Ásia/Oceania

Juninho x Jardel: até os cangurus vão parar

O primeiro surgiu no São Paulo no começo dos anos 90 e abriu, definitivamente, as portas para os brasileiros no futebol inglês. O segundo brilhou no Grêmio, onde conquistou a Libertadores da América de 95, e em Portugal, artilheiro no Porto e no Sporting.

Um teve o contrato rescindido pelo Flamengo neste ano após se desentender com o então técnico Ney Franco. Outro coleciona fracassos e mais fracassos desde sua saída do Sporting, na temporada 2002/2003. Juninho Paulista e Jardel já foram ídolos dos times por onde passaram. Foram…

Mas, hoje na Austrália, ambos com 34 anos, os dois são novamente estrelas. Aventuram-se no outro lado do mundo, no escondido e desconhecido futebol australiano. “Fui muito bem recebido na Austrália e quero retribuir o carinho da torcida. Será um desafio novo em minha carreira”, disse Juninho, logo no começo da nova jornada.

Contratados para serem as estrelas de seus respectivos times, Juninho, no Sydney FC, e Jardel, no Newcastle Jets, vão estar frente a frente neste sábado, pela 6ª rodada da A-League, a recém-criada liga de futebol da Austrália e Nova Zelândia. Torcedores, imprensa e a própria liga estão ansiosos pelo o encontro. Mas isso só vai acontecer se o técnico do Jets quiser…

O primeiro dos três duelos – entenda mais abaixo o porquê – entre os dois promete, mas pode não acontecer. Promete porque o Sydney, campeão na primeira temporada, é apenas o quinto com cinco pontos. Já o Newcastle segue invicto e, com nove pontos, é o vice-líder.

No entanto, o técnico do Jets, Gary van Egmond, pode ser o grande estraga-prazeres do momento. Isso porque, o comandante de Jardel mandou um aviso: espera colocá-lo em campo apenas no segundo tempo se o jogo já estiver definido. A declaração tem explicação.

Apesar de ter sido a grande contratação do clube para a temporada, a imprensa australiana já deu uma cutucada e questionou a condição física do jogador. Por enquanto, ela está certa. Em cinco rodadas, Jardel não começou como titular em nenhum jogo. Entrou em apenas dois, somando 30 minutos jogados, e ainda não balançou as redes.

Do lado adversário, o técnico do Sydney, George Perry, está feliz. Contrariando as expectativas de que Juninho só voltaria depois de seis semanas por conta de uma lesão no ombro, Perry viu o brasileiro se recuperar antes do tempo. Portanto, pode utilizar o pentacampeão mundial no jogo deste sábado.

Contratado para substituir Dwight Yorke, ex-Manchester United, que nos últimos anos foi o grande ídolo do Sydney, Juninho assinou contrato de um ano com o clube da Terra dos Cangurus. Pela lesão que teve, só jogou as duas primeiras rodadas, deu uma assistência para gol, e desfalcou o time no restante dos jogos.

Bons amigos, Juninho e Jardel se falam por telefone desde que chegaram à Austrália. Sabedor das habilidades de Jardel, Juninho deixou claro que ainda teme o atacante. “Ele é um jogador perigoso. Nós teremos que tomar cuidado porque ele é um jogador muito inteligente que vai procurar espaço dentro da nossa área”, disse Juninho.

Agora, torcedores de São Paulo e Grêmio, é só torcer para que o técnico do Newcastle Jets tenha bom senso e escale Jardel como titular para que o reencontro, um tanto quanto histórico, aconteça. Todos os noventa minutos!

Nova liga é um sucesso

Como escrevi acima, não se pode negar que o futebol na Austrália é desconhecido. Apesar disso, dirigentes e políticos decidiram dar uma nova cara à principal competição nacional. Quando Frank Lowy, presidente da Football Federation Australia, órgão que rege o futebol na Austrália, anunciou em outubro de 2003 que uma força tarefa iria ser criada, a esperança de que uma nova competição nacional fosse criada aumentou.

Após seis meses de planejamento, a estrutura da competição foi finalmente revelada. Oito times iriam fazer parte da nova competição, sendo um de Sydney, Melbourne, Brisbane, Adelaide, Perth, Newcastle, mais um time da Nova Zelândia e outro de outras cidades com interesse. A data de início seria, e foi, em agosto de 2005.

Depois de várias propostas de criações de times, os oito escolhidos foram revelados em 1º de novembro de 2004 e eram, oficialmente, os participantes da futura A-League. As oito franquias premiadas foram: Adelaide United, Central Coast Mariners, Melbourne Victory, Newcastle Jets, Perth Glory, Queensland Roar, Sydney FC e o, hoje extinto, New Zealand Knights, representante da Nova Zelândia, substituído pelo caçula Wellington Phoenix.

Grandes nomes do futebol mundial foram contratados. O principal deles foi Dwight Yorke. Como técnicos foram contratados Pierre Littbarski, ex-jogador da seleção alemã, e Steve McMahon, ex-seleção inglesa. Atuais jogadores da seleção australiana como Archie Thompson e Steve Corica também prestigiaram a competição e retornaram ao país.

O sucesso veio logo na primeira edição, a temporada 2005/2006. A média de público foi de 11.627 pessoas por jogo, maior que a da Série A do Campeonato Brasileiro em 2006, que teve a média de 10.710 torcedores. Visto o sucesso, a FOX Sports prorrogou o contrato de transmissão para sete anos, fato que vai ajudar financeiramente a liga e os clubes.

Curiosidades da A-League

– o nome foi baseado nas ligas japonesa, J-League, e sul coreana, a K-League

– a competição tem um time por cidade por duas razões: evitar a concentração de times em apenas uma cidade e, a mais importante, cortar a conexão entre times e grupos de imigrantes (a National Soccer League, a antiga liga, tinha vários times a qual os jogadores eram de grupos específicos de imigrantes)

– O torneio é patrocinado pela Hyundai e transmitido pela FOX Sports

– cada time tem 1,6 milhões de dólares australianos para ser gasto em toda temporada, sendo que os times podem contratar uma grande estrela do futebol com salário ilimitado

– a competição tem 21 rodadas. Com isso, cada time joga três vezes contra o mesmo time. Juninho e Jardel voltam a se enfrentar no dia 3 de novembro, em Newcastle e em 7 de dezembro, em Sydney.

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Equipe Trivela

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