Ásia/Oceania

Este meia só está na seleção iraquiana porque foi encontrado por torcedores no Facebook

Seleções de pouca reputação precisam observar muito bem outras ligas ao redor do mundo para encontrar talentos que possam reforçar sua equipe e ajudar a melhorar os resultados em competições internacionais e eliminatórias. No caso do Iraque, a federação pode contar com uma ajuda substancial para achar atletas de destaque pelo mundo: um grupo de torcedores no Facebook que “rastreia” jogadores convocáveis para a seleção iraquiana. Com Justin Meram, do Columbus Crew, a estratégia deu muito certo.

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Meram, de 26 anos, ganhou destaque na semana passada após marcar o gol mais rápido da história dos playoffs da Major League Soccer, abrindo a vitória por 2 a 0 sobre o New York Red Bulls, pelo jogo de ida da final da Conferência Leste, com apenas nove segundos de jogo. Desde o ano passado, o meio-campista tem sido convocado para defender o Iraque nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, e tudo graças a um bando de fanáticos que busca ajudar a seleção do país.

Segundo o USA Today, o grupo de Facebook se reúne para trocar informações em busca de atletas com ascendência iraquiana que estejam tendo algum tipo de destaque em outro canto do mundo. Foi assim que chegaram a Meram. Os pais do meio-campista do Columbus Crew nasceram em Mosul e migraram para os Estados Unidos. O meio-campista, nascido ao norte de Detroit, sequer sabia que era convocável para a seleção do país de origem de seus pais.

“Eu nunca soube que havia uma possibilidade (de ser convocável para a seleção iraquiana). De repente, tudo aconteceu”, contou Meram ao jornal americano. Mesmo tendo acumulado algumas partidas pela seleção, o jogador ainda não conheceu o país, porque a situação de insegurança levou a Fifa a proibir jogos de seleções no local.

Conseguir a liberação para defender a equipe não foi nada fácil. Meram precisava apresentar uma série de documentos que comprovassem sua ligação com o Iraque. “Levou aproximadamente dois anos para conseguir a liberação e poder jogar. Os órgãos governamentais de futebol precisam de provas (da ligação com o país), e não foi fácil”, revela. Enquanto a documentação de sua mãe estava toda guardada e garantida, a do pai levou meses para ser encontrada. Mosul, a cidade de seus pais, está sob o controle do Estado Islâmico, e muitos locais foram completamente destruídos. Com esta situação, a obtenção de documentos como a certidão de nascimento e o histórico escolar do pai do jogador levou mais tempo do que o atleta previa.

Agora já adaptado à rotina de viajar a cada data Fifa para defender a seleção iraquiana, Meram quer conhecer cada vez mais a cultura do país. Ele ainda não fala árabe, mas isso não é uma barreira para o entendimento com os companheiros dentro de campo. “Há alguns jogadores e um treinador que falam inglês, mas estou tentando acompanhar a língua o máximo que posso. O futebol é uma linguagem universal, então não faz tanta diferença no campo, mas quero fazer parte disso, conhecer melhor os jogadores e aprender sobre suas vidas”, conta.

Por ora, no entanto, o foco de Meram está no Columbus Crew. Decisivo para o triunfo da semana passada, o meio-campista da seleção iraquiana entra em campo na noite deste domingo, podendo perder por até um gol de diferença para se classificar para a final da MLS, contra o vencedor do confronto entre Portland Timbers e Dallas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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