Ásia/Oceania

Fim da linha dura

Vários motivos se cruzaram para que o técnico holandês Co Adriaanse (foto ao lado) tivesse seu contrato rescindido com o Al Sadd, atual campeão do Qatar. Os 14 pontos atrás do líder Al Gharafa é o principal deles.

Na gestão do ex-treinador de AZ Alkmaar e Porto, os ‘lobos’ perderam valiosos pontos com direito a derrotas em casa para Umm Salal, Al Arabi e o modesto Al Shamal. Ele também trocou farpas na imprensa com Paulo Autuori, comandante do Al Rayyan.

A fama de explosivo e virulento no trato com os jogadores não foi o problema, pois o elenco não comporta estrelas de amplitude mundial, portanto, o choque de egos no balneário é de pouco grau. Porém, algumas fontes dão conta de que houve leves atritos com os jogadores.

Outro aspecto do fracasso do treinador, de 60 anos, foi a tentativa de introduzir sua filosofia calcada na escola holandesa, reconstruindo e remodelando tudo que o ex-técnico Jorge Fossati, atual seleção do Qatar, havia feito.

Choque de mentalidades: o 3-4-3 do ‘feiticeiro branco’
Fiel às raízes metodológicas holandesas, Co Adriaanse causou uma revolução quando chegou ao clube mais vitorioso do Qatar, em agosto do ano passado. A linha de defesa continuou com o senegalês naturalizado catariano, Abdullah Koni, como patrão. Ao seu lado, dois defensores puros: o omani Mohammed Rabia e Ali Sanad, da seleção do país.

“Co” alinhou o meio-campo com dois volantes “box-to-box”. Wesam Rezq, equilibrado e jogando quase sempre apoiado de uma área a outra. De perfil para ele, Khalifa Ayil, excepcional médio do Omã com capacidade para ser testado na Europa. É o elemento mais regular da equipe até aqui. Nas alas, bem abertos, ficaram Al Hamad e Ali Nasser, um torpedo pela faixa esquerda que acelera o jogo nos 90 minutos.

Nos últimos metros do campo residiu a mudança mais palpável feita por Adriaanse. É onde o brasileiro Felipe, ex-Vasco e Flamengo, jogava como um terceiro atacante pelo lado esquerdo, combinando jogadas com Ali Nasser. Na outra extremidade do triângulo ofensivo, pela direita, ficava o equatoriano Carlos Tenório, ídolo máximo da fanática torcida. No centro, deambulava o promissor argentino Mauro Zárate – ou Zaráte, como preferem os catarianos.

As figuras são as mesmas das últimas duas conquistas nacionais, a diferença foi a mudança do desenho tático, o desfalque do astro Khalfan Ibrahim, machucado, e a chegada deste prodígio portenho que não substituiu a altura o brasileiro Emerson, vendido ao Rennes, da França, em agosto.

Com a ida do garoto revelado no Vélez Sarsfield para o Birmingham, da Inglaterra, a volta de ‘Khalfaninho’ e o retorno de ‘Eme’ (como Emerson é chamado), existe expectativa de melhora..pelo menos para 2008/9, pois será quase impossível o Al Gharafa deixar escapar o titulo no atual certame.

Zárate: fracasso ou apenas um trampolim?
Campeão mundial sub-20 com a seleção argentina, Zárate desembarcou em Doha com status de estrela e saiu sem deixar saudades com a contabilidade de apenas 4 gols marcados. Além de ter perdido a posição, por um tempo, para o obscuro Ali Afif, de apenas 19 anos.

Segundo seu agente, algo inquestionável foi o fato do jogador ter aprendido um pouco de inglês durante seus seis meses no Qatar, podendo se adaptar com mais facilidade na Premier League, onde alinhará pelo Birmingham. Mas precisava ser no Qatar esse processo de adaptação? Muito estranha a afirmação…

CURTAS

QATAR
– O preparador de goleiros brasileiro Rodrigo Barroca, do Al Shamal, traça especialmente para a Trivela a realidade do trabalho feito com os goleiros no país.

– “Quase todos os clubes daqui possuem treinadores de goleiros brasileiros. Eu considero os goleiros da Q-League os melhores do Golfo”, disse.

– Sobre o goleiro titular da seleção do Qatar, Mahammed Saqr, Barroca considera justa sua escolha para ser o número 1 da ‘Al Ennabi’, como é conhecida a seleção catariana.

IRÃ
– O técnico brasileiro Jorvan Vieira assume o Sepahan, do Irã. Campeão asiático com a seleção do Iraque, o treinador carioca substitui o croata Luka Bonacic, que se transferiu para o Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos. O Sepahan foi o vice-campeão da Liga dos Campeões da Ásia, em 2007.

– Javier Clemente já está em território iraniano e já começa a realizar seu trabalho pela seleção do país. Pelo que divulgou a imprensa local, ele foi bem abrangente na chegada ao aeroporto.
“A primeira coisa será aprender a cultura, conhecer o país, e ver o futebol local. Eu não vejo nada sobre o futebol iraniano desde a última Copa do Mundo. Vou assistir vídeos dos últimos jogos da seleção, verificar como os jogadores treinam e qual sistema se encaixa melhor para renderem o máximo”.

JAPÂO
– O versátil lateral brasileiro naturalizado japonês Alex Santos, está de volta a Terra do Sol Nascente. Ele deixou o Salzburg, da Áustria, e se apresenta ao Urawa Red Diamonds, atual campeão continental.

CORÈIA DO SUL
– O bom meia Kim Do-Heon, do poderoso Seongnam Ilhwa Chunma, acertou sua ida para o West Bromwich, da segunda divisão inglesa.

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Equipe Trivela

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