Ásia/Oceania

Em busca de novo impulso

Representante asiático mais presente na história das Copas do Mundo, a Coreia do Sul faz, em 2010, sua sétima participação consecutiva na competição. Apesar disso, a liga local – a K-League – não reflete o predomínio da seleção nas eliminatórias para o Mundial.

A criação da K-League, em 1998, foi, dentro da rivalidade eterna entre coreanos e japoneses, uma tentativa de organizar o futebol do país nos moldes do vizinho. A J-League, então, atraia cada vez mais os olhos do ocidente, com a importação em série de jogadores de diversas nacionalidades, atraídos por bons salários e uma torcida fanática e apaixonada. A K-League seria a resposta coreana, que, no entanto, não funcionou.

Com a realização da Copa do Mundo de 2002, a aposta era que a K-League deslanchasse. Não foi isso que aconteceu. Em todos os aspectos – nível técnico, prestígio internacional, presença de público e até em organização – a K-League continua bem abaixo da J-League, equivalente japonesa. Com 15 clubes, a atual temporada do futebol sul-coreano, que começou em março, tem uma média de pouco mais de 11 mil torcedores por partida.

A fórmula de disputa da liga faz lembrar a de alguns campeonatos estaduais das décadas de 80 e 90. As 15 equipes se enfrentam em turno e returno, e os seis mais bem colocados continuam na disputa. As esquisitices começam nos play-offs, quando há um primeiro emparceiramento, onde o 3º colocado da temporada regular joga contra o 6º; e o 4º colocado pega o 5º lugar. Os vencedores destas duas partidas se enfrentam, para definir quem joga contra a equipe que terminou a temporada regular na segunda colocação.

Depois desta confusa maratona, a equipe “sobrevivente” enfrenta o 1º colocado, em jogos de ida e volta, para apontar o campeão da K-League de 2009, que, no último fim de semana, chegou à 15ª rodada com uma mudança na liderança da tabela: o FC Seoul goleou o Incheon United por 5 a 1 e chegou aos 30 pontos, um a mais que o Gwanju Sangmu Phoenix, que perdeu para o Pohang Steelers por 2 a 1. O Jeonbuk Motors, terceiro colocado com 28 pontos e um jogo a menos, ficou no empate em casa com o Suwon Samsung Bluewings, 1 a 1.

Sandro Hiroshi está de volta

Por falar no Suwon Samsung Bluewings, que faz péssima campanha – é o penúltimo colocado, com apenas 14 pontos ganhos em 14 jogos – anunciou a contratação do atacante brasileiro Sandro Hiroshi. Sim, ele mesmo, que há dez anos, foi pivô (de maneira involuntária) de uma confusão que culminou com a criação do “monstrengo” chamado Copa João Havelange.

Não é a primeira passagem de Hiroshi, que estava no América de Natal, pelo futebol sul-coreano. Em 2005, o atacante jogou pelo Daegu FC, e nas três temporadas seguintes, esteve no Chunnam Dragons.

A influência brasileira

Não é de hoje que os brasileiros encontram em gramados coreanos um mercado próspero. Paulinho Criciúma, um dos ídolos do Botafogo no final dos anos 80, já tinha atuado no país, que teve seu primeiro campeonato profissional em 1983. Com o advento da K-League, alguns jogadores tiveram passagens expressivas na Coreia, como o zagueiro Rogério Pinheiro, ex-Botafogo e São Paulo; o volante Rafael Botti, revelado pelas divisões de base do Vasco, e que chegou a ser cotado para se naturalizar e defender a seleção do país; o meia Andrezinho, que está no Inter de Porto Alegre; e o atacante Zé Carlos, ex-Flamengo e Botafogo; dentre outros.

Com o retorno de Sandro Hiroshi, a edição deste ano da K-League tem 26 jogadores brasileiros, distribuídos em 13 das 15 equipes. O Gwangju Sangmu Phoenix é um dos dois times da K-League que não tem brasileiros no elenco: por ser o time do exército, só conta com jogadores coreanos em seu elenco. O outro time que não tem brasleiros é o Incheon United.

Lee, o artilheiro azarado

O principal jogador da temporada na Coreia até o momento é o atacante Dong-Gook Lee, do Jeonbuk Hyundai Motors. Aos 30 anos, Lee marcou 11 gols em 12 partidas disputadas – com direito a dois “hat-tricks” – e é o artilheiro do campeonato. A trajetória do atacante é marcada por uma série de infelizes coincidências que impediram, segundo os torcedores, que Lee se destacasse aiunda mais.

O jogador começou a carreira no Pohang Steelers, time de sua cidade natal. As boas atuações em seu primeiro ano como profissional o levaram à seleção que disputou a Copa de 98, na França. No entanto, não chegou a jogar. Dois anos depois, Dong-Gook Lee foi o artilheiro da Copa da Ásia, com 6 gols, o que chamou a atenção do Werder Bremen, que o adquiriu por empréstimo.

Com uma série de lesões, Lee só jogou sete vezes em seis meses na Bundesliga 2000/01, retornando logo em seguida ao Steelers. Em ótima fase, era nome certo na seleção que disputou a Copa de 2002, mas, estranhamente, foi deixado de lado por Guus Hiddink, ficando fora da maior glória sul-coreana no futebol, o 4º lugar naquele mundial.

Depois de dois anos atuando pelo Gwangju Sangmu Phoenix, o time do exército do país, Dong-Gook Lee retornou ao Pohang Steelers em 2004. Novamente em boa fase, a “bruxa” bateu em sua porta: uma lesão no ligamento cruzado do joelho deixou o atacante fora do futebol por seis meses, e mais uma vez, Lee perdeu a chance de jogar uma Copa do Mundo.

Em 2007, nova chance no futebol europeu: foi contratado pelo Middlesbrough em janeiro. Em uma temporada e meia no futebol inglês, o atacante não fez um gol sequer pela Premier League, marcando apenas nos jogos da equipe reserva, ou em competições como a Carling Cup. Na seleção, se envolveu em uma confusão com bebidas e mulheres no hotel onde a seleção estava concentrada para a Copa da Ásia, e foi afastado por um ano. Dispensado do “Boro”, Lee passou pelo Seongnam Ilhwa Chunma, no ano passado, até chegar novamente em boa fase ao Jeonbuk este ano.

A esperança do jogador é que ele possa retornar à seleção – onde tem 22 gols marcados em 71 jogos – para enfim, disputar sua primeira Copa do Mundo. Isso, é claro, se nada de extraordinário acontecer até lá.

O mais famoso

O jogador sul-coreano mais conhecido na atualidade é o meia Ji-Sung Park, do Manchester United. Capitão da seleção, Park foi o primeiro jogador asiático a disputar uma final de Liga dos Campeões da Europa, e o primeiro sul-coreano a ter conquistado o título da principal competição de clubes do planeta (embora não tenha jogado a final contra o Chelsea, na temporada 2007/08). No entanto, Ji-Sung Park nunca jogou profissionalmente em seu país. Ele começou a carreira no time da universidade Myongii, de onde saiu para jogar pelo Kyoto Purple Sanga, do Japão, em 2000. De lá, foi para o PSV Eindhoven, em 2003; e depois para Old Trafford, em 2005.

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Equipe Trivela

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