Ásia/Oceania

Diferenças de mentalidade

“Falta experiência em alto nível. Precisamos de mais jogadores atuando na Europa para enfrentar os melhores e ganhar experiência”.

Essa frase foi dita pelo lateral coreano Lee Young-Pyo após sua seleção ser eliminada da última Copa do Mundo ao cair diante da Suíça, por 2 a 0, na derradeira rodada do Grupo G.

Algo com sentido semelhante falou o meia Lee Chun-Soo na mesma ocasião.
“Preciso voltar a jogar na Europa”.

São expressões que refletem a ambição e o desejo de progresso de profissionais soberbos, com comprometimento ao futebol do país.
A pergunta que lanço com objetivos reflexivos é:
Será que no vestiário da Arábia Saudita alguém ouviu palavras parecidas com as pronunciadas pelos futebolistas da Coréia do Sul?

Voltemos ao presente e continuamos o tema…

Com o inicio das ligas dos principais países do Oriente Médio observamos exatamente o mesmo panorama que se repete ciclicamente todos os anos: Os melhores jogadores do Golfo correndo nos gramados da região. Nashat Akram, Younis Mahmoud, Yasser Al-Qahtani, Khalfan Ibrahim, Ismael Matar, entre outros..
Possuem salários que lhes permite uma vida confortável e luxuosa, sem sacrifícios e aventuras em terras estrangeiras com contextos sociais agudamente diferentes. Os principais jogadores árabes são tratados como
vedetes no Oriente médio, se acomodam neste ‘redemoinho de prazeres’ e se tornam pouco sensíveis às exigências do profissionalismo.
Nos vem a mente as palavras do treinador tcheco Milan Macala na Conferência de Imprensa após um jogo do Bahrein, seleção treinada por ele na Copa da Ásia.
Segundo o ‘feiticeiro tcheco’, o futebol árabe no Oriente Médio necessita reciclar a mentalidade se quiser atingir níveis mais elevados. Os clubes e seleções da região se concentram muito no território local e não exportam matéria-prima para centros mais desenvolvidos, se trancando e auto-repreendendo o progresso do futebol na região.

A filosofia de recorrer a mercenários estrangeiros – sobretudo europeus e brasileiros – para estruturar os clubes e seleções, é plausível, mas não é o bastante.

A própria história fornece a resposta. Em três décadas de investimento maciço em técnicos e jogadores europeus e sul-americanos não foram suficientes para alavancar o nível competitivo de forma consistente.

Por outro lado, na outra ponta do continente, Coréia do Sul e Japão passaram a exportar e já ‘aprontaram’ bastante contra boas seleções da Europa e América do Sul.

Os coreanos ficaram em 4º lugar na Copa de 2002, e os japoneses dominavam de forma convincente os torneios asiáticos de seleções nesta década, até o Iraque vencer a última Copa da Ásia.

Qual seria a razão desta evolução? Exportação!

Eles não se concentraram apenas em trazer profissionais de fora. Passaram a exportar também…

É um orgulho para os japoneses ver o sucesso de Nakamura no Celtic, da Escócia, ou observar Naohiro Takahara bem adaptado e marcando gols numa liga importante como a Bundesliga. Isso sem falar da ‘Nakatamania’ na virada da década, e dos longos anos de Shinji Ono na Holanda, que agrega muito ao futebol japonês tê-lo agora como referência para os jovens na J-League.

Entre os coreanos igualmente. Qual seria a reação de um torcedor nos anos 80 se alguém dissesse que um atleta da Coréia do Sul viria para o Manchester United brigar por posição no time titular? Park Ji-Sung tem nível para jogar em qualquer liga na Europa. Assim como seu compatriota Lee Young-Pyo, do Tottenham Hotspur, que foi cobiçado pelo Roma.

Não é uma questão de se adaptar a globalização, mas a razão simples de que é necessário ter jogadores que vivenciam competições de alto nível técnico, tático, físico e emocional. Só assim as seleções do Oriente Médio engrenam.
O desenvolvimento (ou não) do futebol no Golfo está estritamente atrelado à própria mentalidade..

A Hesitação Árabe: Lista dos melhores jogadores da região e como se movimentaram no mercado.

Younis Mahmoud, atacante iraquiano, 24 anos.
Teve propostas de França, Alemanha e Bélgica, mas preferiu permanecer no Al Gharrafa, do Qatar.

Nashat Akram, meia iraquiano, 23 anos.
Teve o Sunderland, da Inglaterra, nos seus calcanhares, mas achou melhor trocar ‘seis por meia dúzia’ ao deixar o Al Shabab, da Arábia Saudita, para atuar no Al Ain, dos Emirados Árabes.

Yasser Al Qahtani, atacante saudita, 25 anos.
Apesar do assédio do Galatasaray, da Turquia, ainda está no Al Hilal, do seu país.

Ismael Matar, meia dos Emirados Árabes, 24 anos.
O ‘malabarista do deserto’, eleito melhor jogador do Mundial sub-20, em 2003, e da Copa do Golfo 2007, conversou, conversou, conversou…e ficou no Al Wahda.

Hamad Al-Montashari, zagueiro saudita, 25 anos.
Eleito o melhor jogador da Ásia em 2005 e barrado por Hélio dos Anjos na seleção. Tem altura, lastro físico e capacidade de sobra para progredir e ser lapidado. Apesar de ser desejado por clubes europeus na época, preferiu se acomodar no Al Ittihad.

Khalfan Ibrahim, meia-atacante qatariano, 19 anos.
Eleito o melhor jogador asiático de 2006. Este temos que dar um desconto, pois ainda é demasiado jovem. Joga no Al Sadd.

O Irã: Um exemplo a ser seguido

Ainda no Oriente Médio, existe um país que serve como referência para os árabes se espelharem. O Irã, que depois de exportar seus jogadores para grandes centros – especialmente para Alemanha – se tornou uma potencia continental, ganhou notoriedade e elogios pelo futebol bem jogado.

Os dirigentes da terra dos aiatolás perceberam a importância de obter figuras atuando em torneios de níveis mais altos com atletas de diversas partes do mundo.

Depois do considerável sucesso do astro Ali Daei, vários jogadores iranianos aportaram na Europa.

Há alguns meses, o volante Javad Nekounam, do Osasuna, da Espanha, falou a revista Don Balón.

“Existe muita diferença no nível futebolístico. Aqui o jogo é muito rápido” relatou.

Eles reconhecem que ainda falta muito para se igualar as grandes potências, como afirmou o atacante Vahid Hashemian, do Hannover 96, da Alemanha, ao website oficial da Persian League.

“Ainda falta muito. A Alemanha tem três títulos mundiais e nós apenas disputamos a nossa terceira Copa”.

Mas seguem trabalhando e exportando suas principais peças. Hoje, existem iranianos jogando nas principais ligas européias – entende-se Itália, Inglaterra, Alemanha e Espanha. Eles só tem a ganhar.

CURTAS

– AFC Cup
Definidas as partidas das semifinais, com destaque para o super clássico jordaniano Al Faisaly e Al Wihdat (Para saber detalhes da competição consulte a seção ‘curtas’ da coluna anterior).

Shabab Al-Ordun (Jordânia) x Al Nejmeh (Líbano)
Al Faisaly (Jordânia) x Al Wihdat (Jordânia)

– TURCOMENISTÃO
O Shagadan ganhou a Copa do Turcomenistão pela primeira vez ao bater o Merv por 1 a 0. A equipe da capital Ashgabat, que é localizada entre montanhas e desertos, representará o país na AFC Cup 2008.

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Equipe Trivela

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