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Estado Islâmico ameaçou dar 80 chibatadas em quem assistisse ao clássico entre Barça e Real

A situação nas áreas dominadas pelo Estado Islâmico não é terrível apenas pela imposição religiosa, homofóbica e pelas execuções gravadas pelo grupo. Até mesmo um simples ato como assistir a um jogo de futebol é punido pelos extremistas, que argumentam que o esporte é um “produto do Ocidente decadente”. A última proibição relacionada a futebol veio no último final de semana, quando, segundo o jornal Daily Mail, o EI ameaçou dar 80 chibatadas em quem assistisse ao clássico entre Barcelona e Real Madrid, no domingo.

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A ordem foi dada para territórios na Síria e no norte do Iraque, incluindo a cidade de Mosul, dominada em junho de 2014 e palco de um triste episódio em janeiro deste ano. Segundo relatou o grupo ativista Raqqa Is Being Slaughtered Silently, 13 jovens iraquianos foram assassinados pelo grupo extremista naquela época, apenas por estarem assistindo à estreia da seleção de seu país na Copa da Ásia. “Os corpos permaneceram deitados a céu aberto e seus pais não foram capazes de retirá-los de lá, com medo de também serem assassinados pela organização terrorista”, descreveu a entidade, sobre o massacre na cidade que fica a 400km de Bagdá.

Ainda não há relato de vítimas por causa de possíveis retaliações ao ato de assistir ao clássico. Em entrevista ao The Sun, o Partido Democrático do Curdistão afirmou que “o Estado Islâmico proíbe que as pessoas assistam ou pratiquem qualquer esporte, especialmente o futebol, já que é visto como um produto do Ocidente decadente”.

Apesar do terror causado pelos extremistas e da necessidade de se frear um grupo desses, é bom lembrar que trata-se disso mesmo: extremistas. Tomar a parte pelo todo e condenar muçulmanos em geral apenas fomenta mais ódio. Pela interseção dos temas, vale a pena relembrar o que disse Cantona sobre essa generalização, ao comentar os ataques ao Charlie Hebdo, em Paris, em janeiro deste ano.

“O que eu quero dizer é que, hoje em dia, o que aconteceu não deve ser usado contra o Islã. O fanatismo está em todos os lugares, mas pertence apenas a uma minoria. O restante é simplesmente católicos, budistas, muçulmanos. Eu penso que é importante tomar uma longa ou histórica visão. Se nós focarmos apenas na atualidade, se nos limitarmos aos noticiários atuais, é como se as coisas nunca tivessem acontecido antes. É preciso resgatar que tudo isso já aconteceu, isso tudo já aconteceu com grupos terroristas que não eram islâmicos”, comentou o francês à época.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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