Futebol do Irã em alta

Causou estranheza em boa parte da torcida e da imprensa especializada quando a CBF anunciou o adversário do próximo amistoso da seleção principal, dia 7 de outubro: o Irã. Com uma liga local pouco badalada em relação a seus vizinhos de Golfo Pérsico, uma seleção que ocupa uma posição modesta no ranking da Fifa (57º lugar), e sob um regime político onde poucas notícias chegam ao Ocidente, o futebol iraniano não é muito divulgado por aqui.
No entanto, o apaixonado torcedor iraniano tem no confronto contra o Brasil mais um motivo para celebrar a boa fase do país no futebol, depois da tristeza pelo fato do Team Melli (como é conhecida a seleção nacional) não ter jogado a Copa do Mundo. O Zob Ahan, da cidade de Esfahan, garantiu classificação para as semifinais da Liga dos Campeões da Ásia, o que aumenta a confiança em uma boa campanha na Copa da Ásia, em janeiro, no Catar.
Apesar da 57ª posição no ranking da Fifa, o Irã está na quarta colocação dentre as seleções filiadas à AFC, atrás apenas da Austrália (24ª posição), do Japão (30ª) e da Coreia do Sul (44ª), a quem derrotou em amistoso disputado em Seul, no dia 7 deste mês.
No comando da seleção iraniana desde novembro de 2008, Afshin Ghotbi não conseguiu a classificação da equipe para a Copa do Mundo, mas garantiu com folgas a vaga para a Copa da Ásia – título que o Irã não conquista desde 1976.
Esta semana, sob o comando de Ghotbi, uma renovada seleção iraniana está disputando na Jordânia a sexta edição do campeonato da Federação de Futebol do Oeste da Ásia (WAFF, em inglês), uma das federações regionais que existem dentro da AFC. A competição reúne nove seleções e termina no domingo. O Irã está na semifinal, depois de vencer o Bahrein por 3 a 0 e empatar em 2 a 2 com Omã, mantendo a invencibilidade em 2010: são sete vitórias e um empate.
Para Ghotbi, além da importância da manutenção da hegemonia no torneio – o Irã é o atual tricampeão do campeonato da WAFF, tendo vencido quatro das cinco edições anteriores – o título no torneio dará ainda mais confiança para a equipe em relação à Copa da Ásia.
“No nosso grupo na Copa da Ásia temos duas seleções do Oriente Médio (Iraque e Emirados Árabes). Jogar aqui é um bom teste pra nos prepararmos em relação a atuar fora de casa, contra equipes da mesma escola de jogo. O time está com uma mentalidade positiva dentro e fora de campo, e estou muito otimista, não só para esta competição, como também para a Copa da Ásia”, afirmou Ghotbi, de 46 anos.
A seleção que está na Jordânia não conta com alguns dos jogadores mais renomados do futebol do Irã, como o volante Javad Nekounam e o meia Masoud Soleimani, que atuam no Osasuna, da Espanha; o lateral-direito Hossein Kaebi, do Steel Azin; e um dos grandes ídolos do futebol iraniano, o meia-atacante Ali Karimi, que com 112 partidas e 36 gols marcados, é o segundo jogador com mais atuações e o terceiro maior artilheiro do Team Melli em todos os tempos.
Classificação do Zob Ahan na Liga dos Campeões também é celebrada
O elenco do Irã que está na Jordânia tem como base as duas equipes da capital, o Esteghlal e o Persepolis; e o Sepahan, campeão iraniano na temporada passada, que é de Esfahan. Porém, é o rival local do Sepahan que está em destaque na atual temporada. O Zob Ahan está classificado para as semifinais da Liga dos Campeões da Ásia.
A campanha do Zob Ahan na competição continental é surpreendente. O time estava no chamado “grupo da morte” na fase de grupos, com Bunyodkor, do Uzbequistão (que ainda contava com Luiz Felipe Scolari no comando da equipe, e os brasileiros Rivaldo e Denilson); Al-Ittihad, da Arábia Saudita; e Al-Wahda, dos Emirados Árabes. Apesar de pouco cotado, o Zob Ahan terminou a primeira fase como campeão do grupo B, com 13 pontos.
Nas oitavas de final, vitória por 1 a 0 no duelo contra o Mes Kerman, do Irã. Nas quartas, o Zob Ahan enfrentou o Pohang Steelers, atual campeão da competição. No jogo em casa, vitória por 2 a 1 para o time iraniano. Na volta, em Pohang, os donos da casa fizeram 1 a 0, mas um gol de Khalatbari, aos 35 minutos do segundo tempo, garantiu o empate e a vaga nas semifinais, contra o Al-Hilal, da Arábia Saudita.
Como a partida de ida da Liga dos Campeões é no dia 6 de outubro, em Isfahan – um dia antes do amistoso contra o Brasil – os jogadores do Zob Ahan não integram o Team Melli, nem no campeonato da WAFF, nem no amistoso. O jogo de volta acontece dia 20 de outubro, em Riad.
Além da boa campanha na principal competição do continente, o Zob Ahan lidera a Iran Pro League com 19 pontos em sete jogos, um a menos que os principais perseguidores (Persepolis, 18 pontos; Esteghlal, 16 e Pas Hamedan, 15).
Amistoso recheado de dúvidas
Irã e Brasil vão se enfrentar em Abu Dhabi, local escolhido pela proximidade com o Irã, e pelo fato de haver uma grande colônia iraniana nos Emirados Árabes. Especula-se que cerca de 400 mil iranianos morem no país.
Segundo informações divulgadas pela agência de notícias ISNA, do Irã, não foram divulgados detalhes adicionais sobre o contrato. Porém, ainda segundo a ISNA, Abbas Torabian, um dos dirigentes da Federação Iraniana, declarou que um patrocinador está bancando todas as despesas da partida.
“O patrocinados está pagando todas as despesas para a nossa equipe. Se quiséssemos jogar contra o Brasil em Teerã, isto nos custaria cerca de US$ 3 milhões (cerca de R$ 5,1 milhões)”, declarou Torabian.
O presidente da Federação Iraniana, Ali Kaffashian disse que a convocação para o amistoso sai na próxima semana, depois da final do campeonato da WAFF. Como o jogo é em uma data Fifa, Javad Nekounam e Masoud Soleimani devem ser convocados.
No entanto, algumas dúvidas ainda não foram sanadas. Torabian disse à ISNA que teria sido incluída uma cláusula no contrato que obriga o Brasil a atuar com seus principais jogadores, como o goleiro Júlio César, o meia Kaká e os atacantes Robinho e Luis Fabiano – nenhum deles foi convocado, o que deve gerar insatisfação nos dirigentes iranianos e no público dos Emirados Árabes quando da chegada da seleção brasileira ao país.
Ainda segundo Torabian, o que contribuiu para o jogo ser em Abu Dhabi, e não na Europa, foi “a recusa na colaboração por parte de alguns países europeus, que criaram obstáculos em nosso caminho”.
O estádio onde a partida será disputada também não está oficialmente confirmado. Segundo informações da Federação Iraniana, o jogo acontece no Mohammed bin Zayed Stadium, estádio do Al-Jazira, que tem capacidade para 42.056 torcedores. Porém, o Zayed Sports City, onde foi disputada a final do Mundial de Clubes da Fifa no ano passado, com capacidade para 49.500 pessoas, também pode ser o palco do amistoso.
O dia em que o Irã venceu o Brasil
Brasil e Irã nunca se enfrentaram com suas seleções principais. Houve dois jogos entre as seleções olímpicas dos dois países, em 1972 e 1976. O confronto de 72, aliás, é histórico para os iranianos.
O jogo aconteceu no dia 31 de agosto, em Regenburg, e fechava o grupo C dos Jogos Olímpicos, que contava ainda com Hungria e Dinamarca. Dirigida por Antoninho, a seleção brasileira havia perdido na estreia para a Dinamarca, por 3 a 2; e depois do empate contra a Hungria em 2 a 2, dependia de uma vitória por goleada sobre o Irã, além de uma vitória dinamarquesa sobre a Hungria para se classificar para a segunda fase do torneio.
Com um gol do meia Magid Halvai, aos 16 minutos do segundo tempo, o Irã bateu a seleção brasileira – que contava, dentre outros, com Abel na zaga, Falcão no meio campo e Roberto Dinamite e Dirceu no ataque. No entanto, as duas equipes acabaram eliminadas.
Em 1976, em Teerã, houve empate em 2 a 2, com gols de Alberto Leguelé e Erivelto para a seleção brasileira, na ocasião dirigida por Zizinho.
Yadanarbon conquista AFC President’s Cup
O Yadanarbon se tornou o primeiro clube de Mianmar a conquistar um título continental. Nesta segunda-feira, o time venceu o Dordoi-Dynamo, do Quirguistão, por 1 a 0, e ficou com o título da AFC President’s Cup. A decisão foi em Yangun, capital de Mianmar, diante de um público de 33 mil torcedores.
No tempo normal, o jogo ficou em um empate sem gols. Aos 6 minutos do primeiro tempo da prorrogação, o atacante marfinense Lassina Koné marcou o gol do título do Yadanarbon. Foi o terceiro vice-campeonato consecutivo do Dordoi-Dynamo no torneio – o time já foi campeão em 2006 e 2007.
A AFC President’s Cup é uma competição que reúne os campeões nacionais de 11 países considerados pela AFC como “países emergentes”, um terceiro nível de classificação dos filiados. As equipes dos “países em desenvolvimento” disputam a AFC Cup e os “países maduros”, a Liga dos Campeões da Ásia.
Participam do torneio, que é disputado anualmente desde 2005, clubes de Mianmar, Quirguistão, Turcomenistão, Bangladesh, Tadjiquistão, Nepal, Taiwan, Butão, Sri Lanka, Paquistão e Camboja.
Outros 10 países podem requerer a AFC a participação na AFC President’s Cup: Brunei, Timor Leste, Laos, Filipinas, Guam, Macau, Mongólia, Coreia do Norte, Palestina e Afeganistão.



