Ásia/Oceania

Entre samurais e aiatolás

A grande final da Liga dos Campeões da Ásia será disputada entre japoneses e iranianos. Dentro de campo o futebol premiou a qualidade do Urawa Red Diamonds, do Japão, e a capacidade de superação do Sepahan, do Irã. Qualquer um que levantar o troféu será campeão de forma inédita. Será a 26ª final da competição de clubes mais importante do continente.

Numa ótica histórica, a última vez que um clube japonês chegou a final foi em 2001, com o Jubilo Iwata, que perdeu o titulo para o Suwon Bluewings, da Coréia do Sul. Enquanto um time iraniano atingiu a decisão pela última vez dois anos antes, em 99, quando o Esteghlal Tehran tombou na partida final.

Mesmo com ambas as equipes já garantidas no Mundial interclubes no próximo mês em terras nipônicas, serão duas ‘batalhas’.

A primeira partida será na mítica Isfahan, conhecida pelos persas como ‘a metade do mundo’, e a segunda em Saitama, onde os ‘Reds’ terão a oportunidade de homenagear os habitantes da província, que foi fundada em 14 de novembro de 1871. Coincidentemente o segundo jogo da final será em…14 de novembro!

Fortes emoções envolvidas na decisão da LC Asiática. Abaixo, tudo sobre a finalíssima!

URAWA RED DIAMONDS

Quem são eles?
O Urawa Reds é o atual campeão japonês e no momento lidera a J-League. Nos primórdios, começou como um time da Companhia Mitsubishi, no inicio dos anos 50, e hoje é o clube nipônico mais rico e bem sucedido. Lá jogam os brasileiros Nenê (zagueiro campeão brasileiro pelo Corinthians, em 99), Robson Ponte (ex-Guarani e Bayer Leverkusen) e Washington (maior goleador da história de um Brasileirão).

Estádio: Saitama Stadium, 63,700 pessoas.

Campanha: 1º lugar no Grupo E. Depois virou carrasco dos coreanos, eliminando o atual campeão Jeonbuk Motors nas quartas-de-final e o Seongnam Ilhwa Chunma nas semifinais. Contabiliza 4 vitórias, 6 empates e nenhuma derrota (único invicto). Marcou 17 gols e sofreu 10.

Dentro de campo..
O atual campeão japonês é um dos melhores ‘case study’ táticos da Ásia.
Até então, alinhava num 3-5-2 que se desdobrava para um 4-4-2 quando o capitão Nobuhisa Yamada recuava para compor a linha de defesa. Sem contar com ele (contundido) para esta final, e sem o brasileiro naturalizado nipônico Marcos Túlio Tanaka (também lesionado), veremos como se comporta o líder da J-League.

Destaque: O centroavante Washington segue com voraz apetite goleador. Artilheiro da J-League 2006, o ‘coração valente’ manteve na Ásia a mesma regularidade que o consagrou no futebol brasileiro com as camisas de Ponte Preta e Atlético/PR. Como já dizia Zinedine Zidane ‘os grandes jogadores são os regulares…’.

Treinador: O alemão Holger Osieck voltou a exercer a função depois de alguns anos trabalhando para o Departamento técnico da FIFA. Herdou do treinador anterior Guido Buchwald a missão de manter os ‘Reds’ nos eixos da filosofia alemã. Excepcional metodólogo, Osieck, agregou muito de Beckembauer durante o tempo que conviveu com o ‘Kaiser’ na preparação da Alemanha para a Copa de 1990.

SEPAHAN

Quem são eles?
Participam da LC da Ásia porque ganharam a Hazfi Cup – a copa nacional do Irã. Com mais de 60 anos de história, o ‘Batalhão’ disputava campeonatos regionais em Isfahan até 1993, quando foi comprado pela fábrica de cimento SIMAN. O grande impulso do clube aconteceu em 2000, quando a poderosa Companhia de Aço Foolad Mobarekh adquiriu o time aurinegro. O último brasileiro da equipe foi o técnico ‘trotamundos’ Edson Tavares, em 2005/6.

Estádio: Foolad Shahr Stadium, 20.000 pessoas (seu estádio oficial, o Naghsh-e-Jahan, está em reformas).

Campanha: 1º lugar no Grupo D. Depois passou um sufoco terrível para derrubar o Kawasaki Frontale nas quartas-de-final e bateu o Al Wahda, dos Emirados Árabes, nas semifinais. A caminhada até a final foi desenhada com 5 vitórias, 4 empates e 1 derrota. Marcou 15 vezes e sofreu apenas 6 gols.

Dentro de campo…
Um 3-5-2 que consagrou a equipe do interior do Irã como a melhor defesa da competição entre os clubes que passaram da 1ª fase. Essa fortaleza possui dois possantes defensores (Hadi Aghily e Mohsen Bengar) e um mais leve (Hamid Azizadeh). No meio, Navidkia, com ótima distribuição de jogo, é o capitão. No ataque, a estrela Seyed Salehi está voltando de lesão e deverá entrar no decorrer do jogo. O baixote Mahmoud Karimi é a esperança de gols.

Destaque: Tecnicamente nenhum jogador da equipe se compara a Morraham Navidkia. Cerebral, arrojado e com nítido poder de liderança, uma passagem
minada por lesões no Bochum, da Alemanha, o impediu de alcançar patamares mais elevados. Com 25 anos enverga a braçadeira de capitão.

Treinador: Temperamento e franqueza são palavras que se encaixam perfeitamente em qualquer frase onde o nome do técnico croata Luka Bonacic esteja incutido. Aos 52 anos, vive o ápice da carreira. Foi eleito o melhor treinador do Irã, em 2006, e este ano concorrerá com Ali Daei, do Saipa, pelo mesmo prêmio.

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Equipe Trivela

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