Montado na grana, Evergrande é forte candidato ao Mundial
O futebol chinês está longe de ser uma potência asiática. O vigor econômico do país pesa pouco diante da desorganização e da corrupção que imperam no campeonato local. E o reflexo dessa situação é evidente na Liga dos Campeões da Ásia. Na história da competição, o único clube da China a ficar com a taça foi o Liaoning, já há 23 anos. Um retrospecto que o Guangzhou Evergrande está pronto para mudar. Sem antes, é claro, gastar uma fortuna para chegar ao objetivo.
A história do Evergrande começou a mudar justamente quando o clube estava no limbo. Em 2010, o clube foi rebaixado no Campeonato Chinês por envolvimento com manipulação de resultados. No entanto, o que poderia levar a equipe ao ostracismo foi sua redenção. Os Tigres foram comprados pelo Evergrande Real Estate Group, empresa estatal ligada ao setor imobiliário. A partir de então, o time conquistou o acesso e foi bicampeão chinês, com um aporte financeiro incomparável no restante da Ásia.
Desde 2010, o Evergrande gastou € 55 milhões em reforços. Foi o 62º clube do mundo que mais investiu em contratações no período e o primeiro de fora da Europa. No mesmo período, o déficit dos chineses chegou a € 49,4 milhões, o 28º maior do mundo, superior ao de gigantes como Arsenal, Milan e Internazionale.
Entre os astros que chegaram a Guangzhou, estavam Lucas Barrios, Elkeson, Cléo, Muriqui e Darío Conca – que foi levado ao Oriente com o terceiro maior salário do mundo na época, inferior apenas aos de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Além disso, os chineses também desembolsaram alto para trazer um técnico de ponta e convenceram Marcello Lippi, tetracampeão do mundo com a Itália. Claro, não sem antes torná-lo o terceiro técnico mais bem pago do futebol mundial, atrás apenas de José Mourinho e Carlo Ancelotti.
Fortuna fora da realidade asiática
Se os gastos do Guangzhou Evergrande ganham destaque quando comparados com os clubes europeus, chegam a ser exorbitantes em relação à realidade local. Em 2012, quando a liga chinesa divulgou alguns dados financeiros, os Tigres representavam 25% do total gasto com salários – em uma porcentagem que deve ter aumentado, após a saída de Didier Drogba e Nicolas Anelka do país. Já em relação às transferências, o Al Ain é quem mais se aproxima do Evergrande entre os clubes asiáticos. Ainda assim, os emiratenses não passam de 56% do investimento dos chineses desde 2010/11, totalizando € 31,2 milhões.
A fortuna do Evergrande até demorou a fazer diferença na LC Asiática. Em 2012, quando estreou na competição, o clube parou nas quartas de final, eliminado pelo Al Ittihad. Nesta temporada, porém, os Tigres sobreviveram a um grupo difícil na primeira fase, antes de passarem o carro sobre Central Coast Mariners e Lekhwiya. E, no jogo de ida das semifinais, enfiaram 4 a 1 sobre o até então invicto Kashiwa Reysol, dentro do Japão – com dois gols de Conca e outros dois de Muriqui.
Ainda falta o jogo de volta, mas a confirmação do Evergrande na final parece pura questão de formalismo. Seoul ou Esteghlal, seja quem for o adversário, será o clube mais tradicional na decisão. O que não é garantia alguma de favoritismo. Pelos milhões desembolsados nos últimos anos, os chineses têm como obrigação levantar a taça o mais rápido possível, assim como arranjar uma vaga no Mundial de Clubes. Quem sabe, em um incentivo necessário para que o futebol deslanche de vez na China.



