Ásia/Oceania

Kiwis ou zebras?

Quando, em dezembro do ano passado, o sorteio dos grupos da Copa do Mundo colocou a Nova Zelândia no Grupo F, ao lado de Itália, Eslováquia e Paraguai, nem o mais otimista dos torcedores dos All Whites acreditava em uma classificação da equipe para as oitavas de final. O sentimento dos torcedores era que a ida da equipe para um Mundial, 28 anos depois de sua estreia, já premiava o esforço do treinador Ricki Herbert e seus jogadores, que se classificaram de maneira quase épica nos confrontos de playoffs contra Bahrein. Basta lembrar que o goleiro Mark Paston defendeu um pênalti nos acréscimos do jogo de volta, em Wellington.

Com exceção da Coreia do Norte, pouco conhecida de todos os participantes, a seleção neozelandesa era a menos cotada para conseguir algo digno de nota no Mundial. Efetivamente, pensava-se que o time perderia os três jogos – eventualmente, levando uma ou duas goleadas – e voltaria pra casa feliz por ter participado do maior torneio do futebol do planeta.

Porém, quando a bola rolou em gramados sul-africanos, confirmou-se a tese de Ricki Herbert, que, mesmo sob a desconfiança de quase todo o mundo, sempre disse que o time seria capaz de surpreender no Mundial. Dito e feito: depois de arrancar um empate na última bola contra a Eslováquia, os neozelandeses conseguiram a maior façanha da história do futebol do país: empataram com a Itália por 1 a 1. Mais que isso: por 22 minutos, para espanto do planeta, estiveram em vantagem no placar contra os atuais campeões mundiais.

O jogo em si não foi muito diferente do encontro contra a Eslováquia. A Nova Zelândia achou um gol de bola aérea, como é o estilo de jogo da equipe. Shane Smeltz, em posição de impedimento, abriu o marcador logo aos 7 minutos de jogo. Depois, o time fez o esperado: recuou e ficou se defendendo, a espera de outro contra-ataque para tentar fazer mais um gol.

Aos 29 minutos, em um pênalti cavado por Daniele de Rossi, Vincenzo Iaquinta bateu no canto de Paston para empatar a partida. A Itália iniciou, então, uma blitz para virar o marcador. Porém, além de tropeçar na nulidade de criação de seu meio-campo, encontrou uma barreira de 10 jogadores a proteger o gol de Paston. No máximo, os italianos conseguiam escanteios – foram 15 a favor dos italianos e nenhum para os neozelandeses.

Como no jogo aéreo, a Nova Zelândia levou ampla vantagem, o time conseguiu parar – a base de muitas faltas, é verdade (25, contra 11 italianas) – uma pouquíssimo inspirada Squadra Azzurra, que deu 23 chutes a gol em todo o jogo, mas só conseguiu que sete fossem a meta de Paston – melhor nome em campo, apesar da votação pela internet no site da Fifa ter dado o prêmio a de Rossi.

Sejamos justos: em que pese o choque por um resultado tão inesperado, antes da bola rolar, a incapacidade técnica italiana acabou por fazer justo o marcador, para delírio de torcedores e jogadores neozelandeses, bem como do técnico Herbert.

“Acho que o nosso país, que tem quatro milhões de habitantes, parou para ver a nossa atuação. Esse resultado é sensacional para o futebol neozelandês. É histórico, melhor do que tudo que já conseguimos, tendo em conta a tradição do adversário. A partir de agora, tudo é possível. Estamos nos saindo muito bem para uma equipe que não tinha o que fazer na Copa do Mundo, como diziam alguns”, declarou o treinador na entrevista coletiva.

Depois de duas rodadas, italianos e neozelandeses entram em campo na quinta-feira em condições rigorosamente iguais, empatados em todos os critérios, para definir sua sequência no Mundial – um cenário surreal antes do início do torneio. Teoricamente, a Nova Zelândia está em desvantagem, já que enfrenta um Paraguai em ascensão e líder do grupo, enquanto a Itália pega a Eslováquia, lanterna com apenas um ponto.

Em caso de empate nos dois jogos pelo mesmo placar, a sorte de italianos e neozelandeses no mundial será decidida por um sorteio, já que estão empatados em todos os quesitos possíveis, esportivamente falando.

Mas nesta Copa cheia de surpresas, os Kiwis – como também é conhecida a equipe, por conta da ave que é símbolo do país – acreditam que podem chegar às oitavas. E ao contrário do kiwi, a ave, que não voa, os jogadores neozelandeses acreditam que podem fazer história no Mundial. Quem foi mesmo que disse que kiwis não voam?

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo