Festa nipônica!
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Foi um título de superação e planejamento em longo prazo. Se aproveitando das falhas do Adelaide United na final, o Gamba Osaka faturou a inédita taça da Liga dos Campeões da Ásia (vencendo as duas partidas, 3 a 0 e 2 a 0) mantendo a mesma base da equipe que foi campeã da J-League, em 2005.
O time da ilha de Honshu chegou ao topo do continente mesmo com um orçamento mais modesto que seus compatriotas Kashima Antlers e Urawa Red Diamonds, além dos clubes do Oriente Médio.
Essa conquista também é revestida de marcas interessantes. Além de nunca um time ter vencido uma final com diferença tão elástica nos dois jogos (5 a 0), uma equipe não era campeã invicta desde 2000, quando o Al-Hilal, da Arábia Saudita, ergueu o troféu. Aquele time de Riad tinha o goleiro Al-Deayea, os meias Al-Temyat e Al-Shalhoub, e o astro do deserto Sami Al-Jaber. Mesmo assim, não se compara aos 83,3% de aproveitamento construídos pelo Gamba, que agora mira o Mundial interclubes no próximo mês.
Méritos para a velha raposa
O treinador Akira Nishino confiou no seu grupo mantendo de maneira obstinada sua metodologia. Elementos experientes, com muita rotina, aliados ao toque de desequilíbrio do mágico pé direito de Yasuhito Endo e da destreza ofensiva dos brasileiros Lucas e Roni (antes de ser vendido, em julho, o também ‘brazuca’ Baré era o artilheiro).
O técnico de 53 anos adora posse de bola esmagadora asfixiando o adversário e prioriza os talentosos privando-os de tarefas táticas que comprometem sua melhor dinâmica no jogo. Sem causar alarde e com tremenda personalidade, Nishino chegou ao cume de sua carreira, uma proeza que fará parte do seu legado assim como a histórica vitória do Japão (dirigido por ele) sobre o Brasil nas olimpíadas de Atlanta em 96…
Novas forças e queda de antigos monstros
A edição 2008 da LC Asiática marcou o surgimento de novas forças no cenário. O Bunyodkor, do Uzbequistão, surpreendeu ao realizar contratações bombásticas atreladas a um dinheiro pra lá de suspeito ‘proveniente’ do setor energético.
Os azuis de Tashkent uniram a picardia sul-americana de Luisão, Rivaldo e Villanueva ao considerável talento de alguns jogadores locais e formaram um time capaz de cravar um lugar nas semifinais. Para 2009, serão favoritos ao título.
Outra força foi o vice-campeão Adelaide United, da ensolarada Austrália para os grandes palcos asiáticos, mostrou que o estilo robusto e de rosto europeu chegou para competir com árabes e orientais.
Para finalizar, os clubes do Oriente Médio decepcionaram mais um ano. Os sauditas tem montado equipes muito jovens com estrangeiros que não marcam diferenças em campo. Os exigentes xeiques precisam rever a política de contratações.
Emirados Árabes e Catar estão investindo pesado nas suas ligas, mas tem problemas de competitividade quando ultrapassam suas fronteiras. Seus jogadores não tem o mesmo grau de profissionalismo dos orientais e suas equipes se tornam reféns do talento dos estrangeiros, que sozinhos, não conseguem resolver partidas.
O Kuwait vive crise existencial, os iranianos exportam seus melhores talentos, suas equipes apresentam bom conjunto, mas poucas figuras desequilibrantes.
O panorama da LC Asiática se configura com japoneses, sul-coreanos, o Bunyodkor e os australianos na frente dos demais.
Fala, Ásia
“Apesar do Beisebol ser mais popular aqui em Osaka, o futebol tem conseguido muito espaço com o Gamba Osaka nos orgulhando na Liga dos Campeões da Ásia. Estamos bastante excitados com nossa equipe!”
Kazuya Saegusa, engenheiro elétrico japonês, morador de Osaka e torcedor do Gamba.