Ásia/Oceania

Torcedores incendeiam sede do próprio clube em Jerusalém

Não são raros os episódios em que o futebol acaba servindo de cenário no conflito entre palestinos e israelenses. Na última sexta-feira, o foco da intolerância foi o Beitar Jerusalem. O clube da Cidade Eterna teve sua sede incendiada, em um ataque suspeito de ter sido coordenado por seus próprios torcedores.

A origem da insatisfação aconteceu no início da semana, quando o Beitar confirmou a contratação de dois reforços para o início da temporada. Representante da direita israelense e único time do país a nunca ter contado com jogadores árabes no elenco, os Leões já tinham aberto a possibilidade de mudar a escrita. Na última semana, a diretoria acertou com dois chechenos que professam o islamismo: Zaur Sadayev e Gabriel Kadiev, cedidos pelo Terek Grozny.

O negócio gerou uma série de protestos, encabeçados por torcedores conhecidos por pregar o ódio aos árabes. Entre as manifestações racistas ocorridas em outras ocasiões estão as vaias durante o minuto de silêncio após o assassinato do premiê Yitzhak Rabin, que negociava a paz com os palestinos, e a expulsão do defensor nigeriano Ndala Ibrahim, também islâmico, levado ao clube em 2005. Na última quinta, quatro integrantes desta facção foram presos por incitarem o racismo.

Segundo a polícia, o incêndio na sede do Beitar danificou vários bens do clube e até mesmo troféus – os Leões já conquistaram a liga nacional seis vezes, a última delas em 2007/08. A ação foi condenada por políticos influentes, inclusive pelo premiê Benjamin Netanyahu: “Esse comportamento é vergonhoso, não podemos aceitar. Os judeus, que sofreram boicotes, precisam ser uma luz para as nações”.

Infelizmente, o caso deve ter diversos desdobramentos nas próximas semanas. Um dos chechenos tinha estreia prevista neste domingo, em partida contra o Sakhnin pelo Campeonato Israelense. E as expectativas de recepção ao jogador não eram boas, devendo desencadear mais intolerância.

Ex-primeiro ministro e torcedor do Beitar há mais de 40 anos, Ehud Olmert acredita que só uma posição radical pode frear as ações dos torcedores: “Ultimamente, é um assunto que diz respeito a todos nós. Ou removemos este grupo de racistas ou seremos iguais a eles”. Ao contratar os islâmicos, o Beitar começa a sinalizar pela primeira opção.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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