Deu tudo certo!

Teve de tudo no choque Arábia Saudita 0 x 2 Coréia do Sul pelas Eliminatórias Asiáticas. Quebra do tabu de 20 anos sem vitória dos ‘guerreiros taeguk’ em Riad, pênaltis não marcados, jogador com QI 150 marcando golaço, e o principal: o time sul-coreano começa a ‘dar liga’ depois de sofrer com uma longa entre-safra, onde os heróis do histórico 4º lugar do Mundial de 2002 foram sendo substituídos gradativamente.
Após a dinastia de treinadores holandeses pós-Hiddink (Jo Bonfrere, Dick Advocaat e Pim Verbeek) o atual técnico Huh Jung-Moo, ex-jogador da seleção (marcou Maradona na Copa de 1986), acertou a dose. Contestado por não ter muita influencia sobre o grupo, seu trabalho começa a dar resultados. A liderança no Grupo B é a prova viva.
As medidas de Moo
O bom senso nos faz admitir que não é fácil compactar as principais figuras da K-League com os elementos que jogam poucos minutos na Europa. Isso obriga o técnico Jung-Moo a deixar de fora jogadores que quase não atuam por seus clubes no velho mundo.
Veterano, ele sabe que um time de futebol é um processo e deve ter uma base com mais quilômetros nas pernas, uma espinha-dorsal experiente. Aqui está a chave do treinador de 53 anos. Começando pelo goleiro Lee Won-Jae, um dos mais seguros do continente, o ala Lee Young-Pyo e o meia ofensivo Park Ji-Sung, estrela maior.
Em torno desses medalhões orbita uma gama de jovens esquematizados num 4-4-2 até rudimentar, mas eficaz quando se desdobra para um 3-5-2 com o avanço e a incrivel vivacidade atacante de Young-Pyo na transição ofensiva.
Uma defesa jovem e inspirada, um ala-direito de 20 anos como Lee Chung-Yong que ‘queima’ o flanco em escapadas. Além de uma dupla de volantes que blinda a defesa com…vigor e substancia! Ki Sung-Yong, 19 anos e 1,87 de altura, o ’Vieira coreano’ é estimado até por Alex Ferguson, do Manchester United. Ao seu lado, o não menos possante Kim Jung-Woo fez a torcida esquecer Kim Nam-Il.
Eles compõem um sistema que liberta o capitão Park Ji-Sung a soltar sua imaginação em velocidade, desestabilizando o sistema defensivo adversário em rasgos (os sauditas enlouqueceram com ele). Se o meia dos ‘Red Devils’ soltar mais a bola pode formar um bom trio ofensivo com o rápido Lee Keun-Ho (autor de um belo gol) e o esguio centroavante Shung-Hoon, bom cabeceador. Falta um pouco mais de sintonia entre eles.
Na sua entrevista pós-confronto, Jung-Moo foi feliz ao dizer que se compararmos a seleção sul-coreana de um ano pra cá, melhorou muita coisa…
Um robô em campo?
Digno de nota foi o golaço marcado pelo promissor Park Chu-Young, do Monaco, que entrou no 2º tempo e após iludir o marcador, finalizou de maneira precisa para consolidar a vitória. Dizem que seu QI é de 150…
Fala, Ásia
“Nossa seleção e nossos clubes tem forte orientação defensiva por causa da nossa própria cultura, que é baseada em severas regras, e isso nos traz muitas desvantagens que se refletem no futebol. Os jovens aqui não são ousados, temem os erros, salvo raríssimas exceções. Esse é um dos motivos dos atacantes da K-League serem quase todos estrangeiros”
Joo Won Moon, universitário sul-coreano e torcedor fanático do Seoul FC
Eliminatórias Asiáticas: Classificação
Grupo A
1º Austrália, 9 pontos
2º Japão, 7
3º Catar, 4
4º Bahrein e Uzbequistão, 1
Grupo B
1º Coréia do Sul, 7 pontos
2º Irã, 5
3º Coréia do Norte e Arábia Saudita, 4
4º Emirados Árabes Unidos, 1



