Ásia/Oceania

Lições para o futuro

 A Coreia do Norte fez a pior campanha dentre as 32 seleções desta Copa do Mundo. Chegando como desconhecida de quase todo o planeta, o time mostrou boa consistência defensiva na estreia contra o Brasil, quando perdeu apenas por 2 a 1. No segundo jogo, fez 45 minutos jogando de igual para igual contra Portugal, indo para o vestiário perdendo por apenas 1 a 0.

Porém, o segundo tempo contra Portugal deixou marcas indeléveis na equipe. Os seis gols sofridos marcaram não só a maior goleada da competição, como também afetaram a confiança dos jogadores e do treinador Kim Jong-hun. Na partida de despedida, mais uma derrota, por 3 a 0, diante da Costa do Marfim – que só não se tornou em outra goleada por conta da má pontaria dos africanos.

Mesmo fazendo apenas um gol em 37 chutes dados nos três jogos, e tendo a defesa mais vazada desde a Arábia Saudita, em 2002, Jong-hun diz que tanto ele quanto os jogadores puderam tirar importantes lições do Mundial.

“Esta Copa do Mundo nos proporcionou uma experiência útil que lançou os alicerces para o nosso desenvolvimento futuro. “Enquanto os rivais podem tirar partido da sua superioridade técnica em finalizar, não fomos capazes de fazê-lo. A nossa falta de habilidade na finalização fez com que fosse impossível ganhar um jogo. Temos que trabalhar muito para melhorar isso”, analisou o treinador norte-coreano.

O atacante Jong Tae-se chegou à Copa cercado de expectativas, principalmente por causa do apelido de “Rooney asiático”. O jogador do Kawasaki Frontale exibiu até boa movimentação em campo, mas a comparação com o jogador inglês mostrou-se exagerada. Tae-se passou os três jogos sem marcar.

“Lamentamos a má campanha, mas há um abismo entre a nossa técnica e a dos nossos adversários. Agora vimos do que os melhores jogadores e equipes são capazes. Definitivamente, possuem uma larga vantagem sobre nós mentalmente, fisicamente e tecnicamente”, analisou.

A Coreia do Norte terá uma nova oportunidade de mostrar seu jogo ao mundo em janeiro do ano que vem, quando disputa a fase final da Copa da Ásia, no Catar. Em um grupo com Irã, Iraque e Emirados Árabes, a expectativa é que a preparação possa ser melhor e que os norte-coreanos consigam avançar de fase.

O orgulho dos Kiwis
A Nova Zelândia também deixa a África do Sul eliminada. E assim como a Coreia do Norte, tirou boas lições para o futuro do futebol no país. Porém, ao contrário dos asiáticos, os All Whites podem se orgulhar de ter entrado para a história das Copas de maneira positiva.

Primeiro, por ter saído de maneira invicta da fase de grupos mesmo sem se classificar, o que apenas Escócia (1974), Camarões (1982) e Bélgica (1998) haviam conseguido. Depois, e mais importante: seguraram um empate com a atual campeã do mundo, a seleção italiana; e terminaram em terceiro lugar no grupo F, à frente justamente da Itália.

A campanha invicta deixou os neozelandeses em um inesperado 22° lugar, à frente de seleções tradicionais como Sérvia, Dinamarca, Grécia e França – todas muito acima da Nova Zelândia no ranking da Fifa.

O técnico Ricki Herbert declarou, depois do jogo contra o Paraguai, que selou a eliminação dos Kiwis, que sua equipe estava “orgulhosa e desapontada ao mesmo tempo” pelo que tinham conseguido em gramados sul-americanos. “Terminamos invictos, mas eliminados. Estou orgulhoso, e ninguém vai tirar de mim o que foi feito aqui. Jogamos sempre com três atacantes, o que poucas seleções fizeram neste mundial. Sair da competição invictos e à frente da Itália, atual campeã, é uma marca fora de série e é algo de que devemos nos orgulhar muito”, analisou o treinador.

O futebol da Nova Zelândia tem tudo para ganhar um novo impulso. No ano passado, a seleção sub-17 conseguiu, pela primeira vez, levar o país a segunda fase de uma competição Fifa, em qualquer nível ou sexo, no Mundial. O Wellington Phoenix, time que é base da seleção e também dirigido por Herbert, se classificou para os playoffs da A-League, da vizinha e rival Austrália, e por pouco não chegou à decisão do título.

A Copa do Mundo foi a cereja do bolo. Com uma equipe formada por jogadores que atuam predominantemente no país – alguns ainda na liga semiprofissional – e mais que isso: que são descendente dos maori, linhagem nativa da Nova Zelândia. Além da ascensão no ranking da Fifa, a equipe terá como caminho natural a ida de alguns jogadores para o futebol inglês, mesmo que seja em clubes da Championship. Mas de qualquer forma, o intercâmbio faz com que o nível de jogo da equipe melhore.

Já se sabe, porém, que os neozelandeses serão olhados com menos desdém nas próximas competições. E só por isso, Ricki Herbert e seus jogadores já merecem todos os elogios.

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Equipe Trivela

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