua junto há muitos anos. A defesa, que era o ‘calcanhar de aquiles’, foi reforçada e com a fantástica fase do meia Yasuhito Endo, os brasileiros Lucas e Leandro prometem formar uma das duplas ofensivas mais afinadas do torneio. Tudo arquitetado pelo competente treinador Akira Nishino, eleito o melhor do continente em 2008.
Os sul-coreanos tem uma torcida fanática e contam com o turco Senol Gunes, um treinador ‘top level’ e ‘copeiro’. Foram inteligentes ao não modificar a espinha dorsal do time vice-campeão nacional no ano passado e reúnem subsídios para discutir uma posição entre os melhores.
Candidato a surpresa é o Shandong Luneng, campeão chinês e dirigido pelo conceituado técnico sérvio Ljubisa Tumbakovic, maior ganhador de títulos nacionais pelo Partizan. O ‘Real Madrid da China’ é o maior papão de taças no país e tenta – mais do que nunca – a afirmação fora do âmbito doméstico.
Já o Sriwijaya, campeão indonésio de 2007, não tem ferramentas para sonhar com uma classificação na LC, que só servirá para dar visibilidade para seus futebolistas.

GRUPO G
Shanghai Shenhua (China)
Kashima Antlers (Japão)
Suwon Samsung Bluewings (Coréia do Sul)
Singapore Armed Forces (Cingapura)

A maior expectativa para esta chave será o duelo de titãs entre o Kashima Antlers, campeão japonês, e o Suwon Samsung Bluewings, campeão sul-coreano. Ambos também são favoritos para se classificarem.
O time nipônico é o mais entrosado e um dos principais concorrentes ao título. O técnico Oswaldo de Oliveira levou o Antlers ao bicampeonato nacional e ganhar a taça continental é obrigação em Ibaraki. Já os ‘Bluewings’ também entram como o principal clube da Coréia do Sul a almejar o título da LC deste ano. Tem o melhor plantel do País e vem embalado pela conquista do título nacional sob o comando do lendário Cha Bum-Kun.
Os chineses do Shanghai Shenhua tem menos chances de passar de fase em relação aos compatriotas do Shandong Luneng, que estão no Grupo F.
A chegada do atacante bielo-russo Vyacheslav Hleb – irmão de Aleksander Hleb, do Barcelona, da Espanha – é a grande atração do Shenhua. Junto de algumas figuras da seleção chinesa, ele tentará pelo menos ajudar o time a não fazer feio contra os gigantes Kashima e Suwon Bluewings e bater o Singapore Armed Forces.
Por falar na equipe de Cingapura, é o primeiro clube do País a participar da competição desde que o novo formato foi adotado em 2002/3. Entra para pegar experiência num grupo onde a classificação já está praticamente nas mãos de japoneses e sul-coreanos.

GRUPO H
Central Coast Mariners (Austrália)
Tianjin Teda (China)
Kawasaki Frontale (Japão)
Pohang Steelers (Coréia do Sul)

Essa é uma chave onde os clubes tem reconhecida qualidade, mas que não foram protagonistas das suas ligas nacionais em 2008. Por experiência e tradição, o ‘Steelers’ larga na frente dos demais.
Os campeões sul-coreanos de 2007 ainda tem o brasileiro Sérgio Farias no comando técnico e 2009 deverá ser sua última chance de fazer uma boa campanha na LC. O Kawasaki Frontale é um clube em ascensão e pode ser o novo ‘Jeonbuk Motors’, clube secundário da Coréia do Sul que abocanhou a competição em 2006. Os ‘blue dolphins’ já fizeram uma ótima campanha em 2007 e desta vez voltam mais maduros para tentar ir mais longe.
A grande atração do Tianjin Teda, da China, é o volante italiano Damiano Tommasi, ex-Roma, que assinou para ser a principal figura da equipe. Na prática, não deverá ajudar o time de Tianjin a atingir posições expressivas. Já os australianos do Central Coast Mariners tem uma equipe esforçada que chegou na reta final da A-League aos trancos e barrancos e dificilmente vai surpreender nesta edição da LC.
Nesta chave, Steelers e Frontale são os mais gabaritados.

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Equipe Trivela

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